A primeira música que o Queen tocou quatro anos antes de transformá-la em clássico
Por Bruce William
Postado em 06 de junho de 2026
Antes de "Bohemian Rhapsody", "We Will Rock You" e "Somebody to Love", o Queen já tinha uma música que parecia carregar um pedaço do seu futuro. "Stone Cold Crazy" nasceu antes de a banda se consolidar em estúdio e, segundo relatos sobre o primeiro show do grupo, foi a primeira canção tocada naquela estreia ao vivo em Truro, na Inglaterra.
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A apresentação aconteceu em 27 de junho de 1970, no Truro City Hall, em um evento beneficente da Cruz Vermelha Britânica. A banda ainda aparecia em alguns registros como Smile, nome do grupo anterior de Brian May e Roger Taylor, mas Freddie Mercury já estava no vocal, ainda usando o nome Fred Bulsara, e Mike Grose tocava baixo. A lista conhecida do show levantada pela Queenlive aponta "Stone Cold Crazy" como a faixa de abertura, seguida por "Son and Daughter".
A música, porém, ainda não era a pedrada que apareceria anos depois. Brian May explicou para a Louder que "Stone Cold Crazy" era uma das ideias frenéticas de Freddie, mas que a versão original era bem mais lenta. A canção foi sendo reformulada até chegar ao formato registrado em "Sheer Heart Attack", terceiro álbum do Queen, lançado em 1974.
Esse caminho ajuda a entender por que a faixa soa tão diferente de boa parte do repertório mais conhecido da banda. "Stone Cold Crazy" é curta, acelerada, cheia de frases quase atropeladas e com um riff que entra como se a música já estivesse correndo antes de o ouvinte apertar o play. Não tem o acabamento grandioso de outros momentos do Queen, mas tem urgência, deboche e uma violência controlada que apontava para outro tipo de energia.
O crédito final da composição também chama atenção. "Stone Cold Crazy" é uma das raras músicas antigas do Queen assinadas pelos quatro integrantes: Freddie Mercury, Brian May, Roger Taylor e John Deacon. Isso combina com a própria história da faixa, que nasceu antes da formação clássica estar totalmente definida, mas só chegou ao disco depois de passar pelo filtro coletivo da banda.
Com o tempo, a música ganhou uma reputação maior do que seu tamanho sugeria, pontua a Far Out. Muita gente passou a tratá-la como uma espécie de antecedente do speed metal e do thrash metal, justamente pela velocidade, pelo riff seco e pela forma como Freddie despeja as palavras. O próprio Brian May já comentou a ideia de que a faixa poderia ter ajudado a abrir esse caminho, embora o Queen estivesse apenas seguindo sua própria mistura de hard rock, teatralidade e instinto.
O caso mais famoso dessa herança veio com o Metallica, que gravou "Stone Cold Crazy" em 1990 para a coletânea Rubáiyát: Elektra's 40th Anniversary. A versão depois entrou em lançamentos da banda e ajudou a apresentar a música a outro público, mais ligado ao metal. Não por acaso, ela soa natural nas mãos do Metallica: a estrutura já tinha agressividade suficiente para atravessar essa ponte sem precisar de grande cirurgia.
O Queen demorou quatro anos para colocar "Stone Cold Crazy" em disco, mas talvez esse atraso tenha sido parte da graça. A música saiu do repertório bruto dos primeiros shows, mudou de forma e acabou virando uma das faixas mais explosivas de Sheer Heart Attack. Para uma banda que depois seria lembrada por grandes produções e arranjos elaborados, não deixa de ser interessante que uma de suas primeiras marcas ao vivo tenha sido uma pancada curta, nervosa e quase punk antes da hora.
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