Na 4ª edição, C6 Fest se destaca por seus artistas excêntricos
Resenha - C6 Fest (Parque Ibirapuera, São Paulo, 21 a 24/05/2026)
Por Bianca Matz
Postado em 28 de maio de 2026
O C6 Fest retorna pela quarta vez consecutiva, oferecido pelo C6 Bank, novamente no Parque Ibirapuera em São Paulo, durante os dias 21, 22, 23 e 24 de maio. Com o intuito de disseminar grandes nomes da música nacional e internacional, focando em um clima mais intimista, com gêneros como o rock, jazz, indie, soul e outros mais.

Durante o sábado (23), apesar do clima chuvoso e frio, um número considerável de fãs reuniram-se na Tenda MetLife, um dos palcos do festival, para curtirem o som do trio estadunidense Horsegirl (Não confundam com a DJ horsegiirL que apresentou-se no Lollapalooza 2025).
O grupo composto por Penelope Lowestein, Nora Cheng e Gigi Reece destaca-se por sua sonoridade noventista, trazendo um pouco de nostalgia aos fãs. "Where'd you Go?" e "Switch Over" são clássicos que não poderiam faltar no setlist, sendo canções responsáveis pelo sucesso da banda.
O som do trio não é o tipo de show que te obriga a lutar pela grade, pois faz parte de outro tipo de vibe, algo mais puxado ao "dois para lá e dois para cá", do que necessariamente pular ou dançar algo coreografado. Porém, não podemos esquecer de lembrar que as garotas possuem um som limpo e moderno.
Aqui, não é questão de presença de palco, é sobre a essência "confortável" que conseguem transmitir. Elas não são vulgares ou espalhafatosas, apenas um som simples. A vocalista Penelope arrisca um "muito obrigada", em português; seguido de repetir a mesma fala em inglês, fazendo os fãs gritarem animados.
A iluminação é simples, mas não há motivo para ser tão chamativo com intuito de chamar atenção mais do que o trio. "Anti-glory", "Rock City" e "2468" também não ficam de fora e entram no repertório que soa exatamente como se estivéssemos ouvindo o trio via Spotify. Ao todo, o show acaba tornando-se algo tão tímido, que não teria outra oportunidade que combinasse mais como o C6 Fest, que foca no intimista.
Havia anoitecido quando Ellie Rowsell, vocalista do Wolf Alice, abriu o repertório com "Bloom Baby Bloom", fazendo todos os fãs vibrarem após um leve atraso do horário combinado na programação. O público era misto em relação à faixa etária, a maioria com taças de vinho nas mãos.
A montagem do palco traz referências do último álbum The Clearing, assim como as canções "White Horses" e "Just Two Girls", trazidas ao setlist. Semelhante aos anos 70, beirando o brega e o cafona, os integrantes trajavam roupas simples, enquanto o fundo era carregado de cortinas de franjas cintilantes formando um desenho de uma estrela.
"Leaning Against the Wall", "How Can I Make It Ok?" e "The Sofa" integram-se ao setlist e a iluminação torna-se vermelha, em alguns trechos, focando na vocalista, enquanto o resto do palco permanece escuro, trazendo dramaticidade. E o que tem um tom ora Soul, ora lírico, passa a parecer uma cena de "Carrie, a Estranha", de 1975.
Mas esse efeito na iluminação não acontece apenas com a vocalista, mas também com os outros integrantes, que quando cantam algum verso ou possuem uma participação na música, há um feixe de luz sobre ele e os outros membros da banda ficam na penumbra.
Apesar de não ser uma banda totalmente voltada ao rock, possui alguns solos que fazem o público gritar. Rowsell agradeceu diversas vezes aos fãs em português e demonstrou ficar emocionada, em meio às risadas, ao ver que o público brasileiro sabia cantar todas as canções com muito carinho.
"Isso é inacreditável, depois de tantos anos, finalmente, estamos no Brasil", exclama Joff Oddie, guitarrista da banda. "Play the Greatest Hits", "Lipstick on the Glass" e "Don't Delete the Kisses" foram escolhidas para fechar o setlist, que deixaram os fãs satisfeitos após realizarem o sonho de verem a banda pessoalmente.
Para as pessoas que estavam de passagem e não estão acostumados em como o Matt Berninger, saibam que ele ama interagir com todos em volta, de todas as formas possíveis, podendo tornar-se único pela sua forma de performar.
"Está frio aqui!", anunciou Berninger ao subir ao palco, pois não bastava o tempo chuvoso, mas estava um vento frio cortante, de arrepiar a espinha, pelo Parque Ibirapuera. E logo em "No Love", na primeira canção, Matt desce os caixotes chegando próximo aos fotógrafos no pit e, em seguida, desce mais um degrau para interagir com os fãs, abraçando e cumprimentando, sem interromper a canção.
"Frozen Oranges" e "Breaking Into Acting" perdura o sentimentalismo, em que Matt ao cantar os versos, ele gesticula cada palavra, ele transforma tudo que canta em uma forma do público visualizar o que ele realmente quer transmitir. Ele se abraça embaixo da iluminação lilás e sente tudo com muito peso.
É possível saber separar os projetos, mas é notável muitas influências e a mesma egrégora que se forma ao ouvir o trabalho solo de Matt. "Distant Axis", "Martini Me Fatso" e "Walking on a String" ressoam como The National em questão de letra, complexidade de palavras e sonoridade.
E como se não bastasse, Matt retira de seu blazer uma gaita para performar durante as canções. Ele dança, escora-se e pendura-se no pedestal do microfone como possui o hábito de fazer em suas performances. "Invisible Jerk", "Nowhere Special" e "Inland Ocean" estiveram presentes no setlist e o vocalista, no intervalo de cada canção, agradece em português e aproveita para relembrar a última vez que esteve no Brasil.
Em suas últimas apresentações, é um clássico "Blue Monday", originalmente do New Order; e "Gospel", originalmente do The National; estarem na reta final do show. Porém, este não foi o grande destaque, e sim, quando ele chamou um integrante do The National e do Beirut (que irá apresentar-se no domingo, 24) para auxiliarem no backing vocal de "Terrible Love", também do The National.
E, mais uma vez, Matt não apenas desceu do palco como no início do show, como também, ele foi até a grade, pulou e continuou cantando entre os fãs, que o cumprimentavam, tiravam foto e se emocionavam. Começaram a fazer "trenzinho" atrás do vocalista que se afastava cada vez mais do palco, concluindo a canção fazendo uma maratona, realmente correndo com o microfone, uma cena cômica.
Nem a equipe de audiovisual alcançava o vocalista para transmiti-lo nos telões, apenas desistiram e focaram nos integrantes convidados de outras bandas, que continuavam cantando como se nada estivesse acontecendo de surpreendente.
O último show da noite estava nas mãos do The xx, realizado na Arena Heineken, um dos palcos principais do festival, esperava um dos maiores nomes do gênero indie. Era praticamente impossível realocar este nome para um ambiente menor, por conta da sua fama e memória afetiva dentro da geração Z, que cresceu ouvindo e vendo referências em redes sociais como o Tumblr.
Mantendo a estética monocromática, assim como a capa dos seus álbuns, o grupo sobe ao palco e são iluminados apenas com luz branca, com um pouco de efeito de fumaça, mas sempre mantendo as vestimentas pretas. A primeira tomada de canções iniciou-se de forma triunfante, carregado de clássicos como "Crystalised", "Say Something Loving", "Islands" e "Angels".
A energia que emana da banda se completa, eles cantam, tocam e o público consegue se conectar imediatamente, entrando todos na mesma vibe. As nuances do som indie com sonoridade eletrônica transformam o ambiente em uma verdadeira balada, em que todos dançam em seus lugares, muitos de olhos fechados, curtindo o momento ao som de "Night Time", "Sunset" e "Fiction", que entram em sequência no setlist.
"Tudo bem, São Paulo? Bora, bora!", exclama Oliver Sim, vocalista e baixista da banda; dando início nas canções "Shelter", "Infinity" e "VCR", em que nessa última, traz um instante calmo, todos sussurrando os versos junto à Romy Croft, vocalista; que parece claramente feliz pelo público cantar junto com tom ameno e convidativo.
Os dois vocalistas são transmitidos na projeção acima do palco externo do Parque do Ibirapuera, também em preto e branco, e é notável a expressão de felicidade dos integrantes por estarem presenteando os brasileiros com um show tão emocionante.
"Faz oito anos que tocamos como uma banda. 'Saudade, Brasil'! Ficamos muito feliz com esse momento!", Oliver comenta novamente. Após a breve conversa, o show ficou focado em trazer cover das canções de ambos em suas carreiras solo, como "I'll Take Care of U", "Enjoy Your Life" e "GMT".
Porém, como desfecho, eles retornaram às outras canções do grupo e até concluíram de forma cômica, por optarem em escolher "I Dare You" e, por fim "Intro", uma canção que para quem assiste, espera que seja o início de tudo. The xx concluiu o primeiro dia do C6 Fest com maestria, classe e nostálgico, transformando o show em capítulos, como se fosse uma verdadeira tour desde o início da banda.
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