A música que abre um álbum do Pink Floyd e David Gilmour acredita que define a banda
Por Bruce William
Postado em 10 de junho de 2026
David Gilmour nunca pareceu ter muita paciência para enfeitar o passado do Pink Floyd quando achava que algo não funcionava. Ele podia falar com carinho de certas fases, mas também era capaz de desmontar discos da própria banda sem cerimônia. "Atom Heart Mother", lançado em 1970, é um dos exemplos mais famosos. Anos depois, o guitarrista diria que a ideia era boa, mas que o resultado havia sido "horrível", chegando a chamar o álbum de um dos pontos mais baixos do grupo.
Pink Floyd - Mais Novidades
Essa franqueza ajuda a entender por que seus elogios a "Meddle", lançado em 1971, têm outro peso. O disco não é apenas mais uma etapa entre o Pink Floyd psicodélico dos anos 1960 e a máquina conceitual que dominaria a década seguinte. Para Gilmour, ali a banda começava a descobrir, de forma mais clara, o que queria ser. Ainda havia experimentação, mas ela já parecia menos dispersa e mais ligada a uma identidade própria.
A faixa mais lembrada desse processo costuma ser "Echoes", que ocupava todo o lado B do vinil original. É uma composição longa, atmosférica, cheia de mudanças, ruídos, espaços e construções lentas. Não por acaso, Gilmour a tratou como a grande obra do álbum. Era ali que o Pink Floyd parecia juntar ambição, paciência e clima de um jeito que apontava para os discos enormes que viriam depois.
Mas o próprio Gilmour também destacava outra música de "Meddle": "One of These Days". A faixa abre o disco com uma linha de baixo insistente, tocada em camadas por Roger Waters e pelo próprio Gilmour, e cresce em torno de uma tensão quase mecânica. Há pouquíssima letra. A única frase, dita por Nick Mason com a voz tratada, virou uma das ameaças mais estranhas do catálogo da banda: "Um dia desses, vou cortar você em pedacinhos."
Em entrevista à Guitar World em 1993, Gilmour explicou a importância das duas faixas dentro daquele momento do Pink Floyd. "'Echoes' é a obra-prima do álbum - aquela em que todos nós estávamos descobrindo o que era o Pink Floyd. 'One of These Days' é uma pequena peça subsidiária que saiu do trabalho em 'Echoes'. Eu sempre a amei. É seminal, suponho, sim. Muito mais curta, de qualquer forma - melhor para tocar no rádio. 'Meddle' é realmente o álbum em que nós quatro estávamos encontrando nosso caminho - a forma como queríamos que o Pink Floyd fosse. Muito mais do que em 'Ummagumma' ou 'Atom Heart Mother'."
A palavra "seminal" faz sentido porque "One of These Days" não precisa explicar nada, teoriza a Far Out. Ela funciona quase como um esqueleto do Pink Floyd setentista: repetição hipnótica, clima sombrio, dinâmica crescente, uso de estúdio e a sensação de que a música está mais preocupada em criar ambiente do que em seguir uma estrutura comum de rock. Não tem a grandeza de "Echoes", mas entrega em poucos minutos uma parte importante da linguagem que a banda desenvolveria depois.
Também é curioso que a música seja tão física. Enquanto muita gente associa o Pink Floyd a viagens longas, conceitos elaborados e letras carregadas de simbolismo, "One of These Days" é quase um golpe de baixo, bateria e textura. Ela entra pelo corpo antes de entrar pela interpretação. Talvez por isso tenha funcionado tão bem ao vivo, onde a banda podia esticar a tensão e transformar uma ideia relativamente simples em uma parede de som.
Depois de "Meddle", o Pink Floyd chegaria a "The Dark Side of the Moon", "Wish You Were Here" e "Animals", discos em que aquela busca por identidade ganharia proporções muito maiores. Mas Gilmour via em 1971 um momento essencial de encaixe. A banda ainda não estava no auge comercial e conceitual, mas já começava a soar menos como um grupo procurando caminhos e mais como uma entidade com voz própria.
"One of These Days" talvez não seja a primeira música lembrada quando alguém tenta resumir o Pink Floyd. Mesmo assim, o carinho de Gilmour por ela diz bastante. Algumas faixas não definem uma banda por serem as mais famosas ou as mais ambiciosas, mas por mostrarem o instante em que algo começa a se formar. Em "Meddle", o Pink Floyd ainda olhava para frente sem saber exatamente até onde chegaria. A música já dava uma pista.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Gravação de ensaio do Guns N' Roses em 1986 vaza online
A limitação do Slayer e Exodus que James Hetfield não quis seguir no Metallica
Vocalista do Godsmack defende opção por Mike Mangini como novo baterista
5 clássicos do rock cujas letras envelheceram mal
O pior disco do Scorpions, segundo a Classic Rock
A melhor música do Rainbow de todos os tempos, segundo Ritchie Blackmore
Saxon anuncia título do novo álbum, que sai em janeiro de 2027
A única banda de metal que Paulo Ricardo realmente curte: "Muito bons músicos"
Mantas e Abaddon não descartam novas músicas após shows de reunião
70000 Tons of Metal anuncia primeiras atrações para viagem de 2027
A música do Pink Floyd que David Gilmour adora, mas se recusa a tocar
Rolling Stones igualam marca histórica dos Beatles com "Foreign Tongues"
Wolf Hoffmann admite não ter tanto orgulho de discos do Accept nos anos 1990
Rush deve ser a próxima banda a confirmar temporada no The Sphere
4 bandas clássicas da Irlanda que todo fã de rock precisa conhecer

A maior banda de rock de todos os tempos para o jornalista Leandro Demori
O disco que Roger Waters diz ter acabado com o Pink Floyd de uma vez por todas
A lição que o rock progressivo dos anos 1970 ensinou ao Mastodon, segundo Brann Dailor
Jim Root explica semelhança do novo álbum do Slipknot com Pink Floyd
A música do Pink Floyd que David Gilmour achou que tivesse copiado de alguém sem querer
O baterista que para Roger Waters só seria igualado por Keith Moon
As maiores mentiras que muita gente ainda conta sobre o rock progressivo
O guitarrista que, para David Gilmour, restaurou algo que estava perdido no rock
O grupo feminino que Roger Waters despreza por considerar o fundo do poço do gosto musical
Levou anos, mas Hendrix sacou qual era a do Pink Floyd e ensinou como ouvi-la


