Resenha - Acústico MTV - Ira!
Por Maurício de Almeida (Maquinário)
Postado em 21 de dezembro de 2004
O Ira! sempre foi uma banda constante: depois de dois primeiros discos muito bons, eles tomaram para si o comando de sua carreira e seguiram seus instintos. É claro que tal ato não sairia barato, por isso, mesmo lançando o ótimo "Psicoacústica" em 1988, foram taxados como incompreendidos e à partir daí amargaram um ostracismo ferrenho. Pra alguns, este seria um preço muito caro, um knock-out no 1º round, mas ao que parece, foi depois desse baque que a personalidade da banda começou a se sedimentar.
Desde então, o Ira! segue uma carreira linear. Não há nenhum grande sucesso entre seus discos, e mesmo os tropeços não são tão grandes assim, fazendo valer a máxima que reza ser o tombo proporcional a altura. Os últimos três discos da banda mantêm a linha discreta: "Isso é amor" (1999) trouxe a banda de volta as paradas com a música "Bebendo Vinho", cover do gaucho punk-brega Wander Wildner. No ano seguinte sairia o "Ao vivo MTV" em comemoração aos vinte anos de banda. Recheado de sucessos da banda, o disco rendeu cerca de 160.000 cópias vendidas e um show no Rock in Rio III para aproximadamente 250.000 pessoas. Aproveitando a maré alta, sai em 2001 "Entre seus rins", disco de inéditas que não conseguiu manter o patamar estabelecido pelo anterior, fato que não chega a surpreender.
Três anos depois, o quarteto paulista volta com mais um projeto MTV, dessa vez um disco acústico. Hoje em dia, é complicado pensar num acústico sem ter uma pulga atrás da orelha. A lista das bandas dos anos oitenta que aderiram ao formato é enorme, e as desculpas das mais variadas. Acontece que a Ira! está na ativa, logo não é um show especial com a volta dos integrantes original; os vinte anos de carreira já foram comemorados com o "Ao vivo"; e a vendagens caíram com o fraco desempenho de "Entre seus rins". Ou seja, tudo nos leva a crer que caímos certinho nessa armadilha.
Apertar play é uma tarefa difícil quando temos os pensamentos acima citados rondando a cabeça, e a coisa piora quando, com o encarte em mãos, percebemos que a primeira faixa ("Pra ficar comigo") é nada menos do que uma versão para "Train in vain", do Clash. Esse não seria o primeiro grande pecado do Ira!, já que no disco "Meninos da rua Paulo" (1991) há "Você ainda pode sonhar", uma versão para "Lucy in the sky with diamonds", dos Beatles. O negócio é respirar fundo e mergulhar. E após quase 60 minutos imerso no mundo acústico do Ira!, o resultado final agrada. É claro, para não correr o risco, além de músicas como "Envelheço na cidade", "Tarde Vazia" ou "Flores em você", há convidados que agradarão a "velha guarda" (Os Paralamas do Sucesso) e a "jovem guarda" (Samuel Rosa e Pitty). Mas sejamos justos, músicas como "O Girassol" - do disco "Sete" (1996) -, "Rubro Zorro" - "Psicoacústica" (1988) - e "Boneca de Cera" - "Clandestino" (1989) - também estão no CD, e de certa maneira equilibram o show.
As músicas, de uma maneira geral, não fogem muito das versões originais. "Dias de luta", por exemplo, ganhou um clima Spanish guitar/western, preparando o ouvinte para "Rubro Zorro"; "Flores em você" ficou mais enxuta, e não menos bonita, fato que se repete em "Boneca de Cera" e "Eu quero sempre mais", esta com participação de Pitty. Das inéditas, temos "Flerte Fatal" - uma das melhores do disco -, "Por amor" - composição de Zé Rodrix -, Poço de sensibilidade" e "Pra ficar comigo" - a assustadora versão do Clash. Há também "Muito além do jardim", mas essa está presente só no DVD.
Até então, o "Acústico MTV - Ira!" já vendeu cerca de 50.000 cópias, e "Tarde vazia" (com a participação de Samuel Rosa) está nas paradas das rádios Brasil à fora. Entretanto, é preciso cuidado com esse tipo de coisa, pois é muito provável que ocorra uma repetição da história: o próximo disco da banda, assim como "Entre seus rins", talvez não alcance esse acústico, não só na vendagem, mas também na aceitação do público, o que não significa um problema na carreira da banda, mas apenas um novo retorno aos patamares reais de uma banda com mais de vinte anos de estrada.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



As 11 bandas de rock progressivo cujo primeiro álbum é o melhor, segundo a Loudwire
A banda iniciante de heavy metal que tem como objetivo ser o novo Iron Maiden
A música de guitarra mais bonita da história, segundo Brian May do Queen
Guns N' Roses ensaia hit não tocado há 35 anos e fãs criam expectativa para shows no Brasil
10 músicas do Kiss para quem não gosta do Kiss
O primeiro disco que Max Cavalera comprou; "Ouvia todos os dias"
O exagero de John Bonham que Neil Peart não curtia; "Ok, já chega!"
Guns N' Roses - Resenha do show em Porto Alegre
O álbum de rock rural que mistura candomblé e umbanda que Regis Tadeu adora
David Ellefson diz que "Master of Puppets" foi o primeiro disco de metal progressivo
Alex Lifeson diz que primeiros ensaios do Rush com Anika Nilles não funcionaram tão bem
O álbum do Testament onde os vocais melódicos de Chuck Billy não funcionaram
Quando Axl Rose apresentou o Queensryche na turnê "Operation: Mindcrime"
Rob Dukes não levou raiva por demissão em conta quando aceitou voltar ao Exodus
Anthony Kiedis queria que Jim Carrey participasse do clipe de "By the Way"
Red Hot Chili Peppers: Anthony Kiedis odiou abrir show para os Rolling Stones
A chocante e nojenta cena protagonizada por Ozzy mostrada no filme do Mötley Crüe



A humildade de Regis Tadeu ao explicar seu maior mérito na formação da banda Ira!
"Guitarra Verde" - um olhar sobre a Fender Stratocaster de Edgard Scandurra
Legião Urbana: O discurso de tristeza e morte no álbum A Tempestade



