Mesmo com chuva, Korn preenche o Allianz Parque em apresentação única
Resenha - Korn, Black Pantera, Seven Hours After Violet, Spiritbox (São Paulo, Allianz Parque, 16/05/2026)
Por Bianca Matz
Postado em 25 de maio de 2026
Além do retorno tão esperado, outros grupos aqueceram o público na noite de São Paulo
Fotos: Fernando Yokota
Após um hiato de nove anos, o Korn retornou ao Brasil para uma apresentação no Allianz Parque, no dia 16 de maio de 2026. O grupo, um dos nomes mais conhecidos do gênero nu metal, esgotou seus ingressos e trouxe outras bandas para comporem a programação do dia.
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O Korn agraciou a América Latina com a turnê Requiem Latin America Tour 2026, passando por países como: Bogotá, Lima, Buenos Aires, Assunção e, claro, Brasil. E junto à 30e, como foi visto nas últimas vezes em suas produções, há a presença de outras bandas antes do show principal, como foi adicionado o som do grupo norte-americano Seven Hours After Violet, dos canadenses Spiritbox e dos brasileiros Black Pantera, responsáveis por iniciarem a tomada de shows.
Para quem está habituado a assistir ao show dos mineiros do Black Pantera, é uma apresentação com muita representatividade e com letras críticas, que abordam racismo, política e desigualdade social. E desta vez, não foi diferente.

Desde o início, era notável a felicidade dos integrantes por estarem ali, principalmente, do vocalista Chaene da Gama, que destaca sua camiseta estampada com os integrantes do Korn, revelando que foi comprada no ano de 2006. As canções "Boto para f*der", "Padrão é o cara***"e "Boom!" fizeram parte do início da performance.

Chaene pede para que os fãs se divirtam e deixa claro como seria o momento perfeito para abrirem uma roda de mosh. Com a sequência de "Abre a roda e senta o pé" e "Dreadpool Zero", os movimentos de câmera que são transmitidos nos telões são tão frenéticos quanto a troca de instrumentos e vocal.

O público é motivado pelo vocalista a bater palmas, seguindo o ritmo das canções que se seguem, mas as mulheres ficam mais empolgadas, gritando as letras ou o nome dos integrantes. O repertório é finalizado com "Candeia", "Cola" e o clássico "Fogo nos racistas", que não podia faltar.

A partir da segunda banda, já havia anoitecido, um detalhe que fez total diferença na atmosfera e na forma como a iluminação destaca a banda e, consequentemente, o público. Antes do Seven Hours After Violet (SHAV) subir ao palco, um QR Code era deixado ilustrado em ambos os telões, abrindo a possibilidade dos fãs mandarem vídeos e fotos durante o show. E além dos telões, o palco continha outras telas que traziam a ilustração da turnê da banda, também utilizada nos Estados Unidos.

Os integrantes chegam animados, fazendo sinal de coração com as mãos e acenando, abrindo com "Abandon", "Radiance" e "Alive". Fundado por Shavo Odadjian, baixista do System of a Down, o grupo resgata algumas características, em que o público já está familiarizado com a junção do som agressivo do metalcore e vocais melódicos, de Taylor Barber.

Aparentemente, o público estava mais empolgado do que o show anterior. Muito desse sentimento surge por conta da influência do SOAD, mas não podemos deixar de citar a simpatia cativante do vocalista. Apesar da feição brava, ele usava uma camiseta com o Pokémon Mimikyu e costumava interagir com os fãs sempre que possível, dizendo "Vocês são f*da" ou "Vocês são incríveis para cara***". "Go!", "Float" e "Gloom" entraram no repertório reforçando a presença de palco dos integrantes, em que não ficam na sombra e se destacam por suas letras sobre lutas internas ou pressão social.

Novamente, o público é incentivado a realizar movimentos com as mãos para cima e para baixo, seguindo Barber. Em seguida, as aberturas de rodas surgem em alguns pontos ao fundo. "Paradise", "Glink" e "Sunrise" fazem parte do setlist final, mas destacamos "Graves", sendo uma performance com um toque especial, por ainda não ter sido lançada oficialmente pelo grupo.

Momentos antes dos canadenses do Spiritbox subirem ao palco, toda a arquibancada permanecia iluminada pelas lanternas dos celulares, acenando lentamente até o início do show. Com efeito de fumaça no palco, "Cellar Door" começa e revela a vocalista Courtney LaPlante com sua energia magnetizante, em uma vestimenta totalmente preta com detalhes em amarração e ilhoses, junto ao óculos de grau em armação prateada, transmitindo um ar y2k ao visual.

As imagens do telão são limpas, sem efeitos especiais, o que passa a dramaticidade de forma mais clara ao público. "Black Rainbow" e "Perfect Soul" são performadas uma após a outra. A baixa iluminação que permanece no palco se estende ao público, transformando o ambiente em algo uniforme, com a mesma harmonia.

"Keep Sweet" entra no repertório e é anunciado pela vocalista como uma homenagem aos fãs LGBTIAP+ . Inicialmente, era uma canção direcionada às mulheres, mas com o passar do tempo, foi reinterpretada como uma realidade dentro do âmbito queer, pela necessidade de manter-se doce como uma forma de sobreviver na sociedade.

Como já foi citado anteriormente, além das luzes não serem muito pigmentadas e fortes durante o show, elas utilizam ora de uma paleta fria, como o azul e lilás; ora de um branco, que projeta uma sombra dura na vocalista, beirando o teatral; como vimos em canções como "Jaded", "The Void" e "Hurt You". E este acaba tornando-se um ponto que traz equilíbrio ao ligarmos com a forma de canto de LaPlante que é melódica, mas gutural.

LaPlante anuncia como ela se sente honrada e feliz, assim como os outros integrantes, por estarem participando do evento. O grupo proporcionou um setlist quase com simetria perfeita, pois foi distribuído canções dos álbuns "Eternal Blue", "Tsunami Sea" e "The Fear of Fear" na mesma proporção, com exceção de "Rotoscope", com apenas uma música. Em seu desfecho, foi focado com mais intensidade no álbum de 2021 com "Yellojacket", "Circle with Me" e "Holy Roller" com a partipação de Taylor Barber, do SHAV, sendo dedicado a ele e ao público.

A neblina tomava conta de todo o Allianz Parque antes de começar a performance mais aguardada da noite. A produção do Korn içou um véu por cima do palco para manter o mistério e implementar suspense nos próximos minutos até a banda surgir no palco.

Quando era possível ouvir o início de "Blind", foi revelado todos os integrantes iluminados em tom azulado. Constantemente, os drones faziam o efeito de "zoom in" no vocalista, que estava centralizado no palco, tornando tudo mais eletrizante. "Twisted" e "Here to Stay" fizeram parte do repertório da banda, que fez o público não apenas gritar a todos pulmões, como pular do início ao fim.

O que havia sido comunicado como normas de proteção e segurança, não foi o suficiente, pois durante "Got the Life", um sinalizador foi aceso, revelando um grande feixe de luz vermelha em meio ao mosh. Momentos depois, o fã foi retirado à força do local por uma equipe de bombeiros e seguranças.

O vocalista JD inclina-se, quase se pendurando, em seu pedestal clássico, esculpido em um corpo de mulher prateado, enquanto dá sequência no setlist com "Clown" e "Did My Time". Apesar do JD não mover-se muito no palco, o modo como ele performa possui identidade, tornando-se único.

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Assim como o pedestal é um membro da banda, outros elementos não passam despercebidos aos fãs, como a montagem do palco. Que consegue reunir todo e qualquer tipo de estímulo visual. Além dos telões, haviam pequenas telas em formato de arco acima do palco, bastões de LED e fios iluminados que reforçaram o espetáculo de Korn. "Reward the Scars", "Cold" e "Somebody Someone" foram outros destaques do setlist, que não deixaram o público quieto, mesmo debaixo da chuva.

Vale ressaltar que em muitas canções, o Korn gostava de trazer referências e fragmentos de outras músicas em sua performance, como foi o caso de "Shoots and Ladders", de 1994; com "One", do Metallica; Coming Undone, de 2005; junto ao "Let's Go All the Way", do Sly Fox.

E como todo bom show, que reuniu cerca de 19 canções, de diversos álbuns durante a carreira do Korn, os fãs estavam aguardando, pelo menos, por um bis. "I can't hear you" ("Eu não consigo ouvir vocês", em tradução livre), JD provoca o público diversas vezes, que em resposta, grita mais ainda.

"4 U", "Falling Away From Me", "A.D.I.D.A.S." e "Freak on a Leash" foram responsáveis em concluir a noite impressionante, que iniciou-se com bandas que complementam o som do Korn. Formando horas de puro metal, revivendo os melhores momentos de uma das bandas mais lembradas do gênero.






















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