A separação dos Beatles segundo a visão de Ringo Starr
Por André Garcia
Postado em 24 de novembro de 2022
Em 1970, os Beatles finalizavam seu processo de separação quando o lançamento de "Let It Be" conflitou com o do primeiro disco solo de Paul McCartney. Ringo Starr foi o escolhido para fazer o baixista mudar de ideia — e acabou expulso de sua casa. O fato ilustra como a coisa ficou feia entre eles naquele período.
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Em 31 de março de 1981, Ringo e sua esposa Barbara Goldbach deram uma entrevista no quintal de casa para Barbara Waters no programa 20/20. Entre outras coisas, ele falou sobre sua visão para a separação — ou o fim do sonho, como definiu seu colega e amigo John Lennon.
"[O auge dos Beatles] era maravilhoso. Nunca foi [assustador] para mim, era fabuloso! Por que abandonamos as turnês? Entre nós, como músicos (e seres humanos), percebemos que, não importava o show que fizéssemos — bom ou ruim — tínhamos a mesma reação."
Os Beatles começaram a tocar em lugares cada vez maiores em uma época onde aquele tipo de apresentação era sem precedentes, então nem sequer havia amplificadores potentes o bastante para aquilo. Dessa forma, o som que saía dos instrumentos, engolido pelo grito de milhares de jovens histéricas, não era ouvido nem mesmo no palco,
Sobre a separação, ele disse que "cada um tem sua própria ideia do caminho que deseja seguir, mas você não pode fazer isso quando a banda quer fazer outra coisa. Então você tem que seguir seu caminho. Agora, se nós três tocássemos no álbum de John, faríamos o que ele quisesse; se tocássemos no álbum de Paul e de George e meu... teríamos álbuns separados."
Após concordar com a colocação da apresentadora de se tratar de quatro pessoas com uma unidade que não existia mais, ele completou dizendo que "cada um de nós tinha uma ideia muito clara do que queria fazer individualmente. Por isso nos separamos."
Apesar disso, Ringo fez questão de encerrar o assunto deixando claro que jamais deixou de amar os outros três:
"Eu nunca deixei de ser um irmão [para John, Paul e George]. Sempre me senti próximo de cada um deles, por mais que, assim como irmãos, já tivemos desavenças horríveis. Mas nem toda a briga que rolou jamais impediu o amor entre nós."
Beatles
Pioneiro, John Lennon formou o The Quarrymen em 1956 — ano do lançamento do álbum de estreia de Elvis Presley, considerado o marco zero do rock. Paul McCartney se juntou a ele em 58, George Harrison em 59. Depois de trocar de nome várias vezes, em 1960 a banda adotou o definitivo: The Beatles.
Em ascensão então sem precedentes, eles conquistaram Liverpool em 62, a Inglaterra em 63 e os Estados Unidos e o mundo em 64, o ano da beatlemania. Após serem apresentados à maconha por ninguém menos que Bob Dylan, em meados da década o quarteto deu uma guinada em sua carreira, se afastando das canções pop e buscando fazer algo mais maduro.
Ao abandonar os shows ao vivo em 1966 — que, cada vez mais caóticos, chegaram a colocar a vida de seus membros em risco —, os Beatles puderam se dedicar integralmente às gravações. Com álbuns como "Revolver" (1966) e "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" (1967), eles atingiram seu auge criativo abusando de instrumentos exóticos, experimentações sonoras e inovadoras técnicas de gravação. Não é por acaso que o "Sgt. Pepper's…" está entre os álbuns mais vendidos de todos os tempos.
Com o "White Album" (1968), por outro lado, eles já davam sinais de crescerem em direções diferentes, perdendo a unidade e coesão. A partir dali, cada vez mais a banda ficou pequena para os quatro. Insatisfeitos, para poderem fazer o que realmente queriam, tiveram que seguir caminhos separados após a gravação de "Abbey Road" (1969). O "Let It Be" (1970) já foi lançado como um trabalho póstumo.
Apesar de ter encerrado sua trajetória há mais de meio século, os Beatles seguem conquistando a novas gerações, e até hoje permanecem entre os nomes mais populares da música.
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