A música de um disco seminal do Metallica que James Hetfield nunca quis tocar ao vivo
Por Bruce William
Postado em 10 de junho de 2026
"Ride the Lightning" costuma aparecer entre os discos mais importantes do Metallica. Lançado em 1984, o segundo álbum da banda ampliou o alcance do thrash metal sem abandonar a agressividade de "Kill 'Em All". Havia mais ambição nas composições, mais variação de clima e uma segurança maior no modo como James Hetfield, Lars Ulrich, Cliff Burton e Kirk Hammett estavam construindo a própria linguagem.
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No meio desse disco tão respeitado, porém, existe uma faixa que a própria banda nunca abraçou com muito entusiasmo. "Escape" ficou conhecida como a música de "Ride the Lightning" que entrou quase contra a vontade do Metallica, escrita no estúdio porque a gravadora queria mais uma canção para completar o álbum.
Hetfield relembrou essa história em entrevista ao Ultimate Guitar (via Far Out). Segundo ele, a banda achava que já tinha todo o material pronto quando Lars Ulrich avisou que a gravadora queria mais uma faixa. "Foi a primeira vez que escrevemos uma música no estúdio. Lembro que tínhamos todas as músicas e Lars disse: 'Eles querem que a gente grave mais uma, precisam de mais uma para o álbum'. Eu fiquei tipo: 'Você não me contou isso...' Então tivemos que escrever, e foi realmente de última hora. Então 'Escape' foi uma dessas músicas escritas no estúdio", contou.
A situação ajuda a explicar a relação estranha da banda com a música. "Ride the Lightning" já tinha faixas como "Fight Fire with Fire", "For Whom the Bell Tolls", "Fade to Black", "Creeping Death" e "The Call of Ktulu". Perto desse repertório, "Escape" sempre pareceu mais deslocada, com um refrão mais direto e uma estrutura menos ameaçadora do que o restante do álbum.
Durante muitos anos, o Metallica simplesmente não tocou a música ao vivo. Isso só mudou em 23 de junho de 2012, no Orion Music + More Festival, quando a banda apresentou "Ride the Lightning" na íntegra. Antes de começar "Escape", Hetfield brincou com a raridade e deixou claro o desconforto antigo: "A música que nunca quisemos tocar ao vivo, nunca, agora está no setlist", disse ao público.
A experiência não abriu uma nova vida para a faixa. Pelo contrário. Kirk Hammett explicou depois à Rolling Stone que a banda entendeu de novo por que não costumava tocá-la. "Quando tocamos 'Escape' no Orion Fest, concordamos coletivamente sobre por que nunca tocamos essa música: ela não é realmente uma grande música para tocar ao vivo", afirmou. O guitarrista também comentou que a tonalidade em lá, embora apareça em outras músicas do grupo, não funciona tão bem para eles nesse caso.
Isso não significa que "Escape" seja uma vergonha absoluta escondida no catálogo. Muitos fãs gostam da faixa justamente por seu refrão mais aberto e pelo fato de ela aliviar um pouco a sequência pesada do disco. Mas, para o Metallica, a origem apressada da música parece ter deixado uma marca difícil de apagar. Ela não nasceu do processo natural da banda, e sim de uma necessidade externa.
A história de "Escape" mostra um Metallica ainda em fase de crescimento, antes de ter poder suficiente para simplesmente ignorar um pedido da gravadora. Poucos anos depois, com "Master of Puppets" e depois "...And Justice for All", a banda já estaria em outro patamar. Em 1984, porém, ainda havia espaço para uma faixa feita às pressas entrar em um disco clássico - e passar décadas lembrando ao próprio Metallica que nem toda música sobrevive bem ao teste do palco.
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