Dream Theater: vibração de fãs leais e atentos em SP

Resenha - Dream Theater (Credicard Hall, São Paulo, 08/03/2008)

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Por Pedro Zambarda de Araújo, Fonte: Faculdade Cásper Líbero
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Desde o memorável show no Brasil em 2005, a banda de heavy metal progressivo Dream Theater prossegue em sua jornada de sucesso como precursora do estilo desde os anos 1980. Levando a turnê Chaos in Motion, do último album Systematic Chaos de 2007, até cidades como Belo Horizonte, a capital paulista não poderia ser esquecida no meio desse caminho. A banda, que sofreu algumas mudanças técnicas nestes dois últimos anos, mostrou competência, amor aos fãs, técnica e paixão de tocar que são próprias deles.

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Originalmente publicado no site CULTURA GERAL da Faculdade Casper Líbero.

No último sábado a banda norte-americana Dream Theater e seu público de fãs fecharam o estacionamento do Credicard Hall, o mesmo local do show de 2005, com praticamente o dobro de espectadores, embora não tenha lotado. Todavia, foi um espetáculo de qualidade, agitado com a vibração de fãs leais e atentos à complexa música progressiva.

Ao cair da noite, aproximadamente às 19h30, a banda nacional Hangar abriu o show sem despertar muito as atenções do público. Sob a voz elétrica e voraz do vocalista Nando Fernandes, o grupo procurou mostrar um heavy metal progressivo que fizesse os presentes se agitarem, conseguindo principalmente durante a execução da faixa-título de seu álbum, “The Reason of Your Conviction”.

O baterista, Aquiles Priester, também instrumentista da famosa banda Angra, mostrou habilidade técnica e energia. Com uma máscara que parecia ser um polvo, acima dos pratos do instrumento e presa entre duas vigas de metal, Priester dialogou com o público e agradeceu pela presença e apoio. Ainda mais discreto que o guitarrista Eduardo Martinez e o baixista Nando Mello, desconhecidos em relação aos demais integrantes da banda, estava o tecladista Fábio Laguna, também companheiro de Aquiles no Angra.

Terminada a apresentação, o palco começou a ser montado para o prato principal servido pelo Dream Theater, conhecido por seus instrumentais modernos e efeitos luminosos sofisticados. A equipe técnica surpreendeu pela rapidez e, exatamente meia hora depois, os equipamentos estavam testados e afinados. Os espectadores esperavam que houvesse mais tempo para a entrada da banda. Um semáforo instalado no topo do palco, em referência à capa de “Systematic Chaos”, sinalizou que eles já estavam prontos para entrar. Todos ficaram surpresos com uma banda que entrou 30 minutos antes do horário anunciado.. Com a cor verde reluzente do semáforo,o quinteto subiu ao palco ao o som de “An Ant Odissey”, uma sonora de 2001: Uma Odisséia no Espaço do diretor Stanley Kubrick, enquanto várias cenas da banda em diversas épocas apareciam no telão principal.

“Constant Motion” foi a primeira música a ser tocada e fez o público próximo à grade pular e se debater mais forte do que em todas as demais partes do show. Nesta faixa, o novo contrabaixo (um MusicMan de 6 cordas) de John Myung se sobressaiu nas excelentes caixas sonoras. Houve também a interação de John Petrucci com a platéia, acompanhado pela força do baterista Mike Portnoy e a atmosfera única do teclado de Jordan Rudess. Somadas à voz de James LaBrie, que usou poucos recursos de falsete e mostrou um vigor como vocalista e frontman.

Depois de abrirem com uma música nova, o grupo voltou para o álbum anterior, “Octavarium” de 2005, tocando a pesada "Never Enough" que injetou mais empolgação nos animados espectadores. Naquele momento, um dos exaltados fãs da pista jogou um exemplar da revista Playboy no palco, mas sem hostilizar ninguém da banda. Visivelmente agradecidos com a reação do público ao repertório, seguiram com a épica "Blind Faith", do álbum “Six Degrees Of Inner Turbulence” de 2002 – embora Myung permanecesse com seu típico comportamento anti-social, diferente dos outros integrantes.

Era perceptível o transe do público com a música cuidadosamente tocada. A sensibilidade com que a banda interpretou as músicas anteriores, foi estendida a “Surrounded 07”, de “Images and Words” de 1992, música que mistura a original "Surrounded" às faixas "Sugar Mice", da banda de rock progressivo Marillion, e "Mother" do Pink Floyd.

"The Dark Eternal Night" representou a parte sombria do novo álbum, carregada com os solos de guitarra de John Petrucci e a performance memorável do baterista Portnoy, acompanhando James LaBrie no vocal. E juntamente com a faixa foi apresentado um curta-metragem com os integrantes da banda transformados em desenho animado, chamado "North America Dream Team", no qual aparecem combatendo as formigas da capa de “Systematic Chaos”.

A instrumental "Erotomania", do álbum “Awake” de 1994, levou o público ao êxtase com a qualidade técnica do conjunto. "Voices" do mesmo CD pegou de surpresa todo o público por não ter sido tocada em sets recentes nos outros países que a turnê visitou; foi marcante graças à voz bem trabalhada no tom agudo e seu trabalho musical, principalmente os efeitos da guitarra de Petrucci.

"Forsaken", a balada de “Systematic Chaos”, também foi tocada,. Embora não seja uma música tão aclamada pelo público mais crítico do Dream Theater, foi cantada em uníssono pela platéia com seu clipe no telão. "Take the Time" causou ainda mais surpresa por retomar músicas da época do “Images and Words”, tido por alguns como o ápice da banda. Jordan Rudess, tecladista famoso por usar apenas um teclado com várias potências, se aventurou em um teclado móvel nessa música. Rudess se juntou ao guitarrista Petrucci e ambos tocaram no centro do palco, em uma espécie de duelo.

No último bloco foram tocadas as canções mais épicas do novo CD – as duas partes de "In the Presence of Enemies", sem interrupções. É importante destacar que nessa parte, o feeling entre os músicos e o público estava sincronizado, porém, infelizmente, para um pouco de descontentamento de parcela da platéia, houve um pequeno descompasso de tempo na execução da banda, quase imperceptível. Mesmo com esse imprevisto, os fãs vibraram como se fosse a mais perfeita exibição deles.

Encerrada essa parte, a banda fez um pequeno intervalo de 15 minutos. Mike Portnoy, o baterista, entrou vestido com uma camiseta da seleção brasileira e disposto a tocar mais tempo. Na retomada, outra falha técnica ocorreu – o telão deixou de funcionar para o azar do público que assistia do fundo.

Mesmo assim, executaram sua medley (mescla) de músicas, composta por "Trial of Tears" de "Falling into Infinity" de 1997, a pequena "Finally Free" de "Metrópolis pt.2: Scenes From a Memory" de 1999, "Learning to Live" de "Images and Words" de 1992, "In the Name of God" do álbum "Train of Thought" de 2003 e, por fim, um trecho chamado "Razor´s Edge" da música "Octavarium". O que há de comum entre essas músicas, além das mudanças drásticas de suas sonoridades, é que elas são faixas de encerramento dos álbuns a que pertencem.

Com o espétaculo e essas músicas, o Dream Theater consolida sua nova forma de fazer turnês: shows mais curtos, com menos de duas horas e meia, além de uma banda de abertura escolhida no local. Um grande destaque dessa apresentação, além do grupo reunido, foi o trabalho da equipe de iluminação que caprichou na execução, sempre transformando a atmosfera do palco ao redor dos músicos.

Demonstraram, além de inovações e presença de palco, um compromisso com o público que aguardou durante todo o sábado. Por tocar um som tipicamente progressivo, que requer observação, o público de outros países prefere assistir sentado. No Brasil, os espectadores além de pular, parecem estabelecer uma conexão sensorial com a banda, expressa na satisfação de cada um de seus integrantes.

A fala de Mike Portnoy ao final da medley e da apresentação traduz esse sentimento: “Obri-fucking-gado”.

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Sobre Pedro Zambarda de Araújo

Nascido em 1989. Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo, Pedro foi apresentado ao heavy metal através da banda Blind Guardian, em meados de 2004. Ouve e aprecia outros estilos do rock, como o punk, o indie e vertentes mais variadas. Gosta de assistir e cobrir shows.Toca muito mal guitarra, mas aprecia vários tipos de instrumentos musicais.

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