Ghost: Um disco delicioso, no qual vale a pena apostar
Resenha - Opus Eponymous - Ghost
Por Thiago El Cid Cardim
Postado em 07 de setembro de 2011
Nota: 9 ![]()
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Este é um movimento-padrão que acontece vez por outra em praticamente todos os subgêneros do rock. Quando a música acaba ficando repleta de experimentalismos e invencionices, talvez um tanto dependente demais de determinados subterfúgios, surge uma banda cuja sacada genial é justamente apostar no básico, numa abordagem inteligente da simplicidade que deu origem ao gênero, no feijão com arroz bem feito e que dá gosto de saborear.
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O caso mais recente é dos suecos do Ghost, verdadeira sensação na cena metálica mundial. Não é à toa que James Hetfield (Metallica) e Tomi Joutsen (Amorphis), entre outros, andam circulando por aí com camisetas da banda, dizendo-se abertamente fãs de seu trabalho. O que o Ghost faz é um heavy metal clássico, com ares setentistas. Mas o faz tão bem, de maneira tão natural e orgânica, que acaba conquistando os bangers (principalmente, aqueles das antigas) logo na primeira audição.
Há quem goste de comparar o Ghost a outra banda-fenômeno relativamente recente, os finlandeses do Lordi. As semelhanças param na teatralidade e no mistério em torno de quem são seus integrantes mascarados, além da vontade de buscar referências diretas em clássicos do passado. Enquanto o Lordi dialoga diretamente com a estética dos filmes de terror B e com as performances de Alice Cooper e do Kiss, gerando um hard ‘n heavy divertido e festivo, o Ghost bebe na fonte de nomes como Mercyful Fate e Blue Oyster Cult. Liderada por uma espécie de líder religioso das trevas, o Papa Emeritus I, a banda faz um som climático e soturno, que ecoa um quê de Black Sabbath da era Ozzy, sempre com letras de teor satânico, de evocação e celebração a Lúcifer e suas hordas infernais. John Milton ficaria orgulhoso.
Dentre muitas teorias sobre quem se esconde por baixo das vestes de Emeritus, a mais forte aposta no cantor Tobias Forge, frontman da banda sueca de death metal Repugnant. Se este for mesmo o caso, o que ele faz cantando à frente do Ghost é muitíssimo diferente. O tema pode ser diabólico, mas o som está longe de ser um black metal extremo e berrado, de maneira gutural. Emeritus é uma figura sombria, mas que interpreta suas canções de maneira bastante melódica e limpa, com ares quase sussurrados. Isso não quer dizer que o som do Ghost não seja pesado, é preciso ressaltar. Mas é peso das antigas.
Depois do teclado religioso que abre o disco na introdução instrumental "Deus Culpa", o baixo encorpado que inicia a faixa "Com Clave Dio" já é a senha para o que deve se seguir ao longo das nove canções que compõem "Opus Eponymous". Um verdadeiro desfile de riffs e refrãos contagiantes, para ninguém botar defeito. Que o diga o dueto formado pela grudenta "Ritual" e pela tétrica "Elizabeth" (que, em dado momento, pela sutileza dos vocais, quase se torna uma balada), composições que formam o verdadeiro coração do álbum. Mas é claro que as qualidades deste debut do Ghost vão muito além, desde a quase lisérgica "Prime Mover" à ‘sabbathica’ "Satan Prayer", na qual é claramente possível imaginar Emeritus cantando ao lado de Ozzy Osbourne e com Tony Iommi sentando a mão na guitarra.
"Opus Eponymous" é um disco delicioso, no qual vale a pena apostar. E que o cramulhão permita que estes malucos do Ghost continuem na atividade por um bom tempo. Amém.
Line-up:
Papa Emeritus I – Voz
Nameless Ghoul 1 – Guitarra
Nameless Ghoul 2 – Guitarra
Nameless Ghoul 3 – Baixo
Nameless Ghoul 4 – Teclado
Nameless Ghoul 5 – Bateria
Tracklist:
1. Deus Culpa
2. Con Clave Dio
3. Ritual
4. Elizabeth
5. Stand By Him
6. Satan Prayer
7. Death Knell
8. Prime Mover
9. Genesis
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