Pink Floyd: Clare Torry processou a banda por direitos autorais e venceu

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Por Ivan da Luz, Fonte: Fanpage Memórias do Rock
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Talvez você não tenha ouvido falar de Clare Torry. Mas provavelmente já ouviu a voz dessa senhora inglesa de 71 anos (pelo que sei, continua viva).

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Filha de um militar de alta patente na aeronáutica inglesa com uma secretária executiva da BBC de Londres, Clare começou sua carreira na música ainda jovem, cantando covers em bares.

Mais tarde se tornou cantora de estudio e gravou com Olivia Newton-John (no hit "He Aint Heavy, He Is My Brother"), The Alan Parsons Project (em "Don't Hold Back"), Meat Loaf (no hit "Modern Girl") e Tangerine Dream (em "Yellowstone Park") excursionou com Roger Waters em carreira solo e participou de seus discos discos When The Wind Blows (de 1986) e Radio Kaos (de 1987), para citar os mais conhecidos por aqui. Clare também tem alguns álbuns solo gravados com razoáveis vendagens no Reino Unido, a maioria nos anos 70. Vou deixar links de três singles de sua carreira solo antes de continuar o assunto desse texto:

Porém, a canção mais memorável de uma banda famosa em que ela participou da gravação é "The Great Gig In The Sky", da obra prima The Dark Side Of The Moon, do Pink Floyd. Cantada em solfejo, a canção se tornou um clássico tão absoluto que ela era repetida em quase todas as turnês que a banda fez a partir de 1973, o ano de lançamento do disco, quase sem mudanças, exceto pelo fato de que, ao vivo, três cantoras se alternavam na execução do que Clare fez sozinha em estúdio. E não pense que ela se utilizou de recursos tecnológicos de estúdio para isso.

O tecladista Richard Wright, baseado e duas progressões de acordes criadas por ele mesmo, compôs um número instrumental pensando no tema da morte e sua relação com a religiosidade- que seria complementado apenas com frases bíblicas. Mais tarde, a banda teve a idéia de inserir sons de astronautas da NASA na composição, mas nenhum dos membros gostou do resultado. Mantendo algumas frases bíblicas, chegaram a idéia de que a música poderia ser o pano de fundo para um lamento melódico de uma voz feminina.

Alan Parsons, que ainda não tinha formado o The Alan Parsons Project, trabalhava como engenheiro do estúdio Abey Road, colaborou ativamente na concepção atmosférica do som de The Dark Side Of The Moon, foi quem indicou Clare Torry para ser a voz feminina que o Pink Floyd estava procurando.

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Parsons tinha visto a moça cantar num show. Coube a ele fazer o convite, mas como Clare não conhecia a banda, não se entusiasmou muito, mesmo porque tinha shows marcados para ser back vocal de Chuck Berry. Diante da insistência de Parsons, ela se agendou para aparecer no estúdio desde que pagassem o dobro do habitual por ser num domingo- 30 libras.

No dia combinado, a banda tocou a parte instrumental para ela ouvir, pedindo apenas que fizesse uma linha vocal de clima triste, com o um lamento, mas sem letras. Imaginando ser mais um instrumento, Clare soltou sua voz e gravou dois takes. Todos no estúdio se impressionaram com o que ela acabava de fazer, porém ninguém demonstrou. Tanto que Clare, pensando que ninguém tinha gostado, tratou logo de pegar o dinheiro combinado e foi embora.

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Logo depois as duas partes que ela gravou foram montadas junto de duas frases e Clare a só soube do resultado final quando viu o disco numa loja e comprou cópia para ouvir em sua casa.

A tradução da frase do início da canção, que foi dita pelo zelador do estúdio, é: "E eu não tenho medo de morrer; posso ir a qualquer hora, não me importo; por que eu deveria ter medo de morrer? Não há razão pra isso- uma hora você vai ter que ir."

A frase do fim foi dita pela esposa de um executivo da gravadora: "Eu nunca disse que tinha medo de morrer."

Em 2004 (sim, mais de 30 anos depois), sob a alegação de que a banda e gravadora do Pink Floyd jamais lhe pagaram direitos autorais, a despeito do imenso sucesso da canção e de ser sua coautora, Clare procesou a EMI e um acordo foi feito. Valores não foram revelados mas, além de ser indenizada, Clare Torry passou a receber, parte dos direitos autorais por execução dessa pequena obra prima do rock.

Em minha opinião, ainda que tardiamente, o resultado da sentença, foi merecido.

Assista sobre outros clássicos no recém criado Canal Memórias do Rock no link abaixo.

https://www.youtube.com/channel/UCXOoSQjcfeGYvnhXMT15Bhw

Ivan Da Luz, com Jayro Teles, é criador do canal Memórias do Rock e editor da fanpage do mesmo canal.




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