O álbum do Rush que Geddy Lee admitiu que eles jamais tocariam ao vivo
Por Bruce William
Postado em 09 de março de 2025
O Rush sempre foi uma banda que se desafiava musicalmente. Desde os primeiros álbuns, o trio canadense buscava expandir os limites do rock progressivo, criando composições elaboradas e estruturas pouco convencionais. Entre sintetizadores, passagens instrumentais complexas e letras conceituais, cada disco representava um novo passo em sua evolução. Mas, em meio a essa busca por superação, houve um álbum que os próprios músicos consideraram praticamente impossível de executar ao vivo: "Hemispheres" (1978).
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Gravado em Londres, "Hemispheres" foi um dos trabalhos mais ambiciosos da banda. Com apenas quatro faixas e um conceito que continuava a história iniciada em "A Farewell to Kings", o disco exigiu um nível técnico extremo dos músicos. "Nós subestimamos grotescamente nosso tempo para esse projeto [risos]. Acho que nós subestimamos muito o nível de superação que almejávamos", admitiu Geddy Lee. A banda tentou gravar tudo ao vivo no estúdio, o que demandava precisão absoluta. "Aquilo significava que teríamos que ser precisos pra cralho [risos]", completou.
A complexidade não era apenas instrumental. As composições longas e a ausência de singles fizeram com que o próprio Geddy Lee duvidasse da recepção do público. "Eu absolutamente não tinha a menor ideia de como as pessoas reagiriam. Pensei que achariam esquisito demais. Não fazíamos ideia. Eu sabia que dificilmente tocaria no rádio, aquelas músicas eram muito longas, mas você não pode esquentar com essas coisas quando está gravando", disse o baixista.
Os desafios não pararam por aí. Como a banda compôs o álbum sem tocar as músicas com vocal ao vivo, um problema inesperado surgiu apenas na hora da gravação. "Nós escrevemos aquilo tudo numa casa, e não estávamos tocando nada daquilo ao vivo, com vocal. Acontecia, na correria, de eu pensar: 'Tá, tá, vai ter um vocal aqui. Vai dar certo. Essa melodia vai funcionar'. Apenas presumimos que, quando gravássemos as faixas e fizéssemos os vocais, aquilo encaixaria. Foi só quando gravei de fato os vocais, semanas e semanas depois em Londres, no Admission Studios, que fui perceber que compusemos o disco todo em um tom desconfortável para mim. Ficou muito difícil de cantar", revelou.
Apesar de ser um dos álbuns mais cultuados pelos fãs, Geddy Lee nunca considerou a possibilidade de tocá-lo na íntegra: "Se estivéssemos realmente fora de nossas mentes, talvez tentássemos algo como 'Hemispheres'. Se o Rush tem um público cult, dentro desse público cult, há um grupo que adora 'Hemispheres'. Mas não sei se estaríamos dispostos a isso", afirmou, em fala resgatada pela Far Out.
Com músicas longas e tecnicamente desafiadoras, o álbum exigiria um esforço gigantesco para ser reproduzido ao vivo. A banda nunca se limitou no palco, mas também sabia quando não valia a pena se exaurir. Se "Hemispheres" jamais encontrou espaço em um setlist completo, pelo menos suas versões de estúdio seguem como um testemunho do auge criativo e técnico do Rush.
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