Mastodon #4: Blood Mountain
Por Ricardo Cunha
Fonte: Esteriltipo
Postado em 06 de abril de 2019
"Mais uma etapa na jornada para alcançar a caveira de cristal."
O ano é 2006. Dando sequência a narrativa dos quatro elementos, Mastodon lança Blood Montain, no jogo conceitual, representa o elemento terra. Neste ponto da história, talvez devamos tratar a banda, não mais como uma pequena pérola do underground, mas agora, como uma estrela cujo brilho começa a ofuscar astros cujo brilho apenas reflete o sucesso do passado, um brilho fosco. (…) Por haverem chamado maior atenção da imprensa especializada, num ano em que bandas como Iron Maiden (A Matter Of Life And Death), Slayer (Christ Illusion) e Sepultura (Dante XXI) lançaram discos – com o perdão da palavra – insossos, o Mastodon se coloca como uma promessa cumprida.
Blood Mountain fecha o ciclo da abstração marítima de Leviathan e evoca uma atmosfera completamente diferente ao contar a jornada de "um homem que precisa subir uma montanha e conquistar a caveira de cristal", metáfora que pode muito bem simbolizar a conquista da sabedoria. E as mudanças podem ser percebidas também – e principalmente – no modo de cantar no qual os rosnados de Remission dão lugar a vocalizações limpas. O que NÃO significa dizer que a banda se tornou comercial. Ao contrário, as composições e os vocais parecem ainda mais insanos.
Musicalmente parece que o quarteto de Atlanta funciona melhor quando sua criatividade atinge a um grau quase esquizofrênico. The Wolf Is Loose é uma introdução altamente impactante no contexto do álbum. Talvez melhor descrita se comparada como a equivalente atual de Crusher Destroyer. Referências a uma dimensão atroz são percebidas em Hunters Of The Sky e Hand Of Stone, enquanto na faixa This Mortal Soil a banda faz reflexões sobre formas de vidas extraterrestres superiores. Mas, é em momentos como Bladecatcher que a propensão dos músicos à auto-indulgência extrai de si o melhor: uma composição completamente insana e sem paralelos métricos ou estéticos.
Por fim, se o Mastodon, começa a se reorientar para os aspectos mais gerais do universo musical e com isso passa a incorporar mais elementos à sua música. De um modo geral pode-se dizer que até o momento, isto não reduziu o trabalho da banda. Mas, ainda que alguns sintam-se incomodados pelas referidas adições, este que vos escreve, que nunca se considerou um grande fã da mesma até Crack The Skye, acredita que os caras tem sido coerentes com a sua trajetória e que, este álbum é mais uma etapa na jornada da banda para alcançar a caveira de cristal.
Referências: The BNR Metal Pages, Buteco Do Rock Podcast, Chronicles Of Chaos.
Mastodon - A história e a discografia da banda
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