Ghost: Espécie de filho bastardo de Alice Cooper e do Kiss
Resenha - Opus Eponymous - Ghost
Por Ricardo Seelig
Postado em 24 de julho de 2011
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Não há muita informação a respeito do Ghost. O que se sabe é que a banda surgiu na Suécia em 2008, gravou uma demo em 2010 e lançou o seu primeiro álbum, "Opus Eponymous", em 18 de outubro do ano passado na Europa. O disco chegou ao mercado norte-americano em janeiro de 2011, e desde então o nome e a reputação do grupo vêm crescendo entre os aficcionados por heavy metal.
Ninguém sabe quem são os músicos que formam o conjunto, já que eles só aparecem em público embaixo de pesada maquiagem e figurinos que variam entre monges para os instrumentistas e o mais alto posto da Igreja Católica para o vocalista, o que dá ao cantor um ar de 'papa satânico'. Em uma linha evolutiva do estilo, o Ghost seria uma espécie de filho bastardo de Alice Cooper e do Kiss.
Mas o impacto visual não seria suficiente caso a música também não fizesse a sua parte, e ela impressiona. O primeiro ponto que salta aos ouvidos é que o álbum parece ter sido gravado no final dos anos 70, soando próximo de alguns dos principais nomes daquela década e sem um pingo da evolução pela qual passou o heavy metal nos últimos trinta anos. As principais influências do Ghost são bandas clássicas como Black Sabbath, Judas Priest, Pentagram, Blue Oyster Cult e Coven, além de algumas pitadas do rock psicodélico do final dos anos sessenta. O resultado é uma música relativamente simples, sem arranjos complicados ou passagens exageradamente técnicas, e que retoma algumas características marcantes do metal setentista, como a melodia e a acessibilidade – sim, a acessibilidade, no sentido em que as composições cativam o ouvinte de primeira, grudando na cabeça e tornando a audição do trabalho um ato contínuo.
O som é orgânico, vivo, pulsante. O peso não está somente nas guitarras, mas sobretudo na atmosfera das composições. O vocalista Papa Emeritus não grita, não distorce a sua voz, apenas canta de forma limpa, explorando falsetes que remetem a King Diamond. Os guitarristas despejam riffs e solos na melhor escola do metal clássico, enquanto o tecladista é o principal responsável por dar um clima único às faixas com o seu instrumento, fazendo as composições, todas com letras claramente satânicas, soarem com um clima religioso instigante.
Com apenas nove faixas e 35 minutos, "Opus Eponymous" é um disco inesperado, que entrega uma surpresa agradável a cada composição. Na contramão das generosas doses de agressividade e rapidez que assolam o heavy metal atual, traz uma sonoridade rica em climas, o que torna a sua audição próxima a uma experiência sensorial. Os maiores destaque estão em faixas como "Con Clavi Con Dio", a excelente e já hit "Ritual", a ótima "Elizabeth" - dedicada à Condessa Elizabeth Bathory -, "Stand by Him", "Prime Mover" e a admirável instrumental "Genesis", que encerra o álbum de maneira perfeita.
Ninguém estava esperando por algo como o Ghost. Talvez, justamente por causa disso, seu álbum de estreia soe tão bem aos ouvidos. A banda não reinventou a roda, apenas gravou um senhor disco, que traz para 2011 algumas das principais características do heavy metal que, com o passar dos anos, foram sendo deixadas para trás. Esse é o principal mérito de "Opus Eponymous".
Se você gosta de metal, não dá pra deixar passar!
Faixas:
1 Deus Culpa 1:33
2 Con Clavi Clon Dio 3:33
3 Ritual 4:28
4 Elizabeth 4:01
5 Stand by Him 3:56
6 Satan Prayer 4:38
7 Death Knell 4:36
8 Prime Mover 3:53
9 Genesis 4:03
Outras resenhas de Opus Eponymous - Ghost
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Como uma canção "profética", impossível de cantar e evitada no rádio, passou de 1 bilhão
O disco nacional dos anos 70 elogiado por Regis Tadeu; "hard rock pesado"
A banda que é "obrigatória para quem ama o metal brasileiro", segundo Regis Tadeu
Por que Angra não convidou Fabio Laguna para show no Bangers, segundo Rafael Bittencourt
Cinco álbuns que foram achincalhados quando saíram, e que se tornaram clássicos do rock
A música do Angra que Rafael Bittencourt queria refazer: "Podia ser melhor, né?"
A banda de rock que lucra com a infantilização do público adulto, segundo Regis Tadeu
A música de Raul Seixas que faria ele ser "cancelado" nos dias de hoje
A música feita pra soar mais pesada que o Black Sabbath e que o Metallica levou ao extremo
O riff de 1975 que Dave Grohl diz ter dado origem ao heavy metal na sua forma mais rápida
O melhor álbum de 11 bandas lendárias que surgiram nos anos 2000, segundo a Loudwire
Playlist - Uma música de heavy metal para cada ano, de 1970 até 1999
John Lennon criou a primeira linha de baixo heavy metal da história?
O hit de Cazuza que traz homenagem ao lendário Pepeu Gomes e que poucos perceberam
A banda Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs que André Barcisnski incluiu no melhores do ano
Bizarre Magazine: Quão bizarro era... Ronnie James Dio
O álbum do Angra que fez Herman Li ficar perplexo com performance de Aquiles Priester
Tarja Turunen: o fã que mais surpreendeu a cantora é brasileiro (e muito famoso)



As melhores músicas de heavy metal de cada ano, de 1970 a 2025, segundo o Loudwire
Ghost não deve vir à América do Sul na atual turnê, diz rádio argentina
Metal Hammer aponta "Satanized", do Ghost, como a melhor música de heavy metal de 2025
As 50 melhores músicas de 2025, segundo a Classic Rock
Metallica: em 1998, livrando a cara com um disco de covers
Whitesnake: Em 1989, o sobrenatural álbum com Steve Vai



