Resenha - Death On The Road - Iron Maiden

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Por Ricardo Seelig
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Nota: 10

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Antes de tudo, uma resenha deve ser imparcial, analisando o objeto do review sob um ponto de vista jornalístico, amparado em argumentos e estas dezenas de conceitos que se aprende em qualquer curso de comunicação. Mas acontece que esta resenha não é uma resenha qualquer. Estamos falando do novo DVD do Iron Maiden e, me desculpem os leitores do Whiplash!, mas quando se trata do grupo de Steve Harris e Bruce Dickinson, por mais que tente eu não consigo ser imparcial. Portanto, aviso aos navegantes: o que você vai ler agora é a opinião de um fã, e não de um jornalista musical repleto de argumentos.

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A decisão da banda de lançar um DVD e um álbum ao vivo a cada tour no início me deixou meio de cara, já que, além de soar como caça-níquel, banalizava aquele ar mitológico do “álbum ao vivo”, uma das maiores instituições do rock. Ou você acha que discos antológicos como “Made In Japan”, “Unleashed In The East” e o próprio “Live After Death” teriam a aura que possuem hoje se os seus autores resolvessem lançar álbuns ao vivo ano após ano?

Bem, esta primeira impressão caiu por terra já na primeira audição do álbum “Death On The Road”. Muito mais que apenas mais um disco ao vivo, sua audição e aquisição se sustentam não só pela execução impecável dos velhos clássicos (aliás, o grupo soa melhor ano após ano) mas, principalmente, pela enorme força que as canções do apenas mediano “Dance Of Death” ganharam ao vivo. A maior prova disso é “No More Lies”, um dos pontos altos da turnê, com participação maciça dos fãs.

Pois bem, esta sensação que já podia ser sentida no CD é elevada à enésima potência no DVD “Death On The Road”. O cuidado e o perfeccionismo do Iron Maiden em relação ao trabalho pode ser sentido em cada detalhe.

Vamos começar pela embalagem. Em formato digipack, a arte da capa, que já chamava a atenção no álbum, no DVD tem toda a sua força escancarada. Um trabalho belíssimo e que pode ser apreciado em toda a sua plenitude no box que guarda os discos. Além disso, o grupo, em uma iniciativa inédita (pelo menos até onde eu sei), optou por lançar o show em dois discos diferentes, um com o áudio em estéreo e o outro em 5.1. Mais que mero perfeccionismo, mostra o respeito extremo da banda por seus fãs.

O show apresentado, gravado na Alemanha em 2003, é, de fato, o mais teatral de toda a carreira do grupo. O ponto alto, de maior destaque, desta vez não são os clássicos eternos como “Wrathchild” e “Iron Maiden”, eternizados no set list do grupo, mas sim as músicas mais recentes. Esta mudança de foco se dá pelo extremo cuidado dado à execução do bloco “Dance Of Death” do show (com as músicas “Dance Of Death”, “Rainmaker”, “Pashendale” e “No More Lies”, mais a bela “Brave New World” e a surpreendente “Lord Of The Flies”), onde o aspecto teatral sempre tão presente nas músicas do grupo é explorado mais a fundo.

A performance de Bruce Dickinson em “Dance Of Death”, cantando a música com máscaras venezianas e voltando mais tarde, coberto por uma capa que lembra a própria morte, enche os olhos. O final da música, quando ele gira enlouquecidamente em torno de si mesmo, é de arrepiar.

O clima de batalha de “Pashendale” é, literalmente, transportado para o palco. O início, com diversos sons de combate rolando, introduz soldados à caráter montando suas trincheiras, abrindo caminho para o comandante Dickinson, que dita as ordens do alto do palco.

“Brave New World”, a única música do disco homônimo, mostra a sua força e é uma das mais saudadas pelos fãs. Uma presença muito bem-vinda ao set list do grupo.

Já “Lord Of The Flies”, do álbum “The X-Factor”, é a representante da vez da era-Blaze. Assim como já havia feito anteriormente em músicas como “Futureal” e “Sign Of The Cross”, Bruce Dickinson acrescenta muito à canção, o que faz de “Lord Of The Flies”, que já era uma faixa boa, em outro dos momentos altos de “Death On The Road”.

Vale mencionar também a volta de “Can I Play With Madness” aos shows do grupo após uma longa ausência. Apesar de não ser uma das minhas músicas preferidas (acho que o Maiden tem faixas muito melhores que mereciam voltar a ser tocadas ao vivo, como “Infinite Dreams”, “Phantom Of The Opera” e “Powerslave”, para ficar em apenas três), é sempre bom ser transportado de volta aos anos oitenta e ouvir algo do excelente “Seventh Son Of A Seventh Son”.

O bloco final do show, com os hinos “Hallowed Be Thy Name”, “Fear Of The Dark”, “Iron Maiden”, “The Number Of The Beast” e “Run To The Hills” tocados em sequência, dispensa comentários.

Mais uma surpresa acontece quando o grupo volta do bis e, ao invés de engatar algum clássico antigo, começa a executar a nova “Journeyman” em roupagem acústica. O formato inusitado, principalmente em se tratando de um show da maior e mais importante banda de heavy metal da história, aos poucos cai por terra, e o estranhamento inicial se transforma em uma levada cativante. A técnica, principalmente de Adrian Smith, Dave Murray e Janick Gers, é o ponto alto da canção, ao lado da interpretação impecável de Bruce. Durante toda a duração de “Journeyman” ele vai conquistando a platéia, até chegar ao final com o público totalmente em suas mãos.

O segundo disco de “Death On The Road” se mostra tão, e em certos aspectos, até mais atraente que o show propriamente dito. Um extenso documentário com o grupo é o prato principal. Nele acompanhamos desde os primeiros ensaios e gravações do álbum “Dance Of Death”, passando por históricos e raros registros do grupo trabalhando em estúdio que irão deliciar os fãs. Presenciar Bruce, Steve, Dave, Adrian, Janick e Nicko trocando idéias entre si e com o produtor Kevin Shirley é prazeroso e divertido para qualquer fã de música. Só isso já valeria a compra do DVD.

Ainda neste documentário, acompanhamos todo o processo de criação do cenário para o novo show do Iron Maiden, desde a maquete até o resultado final. Entrevistas com a equipe técnica e com os roadies de cada integrante enriquecem ainda mais o material. Resumindo: é, ao lado do DVD “Early Days”, o melhor e mais completo documentário já produzido sobre o Iron Maiden, sem sombra de dúvidas.

Além disso, ainda temos alguns extras muito interessantes. “Life On The Road” mostra tudo o que envolve a produção de um show da Donzela. Outro extra é dedicado aos fãs, com diversas entrevistas com aficcionados pelo grupo, onde podemos ver toda a paixão e dedicação que envolve a banda.

Finalizando, temos os dois clipes produzidos para o álbum “Dance Of Death”, para “Wildest Dreams” e “Rainmaker”, além dos estudos e pré-renderizações dos mesmos. Um extra muito bem-vindo, uma vez que o DVD “Visions Of The Beast”, que apresenta todos os clipes produzidos pelo grupo em sua carreira, foi lançado antes de “Dance Of Death”. Além disso, os vídeos para estas duas músicas só haviam sido lançados nos singles das canções, e muitos fãs do grupo não tem acesso ou não possuem estes singles, ambos importados.

“Death On The Road”, na minha opinião, é o melhor DVD já lançado pelo Iron Maiden. “Rock In Rio” é um show obrigatório na coleção de qualquer um, “Visions Of The Beast” é didático e completíssimo, e “Early Days” possui um valor histórico inestimável, mas “Death On The Road” acaba sendo superior a todos estes pela dedidação, perfeccionismo e empenho palpáveis colocados em sua produção.

Um DVD incrível, mais um excelente lançamento do Iron Maiden. Não só fãs do grupo vão curtir, mas todo e qualquer apreciador de música vai gostar.

Obrigatório (mais uma vez).

Faixas:

Discos 1 e 2 (show completo em formato 5.1 e estéreo)

1. Wildest Dreams
2. Wrathchild
3. Can I Play With Madness
4. The Trooper
5. Dance Of Death
6. Rainmaker
7. Brave New World
8. Pashendale
9. Lord Of The Flies
10. No More Lies
11. Hallowed Be Thy Name
12. Fear Of The Dark
13. Iron Maiden
14. Journeyman
15. The Number Of The Beast
16. Run To The Hills

Disco 3

1. Death On The Road (Documentário)
2. Life On The Road (Documentário)
3. The Fans
4. EPK (Entrevistas)
5. Promo Videos: Wildest Dreams / Rainmaker
6. Galeria de Fotos / Material Gráfico

Nota: 10

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Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig é editor da Collectors Room - www.collectorsroom.com.br - e colabora com o Whiplash.Net desde 2004.

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