Avantasia: entendam, quem vive de passado é museu

Resenha - Wicked Symphony - Avantasia

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Por Júlio André Gutheil
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Tobias Sammet é um sujeito corajoso. Ele conseguiu um sucesso estrondoso com seus “Metal Opera”, e surpreendeu a enorme legião de fãs do Avantasia ao lançar o tão diferenciado “The Scarecrow”, causando em uns ódio e em outros uma profunda admiração. E eu me enquadraria na segunda opção, pois admiro mesmo artistas que não se prendem ao que fizeram no passado, sempre buscando novos horizontes, novas perspectivas e jamais tem medo de inovar e que em hipótese alguma se torna refém de seus fãs. O Power Metal Melódico que tanto encantou com os já citados clássicos Metal Opera I e II se saturou de uma forma demasiado intensa para que se continuasse apostando nele; e por isso Tobias investiu pesado nessa concepção mais moderna de metal, englobando muito mais elementos, sendo mais abrangente e criando um novo patamar artístico para sua carreira.
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Agora temos os novos lançamentos, “The Wicked Symphony” e “Angel of Babylon”, que juntamente com o “The Scarecrow” formam a “Wicked Trilogy”. O conceito por trás deste trabalho é a continuação da história do Espantalho, um compositor genial do século XIX que se isola do mundo, é rejeitado pelo seu grande amor e que assina uma espécie de pacto com um demônio magistralmente interpretado por Jorn Lande para alcançar o sucesso, a fama e a fortuna. O que se ouve no decorrer das quase duas horas de material dos dois álbuns é música da melhor qualidade, com convidados de altíssimo garbo e elegância, dando vida a personagens sombrios, intensos e com uma carga emocional que faz o ouvinte entrar na mente perturbada do protagonista.

A épica faixa-título de “The Wicked Symphony” abre o disco de forma impactante, com uma orquestra que vai criando o clima para uma introdução bombástica, cheia de peso e feeling, que ganha ainda mais intensidade com a chegada do refrão impressionante no melhor estilo Tobias Sammet, épico, grandioso e grudento, feito para ser cantado a plenos pulmões. Nela temos a primeira aparição do excepcional Russel Allen, com a sua voz mais do que incrível, e de Jorn, soberbo como sempre. Na seqüência temos a melódica e acelerada ‘Wastelands’, que conta com uma interpretação fabulosa de Michael Kiske. ‘Scales of Justice’ é uma porrada, pesadíssima e com um Tim Ripper Owens absurdamente inspirado, encarando a fúria do protagonista de forma visceral.

‘Dying for an Angel’ tem a veia comercial que o mercado musical de nossos tempos exige, mas isso de forma alguma pode ser encarado como um ponto negativo. Como uma faixa que tem a participação de uma lenda do naipe de Klaus Meine poderia ser alcunhada de ruim? E nela temos mais um claro exemplo do talento indiscutível de criar refrões marcantes do senhor Sammet. E vejam só: Andre Matos dá as caras novamente no Avantasia em ‘Blizzard on a Broken Mirror’. É uma música bastante peculiar, com um andamento um tanto quanto quebradiço, com variações que denotam o estado de espírito confuso do nosso protagonista. Uma boa faixa, mas decididamente não é um dos destaques do disco.

Com certeza absoluta, ‘Runaway Train’ é uma das músicas mais belas que Sammet já compôs. Um duelo épico e majestoso entre Jorn Lande e Bob Catley, uma representação de bem e mal se enfrentando operisticamente. Emocionante é a palavra que melhor define. ‘Crestfallen’ também é uma pérola, onde Tobias consegue se destacar bastante, com uma interpretação ora limpa ora rasgada, contrastando com um coral imponente e que pelo menos a mim soa um pouco Doom. Na faixa seguinte Jorn Lande mostra porque é um dos destaques dessa nova fase do projeto, ‘Forever Is A Long Time’ é uma música vibrante, intensa, com uma pegada que mescla com perfeição metal com hard rock que Lande executa com maestria.

‘Black Wings’ chega com um riff pesadão, arrastado, quebrando um pouco o ritmo. Ralf Zdiarstek tem uma atuação marcante, abafada, e carregada de uma forma que soa bastante melancólica. Tobias segue nessa mesma linha de interpretação, sendo talvez a faixa mais tensa do disco. Individualmente muito boa, mas destoa um pouco do restando do set.. Russel Allen reaparece com tudo na rápida e grudenta ‘States of Matter’, que tem ótimos riffs, uma letra fácil e uma vibração incrível. Um dos destaques com certeza.

O primeiro disco termina com a fraca de ‘The Edge’, que não cheira nem fede, uma música comum que não empolga. De fato é o ponto fraco do disco, que poderia ser encerrado com algo mais pomposo e imponente, e principalmente, com mais sal.

Apesar da óbvia chiadeira dos fãs mais conservadores, o disco sim merece um 10. Seria um absurdo não dar essa nota a um trabalho tão bem feito, variado e de músicas tão boas. Chamem Tobias de vendido, chorem por um Metal Opera III, mas entendam o seguinte: Quem vive de passado é museu.

Track List:
01. The Wicked Symphony – 09:29
02. Wastelands – 04:43
03. Scales Of Justice – 05:05
04. Dying For An Angel – 04:42
05. Blizzard On A Broken Mirror – 06:07
06. Runaway Train – 08:44
07. Crestfallen – 04:04
08. Forever Is A Long Time – 05:05
09. Black Wings – 04:39
10. States Of Matter – 03:59
11. The Edge – 04:13

Site: www.tobiassammet.com

My Space: www.myspace.com/tobiassammet

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Sobre Júlio André Gutheil

Nascido em Feliz, interior do Rio Grande do Sul, de origem alemã e com 20 anos de idade. Grande fã de Blind Guardian, Paradise Lost e Opeth, além de outras várias bandas de diversos estilos distintos. Pretende cursar jornalismo e também se dedicar o máximo possível à crônica do mundo Heavy Metal. Escreve no blog www.metalmeltdowndiscos.blogspot.com. Twitter: @jagutheil.

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