Em 1965, três anos após aparecem para o mundo por meio do single "Love Me Do", os BEATLES já tinham atingido o ápice comercial da época: após o lançamento de "Help!" no ano anterior, o quarteto já tinha criado o videoclipe, feito uma mega turnê (para os padrões da época) pela América, lançado "Yesterday", fumado maconha com BOB DYLAN no banheiro do Palácio de Buckingham (apesar de, segundo LENNON essa não ter sido a primeira experiência deles com o fumo , conforme foi difundido) e por aí vai. Diante disso, poderia se pensar no comodismo e na repetição de fórmulas como uma continuidade na carreira, certo ? Errado. Para a esmagadora maioria dos fãs e da crítica, começava ali, o período que criaria o mito.
O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

"Norweggian Wood", regravada por Deus e o mundo, abre com a cítara que, se hoje aparece até nos piores momentos da música pop, na época era tão estranho quanto a presença de uma sanfona em uma banda de death metal. As linhas criadas por HARRISON são econômicas e precisas, dando um caráter totalmente inovador a uma canção simples em essência. Aliás, no quesito pioneirismo, fica difícil comparar o álbum (é válido lembrar que a carreira de FRANK ZAPPA começaria, em caráter autoral e experimental, com "Freak Out" em 1966) com o que existia até o momento: que tal misturar cravo, solo barroco e levada pop ("In My Life"), letra em francês e harmonias jazzísticas ("Michelle", uma brincadeira de PAUL com frases de efeito na língua de MONTAIGNE) e estrutura musical grega (!) em tom menor ("Girl") ?
No aspecto lírico, novidades na mesma medida: conforme se descobria como um compositor acima da média, LENNON absorvia influências literárias mais densas, saindo do esquema "amores perdidos" em todas as canções: "Nowhere Man" talvez seja a pioneira de suas composições em tratar com mais profundidade sobre as reflexões da vida (Ele é um autêntico Homem de Lugar Nenhum\\Sentado em sua terra de lugar nenhum\\Fazendo todos os seus planos inexistentes\\Para ninguém) e abriu precedentes para dramas líricos de primeira grandeza - "Blackbird" que o diga - nos anos posteriores. Em contraste, "What Goes on" e "Run for Your life", são praticamente os últimos registros de "raiz" feitos pela banda até a retomada da pegada em "Abbey Road"(1969). Recheadas daquela guitarra "western swing" que HARRISON aprendeu com SCOTTY MOORE e CARL PERKINS são de uma simplicidade e uma entrega proporcional ao efeito que causam no ouvinte.
Como diz um conhecido árbitro: "a regra é clara" – se não fossem os Beatles as regras da música não seriam a que conhecemos hoje. A difusão de ELVIS e do som negro no Reino Unido não teriam acontecido na mesma proporção, a indústria da música teria levado mais tempo para se edificar, a idéia de turnês , recursos de gravação , capas originais, etc, idem; e por aí vai. Não se trata de gostar ou não; se trata, simplesmente, de constatação.
Todas as matérias da seção Resenhas de CDs
Todas as matérias sobre Beatles
Os comentários são postados usando scripts do FACEBOOK e logins do FACEBOOK, HOTMAIL, AOL ou YAHOO, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que fizeram uso deste sistema (citados na assinatura de cada comentário). Caso você considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato. Os responsáveis pelo site podem excluir comentários que julguem inadequados e fornecer informações sobre os comentários a reclamantes se solicitados.
Pense antes de escrever. Ao comentar sobre alguém, lembre-se que este alguém é uma pessoa e merece respeito. Tenha cuidado especial ao comentar sobre colaboradores do Whiplash.Net; eles trabalham de graça para gerar o conteúdo que você está lendo. Mais chato do que uma matéria com erro, ou uma opinião com que você não concorda, são os chatos que apenas reclamam. Se acha que pode fazer melhor, clique no link ENVIAR MATERIAL no topo do site. Se achar um erro de digitação ou similar, envie pelo link de ENVIO DE CORREÇÕES; lembre-se que é falta de educação corrigir outras pessoas em público. E lembre-se de também elogiar quando encontrar bom conteúdo; isso é um bom incentivo aos colaboradores. :-)
Chatos, trolls e usuários que faltam com respeito a outras pessoas poderão ser banidos sem aviso prévio.
Paulo Severo da Costa é ensaísta, professor universitário e doente por rock n´roll. Adora críticas, mas não dá a mínima pra elas.
Mais matérias de Paulo Severo da Costa no Whiplash.Net.
Link que não funciona para email (ignore)
QUEM SOMOS | RSS | FACEBOOK | TWITTER | APPS | ANUNCIAR | ENVIAR MATERIAL | FALE CONOSCO
Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria. Os textos não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será retirado do site.
Em abril de 2012 Whiplash.Net teve 1.211.297 visitantes, 3.149.841 visitas e 10.113.719 pageviews. Ver stats.