Resenha - O Circo Está Armado - Relespública
Por Anderson Nascimento
Postado em 02 de outubro de 2003
Nota: 10 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Se existe um álbum que todos os amantes do rock nacional precisam conhecer, este álbum chama-se "O Circo Está Armado", gravado em 2000 pela banda curitibana Relespública. O disco, lançado pela Universal Music, teve péssima divulgação e pouquíssimo apoio da gravadora, o que de certa forma, desestruturou as pretensões da banda. Apesar de ter lançado um disco fora do mundo "indie" somente em 2000, o núcleo da banda se formou em 1990, quando batizaram o conjunto.

A Relespública destacava-se à época por trazer uma sonoridade fortemente amarrada ao mod e ao rhythm'blues. A banda, formada por Kako Louis, Roger Gor, Fabio Elias (principal compositor), Emanuel Moon e Ricardo Bastos, conseguiu fazer um disco com uma pitada de cada ingrediente, de Rock'n'roll básico ("E o Rock'n'Roll Brasil!?") à psicoledia pura ("Capaz de Tudo") retornando como produto final um álbum redondo, completo.
De cara a Reles entra com a básica crítica à cultura do Rock no país "...rock no Brasil é coisa de maluco, mas onde ele surgiu é profissão que dá lucro!...". "Carta à Amada" é uma balada recheada de lindos teclados, coros muito bem trabalhados e letra simples, porém eficiente. As guitarras que abrem "Sunflowers" remetem ao Rock dos anos 70, com vocais rasgados e citação à "Agora só falta você" de Rita Lee. "Tão Linda" é daquelas baladinhas bem retrô, açucaradas e com cara de anos 80, desculpe-me mas lembra Spandau Ballet. "Só sei um Soul" é Soul, é linda, é a marca registrada da banda, é tudo; O solo de gaita de Milton Guedes vem para acompanhar o vocal novamente brilhante de Kako. "Ele realmente era um mod" é outra música que possui bem a cara da banda, e também a cara do The Who, e do Ira!, talvez seja a música com maior explicitação da fonte na qual os Curitibanos beberam. Rita Lee é novamente lembrada, na versão cheia de metais de "Portugal de Navio" dos Mutantes, única das 14 músicas que não é composta pela Reles. "Sem você jamais" remonta o clima das nossas festinhas dos anos 80. "Sol em Estocolmo", rockzinho básico meio jovem guarda, letra caprichada de Fábio Elias. "Adeus" lembra DEMAIS os riffs de "Ando meio desligado" dos Mutantes. "Tem que ser assim" continua exibindo as referências da banda. "Pesadelos" tem a participação especial de Eduardo Dusek, dando uma canja com seu inconfundível vocal. "Magic Feeling" é a música gringa do disco, tem cara de namoro, observando a lua cheia, é bem mela-cueca. E aí então vem a fúria "Capaz de Tudo", música arrebatadora como há muito não se tem feito no Brasil, seus poucos versos são suficientes para dar aquela moral pro cara que ta ouvindo. A música é intencionalmente grandiosa, tem guitarras maravilhosas, arranjo de cordas, orquestra. É aí que a gente percebe que o que está acontecendo de melhor na música brasileira não rola nas rádios.
Com as influências explícitas ao The Who, The Jam e ao Ira!, este disco marcou pontos importantes para o convite feita à banda para literalmente abrir a Tenda Brasil no Rock In Rio 3: a Reles fez a primeira apresentação na estréia da Tenda Brasil, para uma dúzia de pessoas. Com o som ainda desregulado e horário não compatível, a banda com muito esforço conseguiu agradar às testemunhas que ali estavam. E estava encerrada aí a passagem fulminante da banda pelo grande circuito. A partir daí, a banda passou a fazer shows de menor expressão em termos de Brasil, um ano depois, a banda sofreu a saída de dois membros, Kako Louis (voz) e Roger Gor (teclados).
Hoje, o agora trio Relespública, promete um novo disco já algum tempo, mas a verdade é que eles sumiram. Uma pena.
Sei que acabei de santificar este disco, mas com respeito à todas as opiniões e leitores, este álbum vale cada caractere usado para elogiar este brilhante trabalho.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O artista que é "a essência do rock", segundo James Hetfield do Metallica
Baterista de Piracicaba vence concurso do Metallica com galinha de borracha
A música do Pink Floyd que David Gilmour nunca mais vai tocar ao vivo
A música esquecida do Led Zeppelin que Robert Plant acha simplesmente "linda"
Os 100 melhores álbuns da década de 1980, em lista da Classic Rock
O hit do Foo Fighters que Dave Grohl odeia: "Parece uma canção dos Eagles"
Ripper Owens elege o maior cantor da história: "Boa margem sobre qualquer outro"
As três músicas punk que Lemmy escolheu entre as maiores de todos os tempos
O melhor disco dos anos 80, segundo a Classic Rock
Rock e Heavy Metal - lançamentos de faixas, álbuns e mais novidades
A letra de Ronnie James Dio que Tony Iommi e Geezer Butler quase vetaram
A banda clássica dos anos 2000 que virou paródia de si mesma, segundo Regis Tadeu
Por que Iron Maiden nunca será grande como Metallica, segundo Bruce Dickinson
A obra-prima do Pink Floyd que, para Roger Waters, quase foi arruinada por David Gilmour
Até 71% de desconto em ofertas selecionadas de vinil, CDs, acessórios e celulares na Amazon
Quem é o brasileiro que apresentou o disco "Nevermind", do Nirvana, para Joey Ramone
O riff marcante que Slash considera o mais pesado de todos os tempos
David Coverdale diz que algumas temáticas do Dio não combinavam com ele: "Não curtia"


Black Swan - Quando a experiência se transforma em poder de fogo
Hellacopters acerta (de novo) com seu rock n' roll visceral em "Cream Of The Crap! - Volume 3"
Yes - Seguindo firme e forte em "Aurora"
"Break The Silence" prova que o mainstream precisa do Beyond The Black
"MI'RAJ" - quando Edu Falaschi troca a velocidade pela emoção e encerra trilogia com maturidade
A Lapidação da alma: O triunfo conceitual do Big Big Train em "Woodcut"
HellLight - Reafirmando seu espaço entre os melhores da safra do gênero.
"Betrayed By Obedience", do Infected Cells, é death metal bruto, técnico e direto
Há 40 anos o Queen lançava "A Kind of Magic", álbum que marcou a despedida de Freddie dos palcos
Metallica: um DVD com título mais do que adequado



