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Resenha - A Different Kind Of Truth - Van Halen

“Mais uma resenha sobre o novo Van Halen?”... Os mais leigos sobre a banda podem até estranhar o porquê de tanto falatório em torno do novo álbum da banda, mas vamos recapitular: fazem 28 anos que muitos fãs esperam por ele, principalmente aqueles que não conseguiram engolir a fase “Van Hagar” (com Sammy Hagar nos vocais), pois o álbum “1984”, lançado naquele mesmo ano, foi o último com David Lee Roth como vocalista. E como os piratas da internet continuam a todo vapor, não teve SOPA nem PIPA que impedissem “A Different Kind Of Truth” de vazar pela rede antes de seu lançamento oficial.

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Mesmo os fãs (como este que vos escreve) que gostavam da segunda fase da banda, aguardavam ansiosamente. À exceção de algumas faixas inéditas esporádicas aqui e ali em coletâneas (duas com Dave no “Best Of” de 1996 – quinze anos atrás; e três com Sammy em “Best Of Both Worlds”, de 2004 – sete anos atrás), o último álbum completo de estúdio da banda foi o tenebroso “Van Halen III”, de 1998, com o esforçado Gary Cherone (Extreme) no microfone.

Vale lembrar ainda que David voltou à banda em 2007, para uma bem sucedida turnê norte-americana, onde os irmãos holandeses optaram por não chamar o baixista original, o carismático Michael Anthony, deixando o cargo nas mãos do garoto Wolfgang, filho de Eddie – o que gerou protestos da grande maioria de seguidores do grupo. Mas nada de novo fora lançado. Comentários maldosos sempre circularam desde então pelo mundo afora, tendo como um dos principais detratores o próprio Sammy Hagar – que, aliás, parece falar pelo menos 90% mais de sua ex-banda do que da sua atual, o grande Chickenfoot.

Estes detratores desafiavam e duvidavam que o Van Halen seria capaz de lançar um novo álbum (como Sammy mesmo fez em diversas entrevistas). E agora, em fevereiro de 2012, enfim é chegado o tão esperado lançamento. E as críticas pararam por aí? Negativo.

Desta vez as acusações dizem que os “preguiçosos” Eddie e Dave preferiram recauchutar composições antigas não aproveitadas nos velhos tempos como meio de disfarçar a “volta do velho Van Halen”. Quem está errado? Nenhuma das partes. Se os críticos têm lá sua razão em esperar um álbum 100% novo, os fãs dão graças aos céus pelo fato de o disco ter visto a luz do dia sem que o lendário guitarrista e o vocalista showman brigassem mais uma vez e jogassem tudo pelo ralo. E o que há de errado em reaproveitar boas ideias antigas?

Quem já ouviu as fitas demos antigas que a banda gravou antes de ser contratada pela Warner (pirateadas em larga escala pela internet), vai se lembrar muito bem que, por exemplo, “House of Pain” se fazia presente desde os primórdios da banda e só veio a ser lançada anos depois, no já citado “1984”. E uma das melhores faixas deste novo trabalho, “She’s The Woman”, também é deste período – tendo sido levemente modificada aqui, principalmente na substituição do riff que aparecia no meio da música, que foi utilizado em “Mean Street”, do álbum “Fair Warning” (1981).

Outros grandes momentos ficam por conta da já conhecida faixa de abertura, “Tattoo” (outra que teve trechos reaproveitados de uma antiga canção inédita, “Down In Flames”), a veloz “Chinatown”, o rockão “Bullethead” e a surpreendente “You and Your Blues”. Impossível não ouvir o álbum relembrando os velhos tempos de Diamond Dave com suas calças colantes e seus saltos de kung-fu, em uma arena lotada de fãs em êxtase.

Em suma, o Van Halen fez o disco que todo mundo esperava: um baita disco de rock and roll. Eddie Van Halen continua excepcional nas guitarras, Dave e Alex fazem suas partes com muita competência, mas... e Michael Anthony? Faz falta? Bem, seus backing vocals marcantes fazem sim, assim como sua ausência no palco será extremamente sentida mais uma vez, mas no baixo, o garoto Wolfgang dá conta do recado muito bem. Os fãs podem comprar sem susto e botar pra ouvir com um sorriso no rosto, e tocar sua “air-guitar” vermelha de listras como nos velhos tempos... e torcer para que eles resolvam sair da América do Norte nesta turnê e voltar ao Brasil, pois lá se vão longos 29 anos desde sua única passagem por aqui, em 1983...

"A Different Kind Of Truth" - Van Halen (Interscope Records)

1. "Tattoo" (4:43)
2. "She's the Woman" (2:56)
3. "You and Your Blues" (3:43)
4. "China Town" (3:14)
5. "Blood and Fire" (4:26)
6. "Bullethead" (2:30)
7. "As Is" (4:47)
8. "Honeybabysweetiedoll" (3:46)
9. "The Trouble with Never" (3:59)
10. "Outta Space" (2:53)
11. "Stay Frosty" (4:07)
12. "Big River" (3:50)
13. "Beats Workin'" (5:04)

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Sobre Doctor Robert

Conheceu o rock and roll ao ouvir pela primeira vez Bohemian Rhapsody, lá pelos idos de 1981/82, quando ainda pegava os discos de suas irmãs para ouvir escondido em uma vitrolinha monofônica azul. Quando o Kiss veio ao Brasil em 1983, queria ser Gene Simmons e, algum depois, ao ver o clipe de Jump na TV, queria ser Eddie Van Halen. Hoje é apenas um bom fã de rock, que ouve qualquer coisa que se encaixe entre Beatles e Sepultura, ama sua esposa e juntos têm um cãozinho chamado Bono.

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