Dave Grohl teve prejuízo de 50 mil dólares devido a sua paixão pelo Sepultura
Por Emanuel Seagal
Postado em 09 de agosto de 2024
Dave Grohl é conhecido como vocalista e guitarrista do Foo Fighters, além do seu período como baterista do Nirvana, mas o que muitos fãs dessas duas bandas não sabem é que ele cresceu ouvindo um som muito mais pesado, como Slayer, Voivod, Venom e Mercyful Fate. Segundo o músico, uma de suas bandas preferidas é o Sepultura, e ele contou um pouco da sua paixão pelo grupo ao escrever o prefácio de "My Bloody Roots", a autobiografia de Max Cavalera, lançada no Brasil pelo selo Agir.
"O estúdio do Foo Fighters é um lugar e tanto. Quando o construímos, a primeira coisa que fizemos foi instalar alto-falantes gigantescos na sala de controle. Pareciam monólitos: o som era inacreditavelmente potente e límpido. Eram os melhores alto-falantes do mundo. Não via a hora de ligá-los na tomada e escutar 'Roots', do Sepultura, já que eram do tamanho das caixas de som do Festival de Glastonbury. Assim, coloquei 'Roots' para tocar com o volume no talo — e a porra do disco explodiu as caixas de imediato. Alto-falantes de cinquenta mil dólares arruinados por causa de 'Roots'", contou o líder do Foo Fighters.

Dave Grohl começou a ouvir Sepultura no final dos anos oitenta. Ele descobriu o hardcore e punk aos 13 anos, tendo contato com metal underground mais tarde através do seu melhor amigo, descobrindo juntos nomes como Motörhead e Metallica. O contato com o Sepultura ocorreu por acaso, em um período onde a dupla comprava discos de bandas novas pelas suas capas, títulos ou nome do grupo. "Naquela época, o Sepultura era considerado o novo Slayer — e, pra mim, aquilo era como se fossem os novos Beatles", afirmou.
Segundo Dave, na época que o Sepultura lançou "Chaos A.D.", eles até cogitaram fazer uma turnê com os brasileiros, porém Kurt Cobain faleceu algum tempo depois. "Tenho certeza que as duas bandas teriam se cruzado em algum ponto da estrada e teria sido ótimo", disse.
Quando Dave Grohl encontrou finalmente o Sepultura e foi cumprimentar os músicos em seu ônibus da turnê, o nervosismo bateu. "Não queria que me vissem como uma porra de um tiete idiota. Na presença deles, porém, senti que estava num lugar especial. Há algo de diferente num grupo quando ele realmente parece ser um grupo, e o Sepultura era como uma turma e outro planeta. Eram a combinação perfeita de todas as coisas que amo na música. Quando 'Roots' foi lançado, em 1996, tudo mudou. Tinham elevado o padrão a níveis tão altos que, até hoje, não acredito que alguém tenha chegado perto de alcançá-los", contou.
Em 2004, Dave Grohl gravou um álbum do seu projeto metal, o Probot, que contou com um time dos sonhos de vocalistas, incluindo Lemmy, King Diamond, Tom G. Warrior, Scott "Wino", Lee Dorrian, Eric Wagner, e, claro, Max Cavalera. Sua participação na faixa "Red War" foi descrita por Dave como "puro Max Cavalera". "Ele é uma lenda. Nunca se vendeu, sempre foi verdadeiro — e sempre poderá dizer 'Eu gravei 'Roots'. Para mim, isso é grandioso", concluiu.
Ao conversar com o The Bogcast, Max Cavalera contou que escolheu Dave Grohl para escrever o prefácio do livro porque queria alguém de fora do metal, mas que fizesse parte de sua história. "Ele sempre ia nos ver quando tocávamos em Seattle, ele era um grande fã do Sepultura", afirmou, citando também as diversas vezes em que viu Dave enaltecendo o Sepultura em suas entrevistas.
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