Resenha - Opus Eponymous - Ghost

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Resenha - Opus Eponymous - Ghost

Por Diego R. Oliveira da Silva | Fonte: Discos, Histórias e Rock

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Finalmente, após um gigantesco atraso, uma interminável espera, eis que surge em minhas mãos Opus Eponymous, disco de estréia dos suecos do GHOST.

Nota: 9

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Lançado oficialmente no exterior no final de 2010, o disco apresentava o estreante e desconhecido grupo sueco, que rapidamente se tornou uma febre entre os headbangers, inclusive de famosos como James Hetfield, do METALLICA.

O rebuliço foi tamanho que os suecos passaram a ser alvo de elogios efusivos e críticas ferozes. Para quem ainda não sabe, o GHOST executa um som com temática satanista e ocultista, só que ao invés de apostar numa sonoridade extrema, como tende a maioria das bandas do estilo, aqui, em Opus Eponymous, tudo soa como uma grande viagem no tempo, rumo ao período transitório entre as décadas de 1970 e 1980.

Para garantir um impacto ainda maior, os caras se apresentam mascarados, com seu vocalista de codinome Papa Emeritus, vestido como o papa e usando uma máscara em forma de caveira. Aliás, nenhum dos integrantes tem seu nome divulgado e os instrumentistas atendem apenas por Nameless Ghoul. Esta dúvida gerou boatos de que seriam músicos famosos do meio, e de que não gostariam de ter suas identidades reveladas. Especula-se que seriam oriundos da prolífica cena death/black sueca, de bandas como Repugnant e In Solitude. Ninguém sabe se isto procede, o que sabe-se é que isto serviu de uma grande estratégia de marketing, ajudando a espalhar a febre GHOST pelo mundo.

No começo, mantive um certo distanciamento da banda, para mim soava como um "hype", uma busca por um novo salvador do estilo. O tempo passou e comecei a me ater mais na música dos caras, o que na verdade é o que deve-se fazer em todos os casos, e percebi muitas qualidades na banda, muito do que eu sempre gostei de ouvir estava presente em músicas como Con Clavi Con Dio, Ritual e Elizabeth. Agora, recebo a edição nacional do disco e ela só me faz confirmar a boa impressão que tinha do grupo.

Após a fúnebre intro Deus Culpa, o petardo Con Clavi Con Dio dá as cartas do que todo o disco nos reserva, ou seja, um heavy metal calcado no oitentismo, que acerta em cheio os apreciadores de bandas como o MERCYFUL FATE , principalmente no primoroso trabalho de guitarras. Uma das maiores críticas que a banda recebeu foi justamente a semelhança com o grupo de KING DIAMOND, que, apesar de evidente, não resume o que é o som dos caras.

O hit single Ritual foi o carro chefe do álbum desde o início, mostrando guitarras no melhor estilo MERCYFUL FATE e vocalizações corretíssimas de Papa Emeritus, além de um grande apelo comercial, no bom sentido, é óbvio. As duas primeiras músicas do álbum - excetuando-se a intro - mostram a evidente semelhança entre o GHOST e o MERCYFUL FATE, como foram as mais divulgadas, geraram as acusações de mera cópia que o grupo ostentou no início.

Entretanto, quando você ouve Elizabeth, quarta faixa de Opus Eponymous, a banda mostra que tem muito a oferecer e que sua música vai bem mais além do que apenas uma cópia do som dos dinamarqueses. Riffs pesados se misturam a um refrão que consegue ser ao mesmo tempo psicodélico e acessível, uma composição como a tempos não ouvia. Fantástica, a composição que homenageia a famosa condessa Elizabeth Battory, eternamente fonte de inspiração no meio metálico, mostra que nomes como ATOMIC ROOSTER, BLUE OYSTER CULT, PENTAGRAM e, é claro, o eterno BLACK SABBATH se misturam ao melhor da psicodelia sessentista no som destes caras. Quem achava que o som deles se limitava a cartilha do rei diamante, mudará seu pensamento com este já clássico do metal. Sim, Elizabeth já é um clássico...

O mergulho na psicodelia sessentista só se acentua com a chegada de faixas como Stand by Him e Satan Prayer,onde a mescla com sonoridade sabbathica, principalmente dos discos pós Sabotage, surte um agradabilíssimo efeito. Aqui tudo soa retrô e é impossível não se empolgar! Destaque para os belos arranjos de teclados em ambas.

Opus Eponymous é um disco que tem excepcionais faixas, destacá-las individualmente é tarefa até injusta. Mas, Genesis, faixa que encerra o álbum é o grande destaque, mostrando toda a competência do grupo. Um som instrumental onde eles transitam por diversos estilos com uma propriedade impressionante. Genesis é a cereja do bolo, encerrando este grande disco, uma grata surpresa que refuta a tese de que o metal acabou nos anos oitenta. Quem não consegue enxergar isto ou mesmo quem não quer, tem em Opus Eponymous a chance de descobrir um novo clássico. É apenas uma questão de "abrir a cabeça"!

Duvidar da qualidade destes suecos e acreditar que não passam de uma grande jogada de marketing, me desculpem, é burrice!

Faixas
1- Deus Culpa
2- Con Clavi Con Dio
3- Ritual
4- Elizabeth
5- Stand by Him
6- Satan Prayer
7- Death Knell
8- Prime Mover
9- Genesis

Fonte:
Discos, Histórias e Rock 'n' Roll
http://www.discosehistorias.blogspot.com

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