Hammerfall: optando pelo caminho da burocracia
Resenha - Threshold - Hammerfall
Por Glauco Silva
Postado em 08 de abril de 2007
Nota: 5 ![]()
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É triste constatar que o Hammerfall virou, basicamente, uma banda chata: cada nota e ritmo que eles tocam é tão previsível quanto a alvorada. Com o passar dos anos, o inicialmente entusiasmado projeto do Jesper Strömblad (In Flames) optou pelo caminho da burocracia – ou preguiça: já acharam o caminho das pedras, agora não se arriscam a desviar dele nem um milímetro.
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Apesar da excelente técnica individual dos membros, parece que algo (medo? gravadora? produção?) impede os caras de alçarem vôos mais criativos. Talento e potencial eles têm de sobra, mas parece aquele time que só joga na retranca – vira um jogo de resultados, feio pra cacete e com raríssimos lances memoráveis. Triste...
Não que o CD seja ruim, ele até tem seus momentos – notadamente, a melodia grudenta (no bom sentido) de "The Fire Burns Forever", o peso avassalador de "Titan", as letras um tanto sombrias e o único destaque, ironicamente, uma faixa onde o Joacim Cans não abre a boca, a excelente instrumental "Reign Of The Hammer". Nada pior que instrumentais que servem pra lustrar o ego do músico, mas essa envereda pela trilha da música em si, como os bons medalhões heavy dos anos 80.
Aliás, o que mais estranhei, desde a primeira audição, foi o tom em que o Cans está cantando... chega a ser quase estridente, nada a ver com a voz e técnica que o consagraram, ou o que demonstra ao vivo – como os fãs brazucas já tiveram o prazer de presenciar. Acho que o ataque que ele sofreu há uns tempos o marcou mais do que aparentava...
No mais, são clichês em cima de clichês (principalmente nas letras, mais batidas que caipirinha), e ficam devendo um álbum decente... "Rebel Inside" é horrivelmente comercial, "Natural High" e "Shadow Empire" ficam em cima do velho esquema riff / ponte / refrão "ô-ô-ô" (que o brasileiro, de modo geral, adora) / solo / acabou. Cinco marmanjos que dominam seus instrumentos podem – e, aliás, devem – fazer muito mais que isso.
E mais: se querem se espelhar tanto em heróis dos anos 80, deviam tomar como exemplo a ousadia de um Maiden no (fenomenal) "Somewhere In Time", Priest do (horrível) "Turbo", ou Helloween do (razoável) "Pink Bubbles Go Ape": manter a identidade, sem medo de arriscar novos caminhos.
Fica pra próxima!
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