Bandas impressionam, mas repetem padrão com público no segundo dia do C6 Fest
Resenha - C6 Fest (Parque Ibirapuera, São Paulo, 21 a 24/05/2026)
Por Bianca Matz
Postado em 01 de junho de 2026
O C6 Fest retorna pela quarta vez consecutiva, oferecido pelo C6 Bank, novamente no Parque Ibirapuera em São Paulo, durante os dias 21, 22, 23 e 24 de maio. Com o intuito de disseminar grandes nomes da música nacional e internacional, focando em um clima mais intimista, com gêneros como o rock, jazz, indie, soul e outros mais.

No domingo (24), o dia começou com uma das apresentações mais enigmáticas, cheia de personalidade e estética. O duo Magdalena Bay sobe ao palco e, apesar de ser ainda no período diurno e não ter a possibilidade de projeções no palco externo, os integrantes não precisavam disso.
Todos os membros, inclusive, a banda de apoio; que entraram no palco foram muito carismáticos, acenando para todas as pessoas presentes e dando início ao setlist com "Image", "Secrets (Your Fire)" e "Death & Romance". Mica, a vocalista, pula de um lado ao outro, dançando de forma suave, assim como a sua voz.
As canções que soam de forma sensual, quase um disco, combina como Mica performa. Ela, totalmente trajada de azul royal, usando óculos escuros, domina o palco enquanto o público entra no mesmo ritmo do grupo. "Fear, Sex", "Vampire in the Corner" e "Watching T.V." entram no repertório do dia e o público canta tão suave como a vocalista, nada exagerado, porém, animado.
Um detalhe chama atenção nos fãs que estão próximos da grade: Todos estão com o rosto pintado de azul, da testa até a altura do nariz. E isso passa a ter sentido quando a cantora retira os óculos escuros e revela ter o mesmo estilo de maquiagem, fazendo alusão à personagem alienígena do seu álbum "Imaginal Disk", que entram em uma jornada para tornar a sua melhor versão.
Mica anuncia amar a cidade de São Paulo aos fãs, que vibram em resposta à cantora. Ela saltita como uma fada de ponta a ponta no palco, performando "Feeling DiskInserted?", "Chaeri" e "That's My Floor". E não contente em demonstrar sua unicidade ao se apresentar no C6 Fest, ela ainda toca sua keystar branca com propriedade, fazendo caras e bocas enquanto canta.
Os fãs balançam os braços de um lado ao outro, de forma sincronizada, enquanto outros dançam e cantam as letras. "Cry for Me", "The Ballad of Matt & Mica" e "The Beginning" fecham o set, reforçando o padrão de melodias chicletes, em contraste com musicalidade harmônica e complexa no som presente do duo.
Nos próximos dois shows, houve um padrão de comportamento entre os artistas que já entenderam como o jogo funciona e precisa conquistar o público brasileiro. Basicamente, é o clássico: Jogue no nosso time, seja tão nacionalista como as pessoas que habitam no país. É jogar sujo? Talvez, mas o brasileiro, ama esse tipo de estratégia e o artista consegue conquistá-lo facilmente.
E o Beirut foi exatamente desse jeito. E mais, eles não cancelaram a apresentação dessa vez, vide as outras situações, uma em novembro de 2014; e a outra, em setembro de 2019. Inclusive, muitas pessoas se questionaram no perfil nas redes sociais do próprio C6 Fest, se a banda estava realmente confirmada.
"Hello! Boa noite, boa tarde, nós estamos aqui", exclama Zach Condon em ambos os idiomas, como forma de alfinetar o público que duvidava realmente da presença da banda no festival. Há quem diga que eles são one hit wonder, mas é algo a se questionar por conta de como as pessoas estão alocadas e reagem no espaço do palco Heineken.
"When I Die", "Santa Fe" e "Tuanaki Atoll" estiveram presentes no início do repertório da banda, em que o público parecia disperso. Enquanto escutávamos conversas paralelas, enquanto a banda tocava, apenas o miolo próximo à grade que realmente cantava as letras. Ora ou outra o público se anima, mas o sentimento rapidamente passa, permanecendo uma sensação morna.
"Faz muito tempo que estivemos aqui, faremos o nosso melhor, espero que gostem!", sempre que podia, o vocalista Zach Condon interagia com o público. A sonoridade do Beirut desperta uma memória afetiva, na mesma intensidade que foi ao assistir The xx no dia anterior, é uma verdadeira viagem no tempo.
É bom pela sensação, mas triste, por notarmos como se tornou algo datado. Chegando próximo à metade do show, ouvimos "The Rip Tide", "So Many Plans" e, finalmente, "Elephant Gun".
Basicamente, os espectadores estavam dividimos em: de um lado, fãs que eram hipsters e usavam camisa xadrez por volta de 2012; e do outro, noveleiros que se apagaram à adaptação em formato de minissérie "Capitu", da TV Globo, em 2008.
As projeções são um show à parte, há uma feita exclusivamente para cada canção, diferente do padrão realizado nas apresentações do palco externo, em que apenas transmitem os integrantes das bandas, funcionando como um telão. Outro detalhe observado foi que o grupo além de possuir muitos integrantes, eles estão longe de serem performistas ou dançarinos, mas isso se deve ao fato de que não se enquadra na estética e eles possuem um espírito de orquestra. Ou seja, por muitos tocarem instrumentos de sopro, eles ficam mais estáticos do que se movem no palco.
Dentre os covers escolhidos para o repertório, houve "Serbian Čoček", do A Hawk and a Hacksaw; que traz um estilo de musicalidade popular na região dos Balcãs, originada pelos povos ciganos; que, por sua vez, combina muito com o estilo do Beirut. E também houve "O Leãozinho", do Caetano Veloso.
Lykke Li é uma artista grande, com uma carreira influenciada por elementos da música e do cinema, e por conta desses fatores, a sua apresentação foi dramática e muito bem escolhida ao ser performada na Tenda MetLife. No entanto, foi um espetáculo difícil de assistir pela quantidade massiva de fumaça presente no palco, além dela permanecer boa parte do show no fundo do palco.
A cantora chega encapuzada, totalmente de preto, assim como os integrantes que compõem a banda de apoio, trazendo "hard rain", "I Never Learn" e "No Rest for the Wicked" nos primeiros momentos. Ela realmente canta com muita energia e o público vibra sem parar, pulando assim como a cantora que atravessa o palco de um lado ao outro rapidamente.
Infelizmente, para quem estava ali a trabalho, não foi uma das melhores apresentações do dia, pois se estava difícil assistir próximo a grade, os fotógrafos no pit e até o filmmaker oficial, estavam passando por apertos, pois estava impossível de registrar alguma foto ou vídeo. Inúmeros profissionais comentavam e pareciam desapontados.
"Brasil, como está?", pergunta a cantora. Com sua voz grave e poderosa, ela dança lentamente, sensualizando ao som das batidas mais fortes das canções. Sempre iluminada por uma paleta fria no palco, ela chama atenção por tudo, desde sua excentricidade até a vestimenta escolhida.
O palco parecia algo inacabado, com muitos elementos industriais e forrados de plástico transparente, assemelhava-se a um cenário digno de Psicopata Americano, de 2000; em que Lykke Li parecia participar de uma cena de crime. Os fãs com os celulares ao alto, cantam com muita força e pulam a cada música que inicia-se, principalmente, em "Little Bit", "Knife in the Heart" e "sex money feelings die".
Lykke Li está acostumada com o fervor do público brasileiro, ela insiste que os fãs cantem todo o repertório: "Cante com a gente, nos dá sorte!", exclama. E com muito mistério e suspense enquanto performa, chega um momento, dito anteriormente, que acabou repetindo na apresentação da sueca, assim como no Beirut, o público ficou dividido novamente.
Haviam as pessoas que estavam ali, porque a conheceu assistindo saga de filme do Crepúsculo, de 2008-2012; e foi para ouvir "Possibility"; e a outra metade, que assistiu ao filme francês Azul é a Cor Mais Quente, de 2013; em que gostariam de ver ao vivo a performance de "I Follow Rivers". E claro, para completar o padrão de show internacional no Brasil, ela arrisca um português com o público, anunciando que cantará no nosso idioma, realizando um cover completo de "Sozinho", do Peninha; quebrando toda a atmosfera explosiva vista anteriormente.
E por fim, um dos espetáculos mais aguardados aconteceu. O público que aguardava ansiosamente o show do cantor era majoritariamente masculino, salvo alguns que estavam acompanhados de esposa e filhos.
Desde o início, temos a participação de Suzi Dian, que é recebida de forma calorosa tanto pelo Robert Plant como pelo público, que fica impressionado com o poder de sua voz. Não que a sua participação apague Plant, mas que ela acaba destacando-se com facilidade no palco, é evidente.
Interpretações de "The Very Day I'm Gone", de Nora Brown e "Higher Rock", de Martha Scanlan; foram incluídas no setlist. Porém, "The Cuckoo" ganhou grande destaque, por ser um clássico que o cantor performa. Acompanhado de bandolim e banjo, ele faz uma junção do estilo folk britânico.
Como o show teve uma das maiores concentrações de pessoas no gramado do palco Heineken, foi uma ótima escolha reproduzir imagens do Robert Plant e Suzi Dian nas paredes do palco externo, transformando em um único telão gigante. Os espectadores não cantam, nem sussurrando, apenas admiram o encontro de um dos nomes que refletem o legado do Led Zeppelin.
Outras canções compostas por Plant, como "As I Roved Out", "Calling to You" e "Let the Four Winds Blow" fazem parte do setlist e os fãs acompanham realizando palmas ritmadas, assobios e gritos ao cantor. Não há muitos efeitos de luz no palco, apenas são iluminados com tons terrosos, e outrora, em azul, mas sempre entrando de acordo com a estética que flerta com o country, retratada em "Saving Grace".
Com o passar do show, algumas pessoas começam a dançar no gramado de forma descontraída, enquanto outras se emocionam com o evento ao som de outros covers, como "Orphan Girl" e "For the Turnstiles", já em "It's a Beautiful Day Today", uma fã chegou a invadir o palco tentando se aproximar do cantor, mas foi contida pelos seguranças. Robert Plant conversa brevemente com os fãs e comenta sobre a última vez que esteve no Brasil, em março de 2015, no Lollapalooza, junto ao Jack White.
Obviamente, não podia faltar as canções do Led Zeppelin no setlist. Sendo um dos momentos breves em que os fãs estariam mais próximos do que um dia foi a banda, em sua época de ouro. "Friends", "Ramble On" e "Rock and Roll" foram uma das canções que deixaram fãs cantarolando baixinho, aproveitando cada instante.
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