Quando o AC/DC deixou de ser uma empresa familiar e passou a ser uma mega-corporação
Por Bruce William
Postado em 09 de março de 2025
O AC/DC sempre foi uma banda que fez um rock'n'roll direto no ponto e sem firulas. Entre 1975 e 1979 lançaram seis álbuns de estúdio que consolidaram seu talento e força no cenário musical. No entanto, a banda não cresceu apenas pelo trabalho duro, houve também uma pressão externa vinda da gravadora, que queria transformar o grupo em algo ainda maior.
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Nos primeiros anos, o AC/DC trabalhava com uma equipe de confiança na produção de seus álbuns. Os irmãos Malcolm e Angus Young contavam com George Young, o irmão mais velho da dupla, e Harry Vanda no comando dos discos, algo que contribuía para que eles sempre gravassem na Austrália. Mas essa parceria foi interrompida antes do lançamento de "Highway to Hell" (1979). Segundo Malcolm Young, a decisão não partiu deles, mas sim da gravadora.
"Basicamente, a Atlantic, nossa gravadora nos Estados Unidos, disse: 'Vamos cortar vocês a menos que consigam outro produtor'. Estávamos vendendo algumas centenas de milhares de cópias a cada lançamento, mas eles queriam algo maior e melhor", revelou em entrevista à Guitar World em 2003, resgatada pela Far Out.
A mudança foi decisiva. No lugar de George e Vanda, o AC/DC recrutou Robert John "Mutt" Lange, produtor experiente que ajudaria a lapidar seu som para um público ainda maior. Apesar da troca, não houve ressentimentos na família. Segundo Angus Young, os próprios Vanda e George Young encorajaram a mudança: "Você nunca sabe, pode ter alguém lá fora que tenha algo diferente para oferecer a vocês", teria dito George. Angus brincou com a situação: "Acho que foi um pouco como acontece com os pássaros: você é chutado para fora e precisa aprender a voar sozinho."
A aposta deu certo. O AC/DC deixou de ser apenas um grupo de irmãos e amigos tocando juntos para se tornar uma das maiores instituições do rock. O espírito irreverente permaneceu, mas, a partir dali, o objetivo era claro: conquistar o mundo. "Highway to Hell" se tornou o álbum mais bem-sucedido da banda até então, abrindo portas para o que viria a seguir. Poucos meses depois, Bon Scott faleceu, mas o AC/DC seguiu em frente com "Back in Black" (1980), um dos discos mais vendidos da história. Se George e Vanda tivessem continuado na produção, talvez a banda nunca tivesse alcançado esse nível.
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