A canção que fracassou na 1ª, chegou a 1º na segunda e Jimi Hendrix levou ainda mais adiante
Por Bruce William
Postado em 10 de junho de 2026
"Wild Thing" parece uma daquelas músicas que sempre existiram. O riff é simples, a letra é quase primitiva, e tudo nela dá a impressão de ter sido encontrado por acaso em algum canto do rock and roll. Mas a história da canção começou de um jeito bem menos mítico: com um compositor recebendo uma encomenda e tendo poucas horas para entregar alguma coisa.
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Chip Taylor escreveu "Wild Thing" para Jordan Christopher and The Wild Ones. Segundo a Classic Rock, o pedido chegou no começo da tarde, e a demo precisava estar pronta no dia seguinte. Taylor pegou o violão, começou a brincar com uma progressão simples e deixou a música sair quase no impulso. A primeira gravação, lançada pelos Wild Ones em 1965, não aconteceu comercialmente. A música parecia destinada a sumir no meio de tantas outras.
A virada veio quando a canção chegou aos Troggs. A banda inglesa gravou "Wild Thing" em cerca de 10 minutos, lançou a faixa em 1966 e conseguiu aquilo que a versão original não havia chegado perto de fazer: transformar uma ideia simples em um hit mundial. A música alcançou o primeiro lugar nos Estados Unidos e o segundo no Reino Unido, colocando o grupo no centro do pop-rock daquele período.
O charme da gravação dos Troggs está justamente na falta de polimento. "Wild Thing" não tenta parecer sofisticada. Ela funciona porque é direta, crua e quase tosca no melhor sentido possível. Reg Presley canta como se estivesse inventando a letra na hora, o riff entra sem cerimônia, e o arranjo parece depender mais de instinto do que de qualquer plano refinado de estúdio.
Com o tempo, a música ganhou uma segunda vida nas mãos de Jimi Hendrix. No Festival de Monterey, em 1967, ele encerrou sua apresentação com "Wild Thing" e transformou a canção em outro tipo de espetáculo. A versão ficou marcada não apenas pela performance, mas também pelo momento em que Hendrix incendiou sua guitarra no palco, criando uma das imagens mais conhecidas da história do rock (youtube).
Taylor gostou do que Hendrix fez com sua música. Em vez de tratar a versão como um exagero distante da intenção original, ele viu ali uma expansão da canção. Hendrix pegou uma faixa simples, quase adolescente, e levou para um território mais selvagem, físico e teatral, sem destruir aquilo que fazia "Wild Thing" funcionar. A música continuava reconhecível, mas parecia ter sido empurrada para outro planeta.
A trajetória de "Wild Thing" ajuda a explicar por que algumas canções sobrevivem tanto. Ela não depende de uma letra complexa, de harmonia elaborada ou de uma construção cheia de detalhes. Pelo contrário: sua força está na abertura que oferece. Os Troggs fizeram dela um hit garageiro e sexualmente desajeitado; Hendrix a transformou em ritual elétrico; depois, outras versões continuaram aparecendo porque a música aceita quase qualquer tratamento.
Chip Taylor, que também escreveu "Angel of the Morning", acabou deixando uma dessas composições que escapam do controle do autor. "Wild Thing" começou como uma encomenda rápida, fracassou na primeira tentativa e foi gravada pelos Troggs em poucos minutos. Talvez por isso tenha dado tão certo. Há músicas que melhoram quando parecem pouco pensadas. Nesse caso, bastaram um riff, uma frase simples e a pessoa certa para deixar o bicho solto.
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