Opeth: Para manter a chama acesa você tem que fazer turnês

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Opeth: Para manter a chama acesa você tem que fazer turnês

Traduzido por Kako Sales | Fonte: Blabbermouth.Net

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A revista eletrônica autraliana The AU recentemente conduziu uma entrevista com o baixista Martin Mendez, da banda de Metal Progressivo Extremo sueca Opeth. Alguns trechos da conversa seguem abaixo.

The AU: Eu ouvi o (novo álbum do Opeth) “Heritage” hoje e há muita sonoridade dos anos 60 e 70 nele – um pouco de The Doors, um pouco de Uriah Heep, um pouco de Jethro Tull também. Houve “pitadas” disso nos álbuns anteriores, mas por que a banda decidiu abraçar essa sonoridade completamente neste álbum?

Martin: Bem, sempre curtimos esses sons. Sempre ouvimos bastante rock dos anos 70. Sempre tivemos esses álbuns em nossas coleções. Queríamos fazer experimentos com esse tipo de som que temos feito ao longo dos anos, mas mais nesse álbum, acredito eu.

The AU: Você entrou na banda há cerca de 12 anos. O que te levou ao Opeth e o que faz você permanecer nela?

Martin: Bem, eu amo tocar. Acho que o problema com os antigos membros é que eles pararam de gostar de tocar. Eu ainda amo isso e é a razão de eu ainda estar aqui. Adoro tocar. Acho que fica difícil para muitas pessoas porque esse estilo de vida não é para qualquer um. Sair em turnê é bastante difícil – é um período longo de tempo. Às vezes você fica em turnê por um ano e então lança um novo álbum e começa tudo de novo. Acho que isso pessa muito, para algumas pessoas. Talvez. Eles apenas querem estar em casa. Eu posso entender isso.

The AU: Você acha que se o Opeth não tivesse se tornado uma banda mundialmente famosa, a banda não teria sido bem sucedida, de um certo modo?

Martin: Sim. Quer dizer, nós nos mantemos com as turnês, como banda. Ao gravar álbuns e coisas do tipo, você não recebe dinheiro nenhum disso. Para nós, manter a chama da banda acesa e sobreviver, você tem que fazer turnês. Eu acredito que fazemos bem para um monte de gente, tocando ao vivo. Fazemos um bom show – não fazemos um grande espetáculo, como algumas bandas de Metal costumam fazer. Não temos bombas, não temos fogos de artifício, não temos vídeos (para animar o público), não usamos roupas estranhas, ou coisas do tipo. Nós chegamos e tocamos.

The AU: Compositores e fãs rotulam o Opeth de Death Metal Progressivo e tem sido assim há um bom tempo. Como você descreve a música que vocês tocam se você pudesse de alguma forma descrever a si mesmos?

Martin: Bem, isso é difícil, sabe? Eu não sei como falar sobre isso. Quer dizer, há tantos jornalistas no mundo da música hoje. As pessoas nos rotulam de Death Metal, mas eu acho que apenas tocamos Rock ou Heavy Metal, mas de uma forma diferente, saca? No passado, você ouvia Heavy Metal, mas agora você tem todos esses estilos diferentes. Agora você tem um rótulo para cada banda, para o que eles tocam. É difícil criar um para nós.

The AU: No passado, o Opeth era certamente, em grande parte, uma banda de Death Metal. Mas agora vocês tipo que se afastaram disso.

Martin: Bem, é verdade, mas não é como se quiséssemos nos afastar do Metal ou chatear nossos fãs ou algo do tipo. Ainda amamos Death Metal e ainda queremos tocar isso também. Quer dizer, nós estamos dentro do Metal, mas também fazemos outro tipo de música. Tentamos experimentar com todos os outros estilos. É natural. Quer dizer, ainda somos os mesmos. Não usamos vocais guturais, por exemplo, no novo álbum, mas isso não significa que tentamos nos afastar do Metal ou algo assim. Tipo que ficou chato fazer mais um álbum de Metal depois de “Watershed”; bem, ao menos para nós. É por isso que fizemos esse tipo de álbum.

The AU: Falando sobre Mikael (Åkerfeldt, guitarras/vocais), parece que ele é a figura proeminente e dominante na banda. Primeiramente, isso é refletido nas composições, e em segundo lugar, a banda se sente confortável com isso?

Martin: Mikael tem sido o único membro que tem estado aqui desde o começo e ele tem sido sempre o compositor. Mas ainda é bastante aberto. Quer dizer, é a banda dele e curtimos tocar essas músicas. Tentamos acrescentar à música para fazê-la soar da melhor forma possível.

The AU: Em seu estilo de tocar, você é mais influenciado pela música que você cresceu escutando ou pelas músicas novas – ou mesmo por outras coisas? De onde você tira inspiração? Como você aborda sua música?

Martin: Acho que é um monte de coisas – é sobre o que está ao seu redor e que vem a fazer parte de sua música. Outras pessoas e coisas podem te dar idéias, mas música é a principal coisa. O que eu escuto influencia bastante em minha música. Mas as pessoas ao seu redor, situações à sua volta... que podem influenciar seu estilo de tocar tanto de uma forma boa quanto de uma forma ruim.

Leia a entrevista na íntegra no The AU.

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Sobre Kako Sales

Mineiro de Januária, baterista autodidata, cresceu em ambiente familiar ligado à música popular e erudita. Seu pai chegou a fazer pequenas turnês com bandas da Jovem Guarda como tecladista no fim da década de 70. Aos 10 anos, iniciou os estudos de teoria musical e piano clássico. Teve o primeiro contato com o mundo do metal ao escutar o CD Angels Cry do Angra, aos 15 anos. Desde então tem se dedicado a conhecer, colecionar e difundir o melhor do metal brasileiro e mundial. Graduado em Letras/Inglês, principalmente por influência da língua-mãe do rock, tem como principais ícones do metal as bandas Angra, Symphony X, Dream Theater e Opeth.

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