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Edu Falaschi 2026

RPM: sem tanto teclado, fase mais roqueira na década de 90

Por
Postado em 14 de junho de 2017

O RPM não soube lidar com o sucesso. O disco "Revoluções por minuto" (1985) e o live "Rádio pirata ao vivo" (1986) colocaram o grupo em evidência por todo o Brasil - e até no exterior -, mas o caos imperava no grupo em seus bastidores. Em meio à sua "beatlemania" particular, o RPM vivenciava seu inferno astral por trás das cortinas.

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As drogas se tornaram um problema para os integrantes do RPM, como os próprios falam abertamente nos dias de hoje. "A gente foi firme no 'sexo, drogas e rock'n'roll'. Nos três igual. Só que a gente descobriu que tocando se dava mal", contou o guitarrista Fernando Deluqui, em entrevista ao programa "Agora é tarde", de Rafinha Bastos.

O sucesso obtido por "Revoluções por minuto" e "Rádio pirata ao vivo" não foi repetido no disco "RPM" (1988) - comumente chamado de "Quatro Coiotes". É compreensível, pois não é um bom trabalho. Peca pelos exageros na produção e pela falta de inspiração no repertório. Em crise interna, a banda encerrou suas atividades em 1989.

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"Não tínhamos mais condições de operar. Por mais caótica, a decisão foi acertada. Eu e o (tecladista Luiz) Schiavon fazíamos as composições e as 'demos'. Com o sucesso, Nando (Fernando Deluqui, guitarrista) e P.A. (baterista) quiseram interferir, o que é normal. Isso aconteceu no álbum "Quatro Coiotes", que tem um resultado psicodélico, que não era exatamente a cara do RPM. Nos sentíamos incapazes de controlar as rédeas da gravadora. A gente não tava dando conta e saiu", disse o vocalista e baixista Paulo Ricardo, em entrevista ao site Ego.

Ainda em 1989, Paulo Ricardo lançou seu primeiro disco solo, autointitulado. Na sequência, saiu "Psico Trópico" (1991). Ambos os registros contaram com Fernando Deluqui na guitarra. Em 1993, Ricardo e Deluqui tomaram uma decisão ousada: reformaram o RPM sem dois de seus integrantes clássicos, Luiz Schiavon e P.A. Pagni. As vagas foram ocupadas por Franco Junior nos teclados e Marquinho Costa na bateria.

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Schiavon entrou na Justiça contra o uso do nome RPM, então, a nova versão da banda foi chamada de Paulo Ricardo & RPM. Não acabou tão estranho, pois tratava-se, basicamente, de uma banda solo de Ricardo com Fernando Deluqui.

O disco dessa reunião também foi intitulado de "Paulo Ricardo & RPM" e chegou a público em 1993. E, musicalmente, o registro surpreende.

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Sem a influência direta de Luiz Schiavon nas composições, a guitarra de Deluqui, enfim, apareceu mais. Com mais atenção às seis cordas, o álbum ganhou uma pegada mais hard rock, com referências e conexões ao som mais sóbrio que era praticado no início da década de 1990. Faixas como "Trem" e "Pérola" refletem o destaque ao instrumento.

Paulo Ricardo também apresenta suas credenciais como letrista de forma mais impositiva. As temáticas são mais inteligentes e, por vezes, trazem críticas a questões sociais. As construções dos versos também soam melhores, como é possível notar em canções como "O fim" e "Hora do Brasil".

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Os outros dois músicos fazem seu trabalho sem tanto destaque. Marquinho Costa acompanha bem na bateria, enquanto Franco Junior é responsável por dar um papel mais secundário aos teclados, que aparecem bem pouco e de forma mais ambientada, como na soturna "Gênese" e na já citada "O fim", que segue a veia classic rock.

Mesmo com uma turnê de divulgação que atravessou os anos de 1993 e 1994 - com direito a shows de abertura para a turnê do INXS e Soul Asylum na América do Sul -, "Paulo Ricardo & RPM" não obteve vendas tão boas. Estima-se que 60 mil cópias tenham sido comercializadas naquele período. Parte do impulso mercadológico veio com o acréscimo da música "Gênese" à trilha sonora da novela "Olho no olho", da TV Globo.

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Ainda assim, a ideia era continuar com a nova formação. Outro registro, que seria intitulado "Noturno", chegou a ser gravado pela banda. Contudo, o álbum nunca foi lançado, visto que o simples uso do nome RPM já vinha causando problemas entre Paulo Ricardo e Luiz Schiavon.

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O RPM encerrou suas atividades em 1994 e Paulo Ricardo voltou a se dedicar à carreira solo - com direito a uma curiosa investida na música romântica, nos mesmos passos de Roberto Carlos, só que sem o mesmo êxito. A banda se reuniu novamente entre 2001 e 2003 e retomou as atividades, em definitivo, no ano de 2011.

O voo semisolo de Paulo Ricardo sob a alcunha RPM, por sua vez, não parece ser reconhecido como um disco oficial da banda. O álbum de 1993 chegou a ficar de fora do box "Revolução - RPM 25 anos" e suas músicas não foram mais tocadas nos shows. Já o disco pensado para ser lançado entre 1994 e 1995 jamais chegou à luz do dia. Uma pena.

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"Paulo Ricardo & RPM" (1993)

Faixas:

1. Pérola
2. Gênese
3. Veneno
4. Surfista Prateado
5. O fim
6. Outro Lado
7. Hora do Brasil
8. Eclipse
9. Ninfa
10. Trem
11. Vírus
12. Falsos Oásis (presente somente na edição em CD)

Músicos:

Paulo Ricardo (vocal, baixo)
Fernando Deluqui (guitarra)
Franco Júnior (teclados)
Marquinho Costa (bateria)

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Sobre Igor Miranda

Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital pela Universidade Estácio de Sá. Começou a escrever sobre música em 2007 e, algum tempo depois, foi cofundador do site Van do Halen. Colabora com o Whiplash.Net desde 2010. Atualmente, é editor-chefe da Petaxxon Comunicação, que gerencia o portal Cifras, Ei Nerd e outros. Mantém um site próprio 100% dedicado à música. Nas redes: @igormirandasite no Twitter, Instagram e Facebook.
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