Pink Floyd: Clare Torry processou a banda por direitos autorais e venceu
Por Ivan da Luz
Fonte: Fanpage Memórias do Rock
Postado em 30 de abril de 2019
Talvez você não tenha ouvido falar de Clare Torry. Mas provavelmente já ouviu a voz dessa senhora inglesa de 71 anos (pelo que sei, continua viva).
Pink Floyd - Mais Novidades
Filha de um militar de alta patente na aeronáutica inglesa com uma secretária executiva da BBC de Londres, Clare começou sua carreira na música ainda jovem, cantando covers em bares.
Mais tarde se tornou cantora de estudio e gravou com Olivia Newton-John (no hit "He Aint Heavy, He Is My Brother"), The Alan Parsons Project (em "Don't Hold Back"), Meat Loaf (no hit "Modern Girl") e Tangerine Dream (em "Yellowstone Park") excursionou com Roger Waters em carreira solo e participou de seus discos discos When The Wind Blows (de 1986) e Radio Kaos (de 1987), para citar os mais conhecidos por aqui. Clare também tem alguns álbuns solo gravados com razoáveis vendagens no Reino Unido, a maioria nos anos 70. Vou deixar links de três singles de sua carreira solo antes de continuar o assunto desse texto:
Porém, a canção mais memorável de uma banda famosa em que ela participou da gravação é "The Great Gig In The Sky", da obra prima The Dark Side Of The Moon, do Pink Floyd. Cantada em solfejo, a canção se tornou um clássico tão absoluto que ela era repetida em quase todas as turnês que a banda fez a partir de 1973, o ano de lançamento do disco, quase sem mudanças, exceto pelo fato de que, ao vivo, três cantoras se alternavam na execução do que Clare fez sozinha em estúdio. E não pense que ela se utilizou de recursos tecnológicos de estúdio para isso.
O tecladista Richard Wright, baseado e duas progressões de acordes criadas por ele mesmo, compôs um número instrumental pensando no tema da morte e sua relação com a religiosidade- que seria complementado apenas com frases bíblicas. Mais tarde, a banda teve a idéia de inserir sons de astronautas da NASA na composição, mas nenhum dos membros gostou do resultado. Mantendo algumas frases bíblicas, chegaram a idéia de que a música poderia ser o pano de fundo para um lamento melódico de uma voz feminina.
Alan Parsons, que ainda não tinha formado o The Alan Parsons Project, trabalhava como engenheiro do estúdio Abey Road, colaborou ativamente na concepção atmosférica do som de The Dark Side Of The Moon, foi quem indicou Clare Torry para ser a voz feminina que o Pink Floyd estava procurando.
Parsons tinha visto a moça cantar num show. Coube a ele fazer o convite, mas como Clare não conhecia a banda, não se entusiasmou muito, mesmo porque tinha shows marcados para ser back vocal de Chuck Berry. Diante da insistência de Parsons, ela se agendou para aparecer no estúdio desde que pagassem o dobro do habitual por ser num domingo- 30 libras.
No dia combinado, a banda tocou a parte instrumental para ela ouvir, pedindo apenas que fizesse uma linha vocal de clima triste, com o um lamento, mas sem letras. Imaginando ser mais um instrumento, Clare soltou sua voz e gravou dois takes. Todos no estúdio se impressionaram com o que ela acabava de fazer, porém ninguém demonstrou. Tanto que Clare, pensando que ninguém tinha gostado, tratou logo de pegar o dinheiro combinado e foi embora.
Logo depois as duas partes que ela gravou foram montadas junto de duas frases e Clare a só soube do resultado final quando viu o disco numa loja e comprou cópia para ouvir em sua casa.
A tradução da frase do início da canção, que foi dita pelo zelador do estúdio, é: "E eu não tenho medo de morrer; posso ir a qualquer hora, não me importo; por que eu deveria ter medo de morrer? Não há razão pra isso- uma hora você vai ter que ir."
A frase do fim foi dita pela esposa de um executivo da gravadora: "Eu nunca disse que tinha medo de morrer."
Em 2004 (sim, mais de 30 anos depois), sob a alegação de que a banda e gravadora do Pink Floyd jamais lhe pagaram direitos autorais, a despeito do imenso sucesso da canção e de ser sua coautora, Clare procesou a EMI e um acordo foi feito. Valores não foram revelados mas, além de ser indenizada, Clare Torry passou a receber, parte dos direitos autorais por execução dessa pequena obra prima do rock.
Em minha opinião, ainda que tardiamente, o resultado da sentença, foi merecido.
Assista sobre outros clássicos no recém criado Canal Memórias do Rock no link abaixo.
https://www.youtube.com/channel/UCXOoSQjcfeGYvnhXMT15Bhw
Ivan Da Luz, com Jayro Teles, é criador do canal Memórias do Rock e editor da fanpage do mesmo canal.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Iron Maiden transforma primeiro festival próprio em celebração monumental de 50 anos
5 músicas de rock que todo mundo conhece, mas pouca gente sabe de quem são
O lado bom e o ruim de fazer shows na América do Sul, segundo o líder do Iron Maiden
A opinião de Steve Harris, do Iron Maiden, sobre o The Darkness
Steve Harris relembra o dia em que bebeu antes de um show do Iron Maiden
5 músicas que quando tocam no show todo fã de metal entra no mosh na hora
Steve Harris compareceu a apresentação de Blaze Bayley no EDDFEST.
Frank Ferrer explica motivo de saída do Guns N' Roses após 19 anos na banda
Futuras atividades do Queen dependem de Brian May, revela Roger Taylor
Existe alguma banda melhor que o Iron Maiden ao vivo? Steve Harris e Bruce Dickinson respondem
Bruce Dickinson escolhe qual turnê do Iron Maiden é a sua preferida
Blaze revela músicas escritas para o Iron Maiden que pararam no seu disco solo
A melhor banda de rock progressivo do Brasil, segundo a Loudwire
A banda que realmente criou o heavy metal, de acordo com Eric Clapton
As maiores mentiras que muita gente ainda conta sobre o rock progressivo
O guitarrista que, para David Gilmour, restaurou algo que estava perdido no rock
O grupo feminino que Roger Waters despreza por considerar o fundo do poço do gosto musical
A crítica hipócrita que Roger Waters faz a Bob Dylan: "Não assisto, é perturbador"
Quando o Pink Floyd tentou repetir uma fórmula e gerou "um fracasso notável", conforme Waters
O controvertido álbum dos anos setenta que Roger Waters colocou entre seus cinco favoritos
Os cinco maiores compositores de todos os tempos para Roger Waters
O melhor álbum de rock progressivo de cada ano dos anos 1970, segundo a Loudwire
O ex-colega de banda no Pink Floyd com quem David Gilmour nunca mais falou
A música do Pink Floyd que David Gilmour nunca mais vai tocar ao vivo
Presença de Palco: dicas para iniciantes
George Harrison: O Beatle calado, sempre à sombra de Lennon e McCartney


