O álbum mais importante da história do pós-grunge, segundo André Barcinski
Por Gustavo Maiato
Postado em 10 de junho de 2026
André Barcinski afirmou que "Mellon Collie and the Infinite Sadness", do Smashing Pumpkins, é um dos discos mais importantes dos anos 1990. Em vídeo do quadro "Histórias Secretas do Cinema e da Música", o jornalista lembrou os 30 anos do álbum e disse que o trabalho talvez seja "o mais importante do pós-grunge".
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O disco foi lançado em outubro de 1995, depois da morte de Kurt Cobain e do fim simbólico da primeira explosão grunge. Barcinski destacou que o Smashing Pumpkins nunca foi exatamente uma banda grunge, embora tenha sido colocada no mesmo pacote de grupos como Nirvana, Pearl Jam, Mudhoney e Soundgarden.
"Naquela época, foi todo mundo meio colocado no mesmo saco", afirmou. Segundo ele, até bandas de outras cenas, como Dinosaur Jr. e Buffalo Tom, acabaram associadas ao grunge por conveniência de mercado e de imprensa.

Para Barcinski, os primeiros singles do Smashing Pumpkins tinham mais ligação com o shoegaze britânico. Ele lembrou a influência de grupos como My Bloody Valentine e Ride, especialmente pelo uso de camadas de guitarras, atmosferas densas e certa melancolia próxima do The Cure.
O jornalista também citou uma entrevista de Billy Corgan a Rick Beato. Segundo Barcinski, Corgan disse que, ao ouvir "Nevermind", do Nirvana, reclamou com o produtor Butch Vig por achar que o som de guitarra do disco havia sido tirado de "Gish", estreia do Smashing Pumpkins. "O Billy Corgan, que não é exatamente um cara muito modesto, acha que o som de guitarra daquele disco foi surrupiado do Gish", comentou.
Barcinski disse que "Mellon Collie and the Infinite Sadness" contrariou a lógica esperada para aquela geração. Enquanto o Nirvana havia levado o rock a uma estética mais crua, o Smashing Pumpkins apostou em um disco duplo, ambicioso, longo e de produção grandiosa.
"A ideia era ser mais punk", afirmou, ao falar do espírito pós-Nirvana. "E aí você tem, na mesma geração, uma banda que preza a produção, que acha legal contar uma história em um disco."
O álbum tem 28 faixas. Barcinski lembrou que 26 delas são assinadas apenas por Billy Corgan. Entre as músicas mais conhecidas estão "Bullet with Butterfly Wings", "Tonight, Tonight", "Zero", "1979" e "Thirty-Three". Para ele, o repertório é tão forte que o disco "parece uma coletânea".
O sucesso comercial também foi destacado. "Mellon Collie and the Infinite Sadness" estreou em primeiro lugar na Billboard 200 e se tornou o único álbum do Smashing Pumpkins a alcançar essa posição. Barcinski lembrou que o lançamento pegou o auge final da venda de CDs, antes da digitalização da música e da queda do mercado físico.
Na avaliação do jornalista, a obra ocupa uma prateleira especial ao lado de discos como "Loveless", do My Bloody Valentine. A diferença é que, para ele, o álbum do Smashing Pumpkins foi o mais épico daquele período.
Barcinski também observou que a banda nunca repetiu o impacto de "Mellon Collie and the Infinite Sadness". "Siamese Dream" vendeu muito, e "Adore" teve bom desempenho, mas nada chegou perto do alcance do disco de 1995.
Com Billy Corgan preparando uma turnê para tocar o álbum inteiro, Barcinski recomendou a experiência a quem tiver chance de assistir. "É um showzaço imperdível", afirmou. "Se esse show passar por alguma cidade próxima de você, assista, porque vale muito a pena."
Confira o vídeo completo abaixo.
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