Após o polêmico "Dark Passion Play" (2007), que marcou a estreia de Anette Olzon no lugar de Tarja Turunen e não foi muito bem recebido pelos fãs e pela crítica, o Nightwish retorna com "Imaginaerum", um trabalho surpreendente. A banda afastou-se consideravelmente do pop metal com toques góticos e sinfônicos que vinha fazendo em seus últimos discos – característica que alcançou seu ápice no excelente "Once" (2004), mas soou apenas repetitiva em "Dark Passion Play" – e gravou um álbum impressionante.
Nota: 8 







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Mas o ponto-chave é outro. Ao contrário do trabalho anterior, que pareceu ser gravado às pressas para apresentar a nova integrante, aqui o papo é diferente. Em "Imaginaerum", a banda soube dar segurança para a sua vocalista. Anette está visivelmente confortável na função. Mais solta e sem o peso interno da comparação com Tarja, canta com liberdade e desenvoltura, e consegue algo até então impensável: fazer com que não nos lembremos de Tarja Turunen.
A razão para isso passa por um conjunto de fatores. Além da performance excelente de Anette, "Imaginaerum" vem carregado não apenas de grandes composições, mas, principalmente, de ideias inovadoras e inesperadas, que pegam o ouvinte de surpresa. Os arranjos não trazem mais aquela grandiosidade gratuita de outrora. Thomas entendeu que, para o seu estilo, é fundamental que os instrumentos construam paisagens sonoras que transportem o ouvinte para dentro de cada canção. E, ao abrir mão dos exageros e focar em passagens climáticas, o tecladista acerta a mão como poucas vezes fez antes.
A audição do primeiro single do disco, a grudenta “Storytime”, não revela o que é o álbum. "Imaginaerum" é um trabalho profundo e nada superficial, que demonstra com eficiência as aspirações artísticas da banda. O Nightwish tinha tudo para ser muito maior do que já é, mas a saída de Tarja abalou a banda. Agora, com distanciamento, o grupo soube reencontrar a sua essência e gravou um álbum que está entre os seus melhores trabalhos.
"Imaginaerum" funciona, e marca o retorno em grande estilo de uma das bandas de heavy metal de maior sucesso da última década. Ouça!
Faixas:
Taikatalvi
Storytime
Ghost River
Slow, Love, Slow
I Want My Tears Back
Scaretale
Arabesque
Turn Loose the Mermaids
Rest Calm
The Crow, The Owl and The Dove
Last Ride of the Day
Song of Myself
Imaginaerum
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Ricardo Seelig colabora com o Whiplash desde 2005. É o editor do blog Collector´s Room, um dos mais lidos do Brasil, e colaborador da revista poeira Zine.
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