Nação Zumbi celebra 30 anos de Afrociberdelia no Circo Voador em noite de celebração coletiva
Resenha - Nação Zumbi (Circo Voador, Rio de Janeiro, 08 e 09/05/2026)
Por Gabriel von Borell
Postado em 26 de maio de 2026
O reencontro do público com a Nação Zumbi no Circo Voador na celebração dos 30 anos de "Afrociberdelia" transformou os shows com ingressos esgotados dos dias 8 e 9 de maio em um mergulho coletivo na história do manguebeat e em suas reverberações culturais, musicais e políticas. Desde a chegada do público à tradicional lona no Rio de Janeiro, já era perceptível a expectativa de uma apresentação marcada tanto pela nostalgia quanto pela reafirmação de um legado que segue vivo e em constante reinvenção.
Fotos: Pati Burlamaqui
Antes mesmo da atração principal subir ao palco, BNegão abriu a segunda noite com uma apresentação intensa e contagiante. Com sua mistura de rap, funk e rock, o integrante do Planet Hemp rapidamente estabeleceu uma atmosfera de energia elevada, preparando o terreno para o que viria a seguir. O público respondeu de forma imediata, reagindo com coros, palmas e uma interação constante que antecipava o clima de comunhão musical.
Quando a Nação Zumbi assumiu o palco, logo depois de 23h, a força do repertório de "Afrociberdelia" se impôs como eixo central da apresentação. Lançado em 15 de maio de 1996, o disco segue sendo uma das obras mais influentes da música brasileira contemporânea, ao lado da herança deixada por Chico Science, cuja presença simbólica atravessou toda a apresentação.

Em diversos momentos, o público entoou o nome do artista, morto em fevereiro de 1997, menos de um ano após o lançamento do cultuado álbum. O gesto de homenagem se repetiu entre músicas e pausas, reforçando a dimensão quase ritualística da lembrança do cantor. A performance também destacou a atualidade das mensagens presentes no repertório da banda, que continua conectando crítica social e identidade cultural.

A plateia respondeu de forma intensa, alternando momentos de dança e rodas fervorosas com instantes de escuta concentrada, especialmente durante as faixas mais emblemáticas do trabalho de estúdio comemorado. Em meio à celebração musical, o show foi marcado por manifestações políticas espontâneas da plateia, incluindo gritos de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

As reações aconteceram em diferentes momentos do show, refletindo o clima de engajamento político que frequentemente acompanha as apresentações do grupo pernambucano. O comportamento dos fãs se somou ao ambiente já carregado de simbolismos históricos e sociais, ampliando a dimensão do espetáculo liderado pelo competente vocalista Jorge Du Peixe.

Ao final, o que se viu no Circo Voador foi além de uma apresentação comemorativa, representando um encontro entre gerações e memórias, em que a obra de "Afrociberdelia" serviu como fio condutor para uma expressão coletiva e reverência a o legado da Nação Zumbi.

Setlist Nação Zumbi no Circo Voador (9/5/26):
"Mateus Enter"
"O cidadão do mundo"
"Etnia"
"Quilombo groove"
"Macô"
"Um passeio no mundo livre"
"Samba do lado"
"Maracatu atômico"
"O encontro de Isaac Asimov com Santos Dummont no céu"
"Corpo de lama"
"Sobremesa"
"Manguetown"
"Um satélite na cabeça"
"Baião ambiental"
"Sangue de bairro"
"Enquanto o mundo explode"
"Criança de domingo"
"Amor de muito"
"Samidarish"
"Um sonho"
"Meu maracatu pesa uma tonelada"










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