Alta Fidelidade: obra em linguagem que aborda aspectos de outra

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Por Mário Orestes Silva
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Produção hollywoodiana do ano de 2000, Alta Fidelidade (High Fidelity) é uma das poucas excelentes comédias românticas que prende o telespectador do começo ao fim. Com infinitas referências musicais, este filme de 107 minutos com direção de Stephen Frears e inspirado no livro homônimo do escritor inglês Nick Hornby, traz John Cusack atuando grandemente no papel principal, Jack Black também com interpretação brilhante e Todd Louiso, além da participação irreconhecível da belíssima Catherine Zeta-Jones, ponta de Bruce Springsteen como o eterno conselheiro “boss” e outros protagonistas menos relevantes.
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Rob Gordon (Cusack) é proprietário de uma loja sebo de discos em vinil, colecionador, audiófilo, profundo conhecedor da música pop e DJ durante as noites de fim de semana. Acompanhado de seus dois funcionários Barry (Black) e Dick (Louiso), vive a rotina do comércio moroso refletindo suas crises existenciais e suas frustrações amorosas. Aliás, estas últimas são o foco de seu drama pessoal que, em seu universo romântico de discos encontra consolo sonoro, mesmo sem encontrar as respostas do porque ele ser infeliz em seus relacionamentos. O anti socialismo do protagonista é compactuado por seus companheiros que não se arrependem em expulsar clientes da loja pela mínima divergência, até mesmo no âmbito do gosto musical. Outra mania levada por todo o decorrer do filme é das constantes listas “top 5”. As 5 mais “lado B”, as 5 preferidas para funerais, as 5 mais para os “foras” e por aí vai.

A trilha sonora é uma pérola à parte e possui nomes como The Velvet Underground, Stiff Little Fingers, Queen, Marvin Gaye, Bob Dylan dentre outros grandes nomes que refletem muito bem o universo quase poético desta história deliciosa que dá aquele gostinho juvenil de “queria viver assim”.

A versão dublada perde algumas coisas de sentido quando traduzida. Então, procure assistir o filme legendado. Recomenda-se também a versão em DVD que traz cenas extras excluídas.

Indicado para quem curte um bom filme de rotina urbana e também para amantes da música pop, colecionadores e pessoas que gostam de procurar referências diversas em cenários, figurinos, diálogos e sons, Alta Fidelidade é uma obra em uma linguagem que aborda aspectos de outra.
Diversão gratuita.

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Sobre Mário Orestes Silva

Deuses voavam pela Terra numa nave. Tiveram a idéia de aproveitar um coito humano e gerar uma vida experimental. Enquanto olhavam, invisíveis ao coito, divagavam: – Vamos dar-lhe senso crítico apurado pra detratar toda sua espécie. Também daremos dons artísticos. Terá sex appeal e humor sarcástico. Ficará interessante. Não pode ser perfeito. O último assim, tivemos de levar à inquisição. Será maníaco depressivo e solitário. Daremos alguns vícios que perderá com a idade pra não ter de morrer por eles. Perderá seu tempo com trabalho voluntário e consumindo arte. Voltaremos numas décadas pra ver como estará. Assim foi gerado Mário Orestes. Décadas depois, olharam como estava aquela espécie experimental: - O que há de errado? Porque ele ficou assim? Criamos um monstro! É anti social. Acumula material obsoleto que chamam de música analógica. Renega o título de artista pelo egocentrismo em seus semelhantes. Matamos? - Não. Ele já tentou isso sem sucesso. O Deixaremos assim mesmo. Na loucura que criamos pra vermos no que dará, se não matarem ele. Já tentaram isso, também sem sucesso. Então ficará nesse carma mesmo. Em algumas décadas, voltaremos a olhar o resultado. Que se dane.

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