Resenha - Death On The Road - Iron Maiden
Por Rodrigo Altaf
Postado em 05 de março de 2006
Nota: 10 ![]()
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Um prato cheio para os fãs. Chega a ser difícil escapar desse cliché quando se tem nas mãos o novo lançamento do Iron Maiden, de longe a banda mais querida do heavy metal.
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Cobrindo a Death On The Road Tour, esse DVD triplo vem em um estojo caprichado, que enche os olhos. Os dois primeiros discos contém o mesmo show do CD Death On The Road, gravado no Westfalenhalle, em Dortmund, Alemanha. O primeiro deles, em som estéreo, e o segundo, em 5.1 Dolby Digital. Já o terceiro vem com um documentário sobre as gravações do mais recente álbum de estúdio, Dance of Death, os preparativos para a tour, entrevistas e clipes.
La se vão quase trinta anos de estrada, e o pique da banda continua intacto. Steve Harris e sua turma mantém a energia durante todo o show, e a participação da platéia não apenas complementa o espetáculo, mas já se tornou parte fundamental dele. O público alemão agita como se fosse uma horda de guerreiros em um campo de batalha, entoando todos os riffs e respondendo aos comandos de Bruce Dickinson. Isso tudo em uma segunda-feira, em pleno inverno europeu!!
O repertório é o mesmo que os fãs brasileiros puderam acompanhar nos shows do Rio de Janeiro e de São Paulo em Janeiro de 2004, e não tem grandes surpresas. Estão lá os grandes clássicos como "The Trooper" e "Hallowed Be Thy Name", bem como musicas mais recentes como "Rainmaker" e "Paschendale". Essa última, por sinal, demonstra o quanto as apresentações dos ingleses se tornaram teatrais: Bruce aparece trajando um uniforme de soldado, e caminha entre trincheiras, cercas de arame farpado e cadáveres no palco. Talvez essa tenha sido a turnê com mais artefatos de palco desde a Seventh Tour, que aconteceu no final dos anos oitenta. O palco atual emula um imenso castelo medieval. Tudo bem, castelos são um grande cliché, mas quem se importa? Esse formato facilita e contribui bastante para o espetáculo, dando uma atmosfera sombria ao local.
Outra coisa que salta aos olhos é a desenvoltura de Adrian Smith no palco. O guitarrista saiu da banda no inicio dos anos noventa, para retornar no final daquela década, mas só agora parece ter reassumido seu posto com autoridade, e dá mostras de se sentir novamente em casa. Seu entrosamento com a outra dupla das guitarras, Dave Murray e Jannick Gers, é impressionante. A cozinha demonstra a segurança e competência já conhecidas, com Steve Harris em seu baixo estilo "galopante" e cantando as letras com a platéia como sempre, e Nicko McBrain arrebentando na bateria, apesar de algumas batidas "mascadas" que pouco prejudicam o andamento.
A banda ainda se dá ao luxo de incluir a balada acústica "Journeyman" no primeiro bis, e encerra com chave de ouro, com a dobradinha matadora de "The Number Of The Beast" e "Run To The Hills".
Para quem já viu o show do Iron Maiden várias vezes, o aperitivo maior está no terceiro disco. Quem os conhece sabe que a intimidade do grupo sempre foi bastante preservada. E apesar de relutarem, pela primeira vez os membros permitiram câmeras no estúdio documentando todo o processo de composição do álbum Dance Of Death. Entrevistas com os músicos e com o produtor Kevin Shirley mostram como é difícil conciliar as idéias de seis cabeças em um álbum que agrade a todos. Nas entrevistas percebe-se o já famoso sarcasmo de Bruce e o bom humor de Nicko. E a farra não pára por aí, já que os outros "funcionários" dessa banda que já virou praticamente uma empresa entregam o ouro e contam detalhes da preparação para a tour, como o design do palco, iluminação, escolha de guarda-roupa, cuidados na afinação dos instrumentos, etc. Alguns membros da equipe trabalham com o grupo desde o início, e não conseguem esconder a satisfação de revelar alguns segredos até então desconhecidos dos fãs. E por falar nos fãs, entrevistas com eles na entrada de um dos shows mostram como o Iron hoje em dia atrai pessoas dos 15 aos 50 anos.
O pacotão conta ainda com uma pequena, porém hilária, reportagem de um telejornal do Chile, que fala de "Bruce Dickinson y sus seguidores", e fecha a tampa com os clipes de "Rainmaker" e "Wildest Dreams", fotos de divulgação do álbum e datas da turnê. Agora é aguardar o próximo passo desses veteranos do metal, que apesar de estarem próximos de completar sessenta anos, nem pensam em se aposentar.
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