“Será que desta vez vai?” Qual fã que esteve presente no show da Edguy da última sexta-feira não pensou, ao menos por um instante, nesta pergunta? Afinal, antes de a banda desembarcar no Credicard Hall para gravar o seu primeiro DVD, outras chances de ter estreado um registro ao vivo (em vídeo) ocorreram. A principal delas foi na mesma capital paulista, há dois anos, mas problemas com as câmeras deram aos brasileiros apenas a oportunidade de assistir a algumas das músicas executadas naquele show no DVD de promoção da música “Superheroes”.
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Como era de se esperar, desde o começo os alemães mostraram a usual energia e uma presença de palco marcante, comandados por Tobbias Sammet, que a todo momento corre de lado a lado e nas plataformas montadas ao lado da bateria. Mas não é só o líder que manda bem. Se todos são bons instrumentistas, não decepcionam na função de entreter a platéia. E isso com direito a headbangings (poucos, afinal não é um show de “metal pesado”), muita interação, principalmente entre o guitarrista Jens Ludwig, responsável por quase todos os solos, e o sorridente baixista Tobbias Exxel, além de dancinhas nada másculas. Mas Dirk Sauer (guitarra base) e o batera Felix Bohnke não são menos simpáticos.
O destaque, no entanto, não pode deixar de ser Tobbias Sammet. Além de comandar a banda em todos os sentidos, o frontman dá um show de carisma em suas performances. Sempre conversa com o público, faz as suas piadas (algumas sem graça, mas em alguns momentos, felizmente, ele esquece esse lado quase “Massacration” de ser) e ainda dá seus saltos à la David Lee Roth em “Jump”. Em resumo, o Edguy tem nos shows uma chave para o seu sucesso, já que prende a atenção do público do começo ao fim.
Voltando a “Catch of the Century”, a nova música funcionou bem ao vivo, com a ajuda da boa qualidade no som, que se manteve bem equilibrado entre os instrumentos durante todo o show (não são todas as vezes que se pode ter o privilégio de ouvir o som do baixo...). Logo após, mais uma do novo álbum, “Sacrifice”, que também agradou aos presentes.
Um probleminha com a gravação do DVD não poderia demorar a acontecer. Tobbias se dirigiu aos fãs, após essas músicas, para dar duas notícias. A boa de que o show seria longo (na verdade não chegou a durar duas horas), a ruim que um problema nas câmeras (mais uma vez!) faria com que tivessem que começar tudo de novo. O público, é claro, não reclamou do “bônus” recebido.
Vale a pena ressaltar que, em termos de público a tentativa anterior de fazer o registro do DVD seria bem mais feliz. Não que os presentes, que nem chegaram a lotar a casa de espetáculos (talvez por ser uma emenda de feriado), não estivessem animados. Pelo contrário, sobraram coelhinhos, calças malhadas e chapéus de cowboy, mas nada próximo às 10 mil pessoas que lotaram o festival “Rock the Planet” e curtiram, além do próprio Edguy, Shaman e Kotipelto, entre outros. E mais, se o único cenário desta vez foi um pano de fundo, há dois anos os alemães apostaram numa estrutura de palco mais elaborada e Tobbias até desceu do teto, literalmente. Mesmo assim, a brasileirada fez a sua parte e honrará a fama do país neste (possível?!) DVD. Como o próprio vocalista disse, “o Brasil merece palco para a gravação de todos os DVDs do mundo”. Se ele disse...
Após a pausa e a retomada das duas primeiras músicas o show seguiu em sua normalidade com “Babylon”, segundo Sammet, a melhor música do mundo e, de fato, uma das melhores do conjunto, e a divertidíssima “Lavatory Love Machine”, inspirada no Brasil e que não poderia ficar de fora. Continuando com as antigas, apresentaram “Vain Glory Opera” e a balada “Land of the Miracle” que prova que, se os corais poderiam ser uma preocupação ao vivo, os músicos (com a exceção do batera Felix, único que não canta) dão conta do recado. E ainda mais nesta música, do Theatre of Tragedy, que possui um belo jogo de vozes. Outra “balada” foi a nova “Fucking with Fire”, dedicada a um membro da equipe de apoio, que teve o seu coração partido.
Foi a vez, então, do baterista Felix Bohnke mostrar as suas habilidades com as baquetas. Ele apresentou uma boa técnica, mas, como é comum, exagerou na dose quanto ao tempo. O destaque ficou pelo tema do Star Wars. Impossível ouvir o batera acompanhar a trilha do filme e não soltar uma gargalhada. Continuando com a divulgação do seu sétimo álbum, tocaram “Superheroes”, a faixa de trabalho, com direito a Dirk Sauer com orelhas de coelho e a balada “Save Me”, ambas mais distantes do melódico e chegadas no “hard rock”, novidade em Rocket Ride.
Chegando ao fim, tocaram o clássico “Tears of a Mandrake” e a faixa de abertura do excelente Hellfire Club, “Mysteria”, com direito ao próprio Tobbias Sammet executando a introdução na guitarra. Essa composição, aliás, mostra porque os alemães se mostram o nome mais forte do metal melódico hoje em dia. Pesada, cheia de bumbos duplos e com uma melodia marcante, já despontou como clássico e não deverá estar de fora do set list nas próximas turnês.
Para o primeiro bis, a obrigatória “Avantasia”, do genial projeto homônimo de Sammet e “King of Fools”, também do penúltimo CD dos alemães. Para anunciar esta, a banda lembrou dos “fool” (idiotas) de todos os lugares do mundo (nada mais apropriado após as eleições deste ano) e que, ao contrário de tudo isso, o metal tem muita qualidade.
Mais uma saidinha e, para encerrar de vez a noite, o fechamento tradicional com “Out of Control”. Saldo positivo para quem não aproveitou o feriado para viajar. Para a banda também, descontando os fatos de o local não estar lotado e, comparando com a tentativa anterior, produzirem um registro ao vivo que não terá mais que um show comum (claro que sem contar os possíveis extras). Depois de ouvirem a épica “The Spirit Will Remain” nas caixas de som, enquanto os músicos se despediam, restaram apenas duas coisas aos fãs da banda: aguardar a banda bater cartão por aqui na próxima turnê e este tão esperado DVD. E aí, será que desta vez vai?
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Nascido em 1986, é mais um "maidenmaníaco". Iniciou-se no metal ao som da chuva e dos sinos de "Black Sabbath", aos 11 anos, em Jundiaí/SP. Hoje morando em São Paulo, formou-se em jornalismo pela PUC e é repórter de esportes, sem deixar de lado o amor pela música (e tentando fazer dela um segundo emprego!). Desde meados de 2007, também colabora para a Roadie Crew. Tratando-se do duo rock/metal, é eclético, ouvindo do hard rock ao metal mais extremo: Maiden, Sabbath, Kiss, Bon Jovi, Sepultura, Dimmu Borgir, Megadeth, Slayer e muitas, muitas outras. E é de um quarteto básico que espera viver: jornalismo, esporte, música e amor (da eterna namorada Carol).
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