Nirvana

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Nirvana


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Biografia originalmente publicada no site Dying Days

O Nirvana foi uma das bandas mais importantes que surgiu nesse final de século e milênio. Sobre seus méritos musicais e líricos, isto deve ser avaliado usando-se critérios pessoais e subjetivos, ficando a cargo de cada um decidir e formar sua opinião (ficar indiferente é difícil). Mas sua importância para o mundo do rock'n'roll, e sua participação no cenário artístico dessa era que se acaba, isto sim é inquestionável, podendo-se até dizer, sem medo de errar, que a banda marcou indelevelmente a história da música.

O grupo acabou sendo escolhido como o símbolo da geração grunge, e, da mesma maneira que este movimento, o seu sucesso foi muito rápido. Mas isso não significa que a banda tenha tido pouca repercussão. Muito pelo contrário: foi super explorada e exposta durante esse período, sendo que dessa maneira, sua história se confunde com a do próprio grunge, dadas as semelhança entre suas trajetórias (vida curta, super exposição na mídia, descaracterização dos propósitos iniciais, etc). O final prematuro de ambos é derivado de vários fatores, sendo que isso dá margem para muita discussão, discussão esta que fica bem caracterizada por acontecer entre dois grupos bem distintos: aqueles que acham que o grunge (e o Nirvana) foi apenas uma moda passageira e descartável, que teve sorte por ter sido escolhido pela MTV para ser a "bola da vez"; e os que não vêem dessa forma, e consideram o movimento como algo válido e com atitude, e que teve o azar de cair nas malhas do comercialismo exacerbado que toma conta do cenário musical de hoje em dia (ainda que, no começo, o movimento tenha sido algo tipicamente underground).

Kurt Donald Cobain nasceu em 20 de fevereiro de 1967, em Aberdeen (à aproximadamente 220 quilômetros ao sul de Seattle), no estado americano de Washington. Devido aos constantes problemas entre seus pais (um mecânico e uma secretária, que vieram a se separar definitivamente quando ele tinha 7 anos), ele morou em vários lugares diferentes, e desde cedo mostrou-se um garoto muito irriquieto, e com problemas de saúde que lhe obrigavam a tomar sedativos e outros remédios (como o Ritalin) para acalmar sua hiperatividade e fazê-lo concentrar-se na escola. Mas os esforços quanto aos seus estudos foram em vão, e logo ele se desligou da vida escolar. Passava grande parte de seu tempo sozinho, ouvindo música e pintando, na maioria das vezes, na casa de outros parentes que aceitavam cuidar do garoto-problema. Sua conturbada infância seria refletida anos mais tarde em várias músicas que ele compôs para o Nirvana. Assim, ainda cedo, ele teve contato e se apaixonou pelo rock'n'roll, e ouvia bandas como Beatles, Monkees, Clash, Kiss, Black Sabbath, Sex Pistols e Led Zeppelin. Aos 14 anos ganhou uma guitarra de aniversário, e ficava cada vez mais claro que a vida do garoto seria sobre algo voltado à música, mais especificamente, ao rock'n'roll.

Kurt foi crescendo e em sua adolescência acabou envolvendo-se com a cenário musical underground da região, onde conheceu e trabalhou com algumas bandas. Entre elas, o Melvins, um dos mais importantes nomes da região e que serviu de inspiração para grande parte das bandas que mais tarde fariam parte do grunge, entre elas, o próprio Nirvana. O som feito pelo grupo era mais ou menos aquilo que veríamos mais tarde virar referência em Seattle: algo entre o punk e o heavy metal. Kurt chegou a formar uma banda (chamada Fecal Matter) com o baixista do Melvins, Dale Crover, mas foi o vocalista, Buzz Osbourne, quem lhe apresentou em 1985 o seu futuro melhor amigo, Krist Novoselic. Foi também Buzz quem lhe apresentou outras bandas que seriam mais tarde a influência punk do Nirvana, como Stooges, Black Flag e Flipper. Meses depois, Kurt e Krist (que também possuia interesse pelo punk rock) mudam-se para Olympia, atraídos pelo cenário musical dessa cidade. Lá se tornam figurinhas fáceis nos shows e bares de rock underground. Formam sua primeira banda em 1986, chamada Stiff Woodies. Cobain ficou com a bateria e Krist com o baixo, e os outros instrumentos ficavam com vários amigos diferentes, que entravam da banda para logo depois sair. Da mesma maneira que mudavam as formações, mudava o nome da banda: passaram também por Skid Row e Sellouts. Durante essas mudanças, as posições entre os membros também eram trocadas, e no final de 1986, a banda estava com Cobain cantando e tocando guitarra, Krist ainda no baixo e Aaron Burkhart na bateria. Com a saída de Aaron, Chad Channing assume as baquetas, e a banda troca o nome definitivamente para Nirvana (título tirado de um dos conceitos chaves da religião budista ).

O ano de 1986 também foi importante por causa da criação do selo alternativo Sub Pop, pelos amigos Jonathan Poneman e Bruce Pavitt, sendo que este último viera para Seattle ao lado de Kim Thayil, que mais tarde formaria o Soundgarden. O objetivo do selo era ajudar bandas independentes em início de carreira, que pipocavam aos montes nesta região. Seria o responsável por mostrar o Nirvana ao mundo, pouco tempo depois.

Assim, podemos dizer que o ano de 1987 marca o início da meteórica carreira do Nirvana. Este início é o mesmo de todas as bandas saídas do underground: shows e pequenas apresentações em bares, festas e universidades locais. Mas já era notável que o trio tinha algo mais do que as tantas outras bandas que buscavam seu lugar ao sol. O som produzido por eles já se caracterizava por ser uma mistura contagiante da agressividade e rebeldia do punk rock com o peso e energia do metal/hard rock. A banda ainda não construía as cativantes melodias que mais tarde viriam a se tornar um dos fatores responsáveis pela popularização do conjunto ao redor do mundo, mas já se percebia a facilidade e a criatividade de Kurt em criar músicas e refrões simples, "pegajosos" e empolgantes.

O som também era ainda bastante sujo, em comparação com o que viria depois. Por fim, Kurt se destacava por seu carisma e letras simples e honestas que escrevia, com as quais o público jovem que passou a admirá-lo se identificou imediatamente. Desta maneira, a banda ganhou notoriedade no underground americano em pouco tempo, ganhando um público fiel e que iria se tornar mais tarde a essência dos personagens da cultura grunge, assim como Kurt Cobain seria eleito o porta-voz dessa geração.

Foi através dessa relativa fama que o produtor Jack Endino tomou conhecimento da banda. Depois de encontrá-los e ficarem amigos, ele ajudou-os a produzir algumas fitas demo com as quais convenceu seu amigo Jonathan Poneman, da Sub Pop, a firmar um contrato com eles. O primeiro fruto desse contrato foi um single lançado em dezembro de 1988 com as música "Love Buzz" (cover de uma banda holandesa chamada Socking Blues) e "Big Chesse". O lançamento final desse single foi marcado por alguns problemas (era originalmente para ter sido lançado em junho) devido às dificuldades financeiras da gravadora. Apesar de fazer um excepcional trabalho de divulgação de várias excelentes bandas que não encontravam apoio nas grandes gravadoras (que sempre vêem com maus olhos pequenas bandas que podem roubar o lucro certo que elas possuem ao investir nos grandes nomes mundiais), a Sub Pop continuava a ser um pequeno selo alternativo e underground, e os problemas financeiros freqüentemente atrapalhavam os dignos propósitos de seus fundadores. E acabou não sendo diferente com o Nirvana, que não só viu o atraso do lançamento de "Love Buzz", como também teve que aceitar um aumento no preço final do material, para tentar evitar uma possível perda de dinheiro investido pela gravadora. Felizmente, não foi o que aconteceu: o single vendeu bem, principalmente devido ao fato de o Nirvana já possuir um público fiel, formado nas famosas e incendiárias apresentações da banda em Olympia e Seattle. Empolgada com o sucesso, a Sub Pop resolve arriscar e investir em um álbum para o trio, além de promover um grande esquema de divulgação para eles. Por fim, vale destacar que o single de "Love Buzz" ficou também conhecido por ter sido o primeiro a fazer parte de uma promoção especial da Sub Pop, chamada "The Singles Club", que distribuia singles das bandas de seu cast em formato vinil para os clientes que assinaram esse serviço e pagavam por isso uma pequena quantia mensal. Com o dinheiro arrecadado nesse original e triunfante esquema comercial, a Sub Pop pagou a estadia em Seattle de um famoso editor inglês da revista "New Music Express". O objetivo era fazê-lo conhecer a fervilhante cena underground da região, de maneira que ele a divulga-se lá fora. Não deu outra: o influente editor, chamado Everett True, ficou impressionado com bandas como Mudhoney, Nirvana e Soundgarden, e as fez virar notícia na Europa também. A partir desse momento, o grunge também passou a receber atenção por parte da indústria musical e dos amantes do rock'n'roll que não necessariamente moravam em Seattle ou arredores. Ainda não era a histeria que viria a ser na primeira metade da década seguinte, mas o embrião do sucesso do grunge começou a se desenvolver aí. As bandas de Seattle passaram a fazer turnês maiores e começaram a ver seus nomes escritos e reconhecidos em várias revistas e publicações dos EUA e da Europa. E o Nirvana desde o começo aparecia como o expoente desse movimento, a despeito de haverem bandas mais experintes, como o Soundgarden, Mother Love Bone e o Mudhoney, que já algum tempo batalhavam no underground em busca do merecido reconhecimento (e que não demoraria a chegar).

Assim, enquanto o Nirvana continuava em um ritmo alucinante de shows e apresentações, o grupo começa a pensar também na gravação de seu primeiro disco, oferecido pela Sub Pop. A banda também teve apoio financeiro de Jason Everman (que mais tarde teria uma rápida passagem como baixista do Soundgarden), que acabou tendo, como agradecimento por parte da banda, seu nome citado no encarte do álbum como guitarrista. Na verdade, ele só tocou com o grupo em uma ocasião: na gravação de um cover do Kiss, a música "Do You Love Me?", que entrou em um disco tributo aos caras-pintadas lançado pouco antes da gravação do primeiro álbum do Nirvana. Este começa então a ser produzido em 1988, sendo que sua produção demorou aproximadamente dois meses, à um custo final de exatos 606,17 dólares. Finalmente, o álbum intitulado "Bleach" foi lançado em junho de 1989 (a Sub Pop ainda possuia os velhos problemas financeiros que atrasaram a sua chegada às lojas, apesar de a situação estar melhorando sensivelmente). Curiosamente, no encarte, a grafia do primeiro nome de Cobain aparece como Kurdt. O disco vende cerca de 35.000 cópias e dá um bom retorno à Sub Pop, confirmando que a cena local (que logo à seguir convencionaria-se chamar de grunge) e bandas como o Nirvana estavam chamando cada vez mais atenção, inclusive das grandes gravadoras.

"Bleach" é um pequeno clássico. Estão lá as melodias grudentas (ainda que não tão grudentas), os riffs simples e criativos, a energia punk e os vocais ensandecidos de Cobain. Tudo ainda bastante tosco e primal. Vários são os destaques do disco, entre eles, "About a Girl", "Downer", "Negative Creep", "School" e "Floyd the Barber".

Durante a turnê de divulgação do álbum, o fantasma das mudanças no line-up voltam a assombrar a banda. Chad Channing sai em maio de 1990 alegando diferenças musicais com os outros dois integrantes, e para seu lugar inicialmente é chamado Dale Crover do Melvins, antigo amigo de Kurt. Mas este também não fica muito tempo, e logo depois quem assume as baquetas é Dan Peters, do Mudhoney. Na verdade, esses bateristas estavam apenas quabrando um galho para o Nirvana, enquanto estes não achavam um baterista definitivo, até por que os dois já tinham suas bandas para levar adiante. É com Peters na bateria que o Nirvana grava, ainda em 1990, seu segundo single, chamado "Sliver", e que além da música-título possuia também a música "Dive". Gravam também, juntamente com o produtor Butch Vig (que hoje em dia é o baterista da banda Garbage e produziu outros clássicos do rock alternativo, como o disco "Siamese Dream" do Smashing Pumpkins e "Dirty" do Sonic Youth), um EP chamado "Blew". Este mini-disco possui seis músicas, entre elas, a primeira versão de "Smells Like Teen Spirit", que mais tarde se tornaria a canção de maior sucesso do conjunto (e que teve seu riff principal copiado de uma música do grupo Boston). "Blew" saiu em uma edição limitada, o que faz dele uma raridade hoje em dia. E, em outubro de 1990, eles finalmente acham um baterista definitivo: é Dave Grohl, que veio da banda de hardcore Scream.

O Nirvana continuava a sair do anonimato cada vez mais rapidamente, e depois de finalmente resolver negociar com as várias grandes gravadoras que assediavam a banda, eles são aconselhados pelos amigos do Sonic Youth e resolvem assinar contrato com a DGC (uma divisão da Geffen Records) em abril de 1991. A Sub Pop também ganhou com a mudança, afinal, o pequeno selo arrecadou um bom dinheiro pela rescisão de contrato com o Nirvana, devidamente pago pela DGC.

De casa nova, a banda entra em estúdio ainda em 1991 para gravar seu segundo álbum. Novamente com a produção de Butch Vig, o resultado é lançado em 24 de setembro do mesmo ano, e é chamado "Nevermind". O disco conta com uma ótima produção, que destaca bem as excelentes melodias criadas por Cobain, além de limpar bastante o som produzido pelo conjunto, que no final das contas acaba soando mais comercial e acessível do que em "Bleach". Mas isso tudo sem perder as virtudes que caracterizaram o Nirvana desde o início: o disco é recheado de riffs inesquecíveis, belas letras, músicas agressivas (mostrando que a veia punk da banda continuava latente), outras pesadas e mais voltadas ao hardcore, sempre com bases e arranjos simples mas extremamente bem sacados e criativos, além de mostrar também uma outra faceta de Cobain: a de compor belíssimas baladas. Enfim, é uma obra-prima do início ao fim, onde todas as músicas se destacam. Apontar destaques é difícil, da mesma maneira que é dificil não se emocionar com músicas como "Smells Like Teen Spirit"(que virou o hino do grunge), "In Bloom", "Drain You", "On a Plain" e "Lounge Act". "Come as You Are" e "Lithiun" viraram hits radiofônicos de imediato, além, claro, de "Smells Like Teen Spirit". A citada veia punk fica evidente em "Territorial Pissings" e "Stay Away". E o lado mais delicado e emotivo de Cobain nos dá duas pérolas chamadas "Polly" e "Something in the Way". No final do ano, muitas revistas e a imprensa em geral não hesitam em eleger "Nevermind" como um dos melhores discos de rock já lançados.

"Nevermind" acaba sendo um evento quase que único na história da indústria fonográfica e da música em geral: o disco, que de acordo com as previsões iniciais da DGC iria vender aproximadamente 100.000 cópias, atinge hoje o impressionante número de 10.000.000 de cópias vendidas, e continua a vender regularmente mesmo depois de quase uma década de seu lançamento.

Mesmo sem contar com divulgação pela MTV ou rádio, o disco virou um fenômeno de vendas logo de início, e ficou durante muito tempo nas paradas de sucesso (tendo atingido a primeira posição nas paradas americanas em fevereiro do ano seguinte). O Nirvana tem seu nome levado à posição de grande sensação do rock mundial, assim como toda geração de bandas de Seattle tem seus nomes reconhecidos e expostos. O grunge vira a moda do momento, e começa a ser impiedosamente explorado pela mídia, assim como todas as bandas que faziam parte desse cenário. Seattle, que antes disso havia dado "apenas" Jimi Hendrix ao mundo, passa a ser o grande centro das atenções. Kurt Cobain vê sua vida invadida e seus valores completamente deturpados, em nome do comercialismo selvagem. Vira um típico (e talvez, o maior de todos) ícone pop, e seu rosto é estampado em camisetas, revistas, posters e tudo mais que a indústria do lucro conseguia inventar. Isso tudo, sem levar em consideração se o público entendia ou não a mensagem e o conteúdo, não só do Nirvana, como também de toda a estética grunge. O importante era aproveitar o momento e explorar o movimento, uma vez que uma geração de jovens inteira se identificou de imediato com a proposta das bandas vindas de Seattle, e, em especial, do Nirvana.

Aí começam os problemas. Kurt mostra imediatamente ser incapaz de suportar e ser aquilo em que ele se transformou. Esse tipo de sucesso o incomodava, e o seus antigos problemas com as drogas voltam a atrapalhar sua carreira e o seu relacionamento com as pessoas próximas. Assim como começa a ficar evidente também a sua tendência a ser depressivo (fato já facilmente percebido através do conteúdo lírico do Nirvana), a ponto de ser diagnosticado como maníaco-depressivo, com fortes tendências suicidas. Contribui com essa última conclusão o fato de Cobain possuir uma coleção de armas em casa, e adorar posar para fotografias com elas, geralmente apontado-as para sua própria cabeça (sem contar o clip de "Come as You Are", que fala por si só). Ainda assim, nada atrapalhou a incrível ascensão do Nirvana, e por volta de 1992, eles possuiam prestígio e sucesso poucas vezes vistos antes na história do show-business.

Para muitos, isso não fazia diferença: o Nirvana e o grunge como um todo eram apenas uma moda passageira e descartável criada pela MTV, que consegue catapultar quem quiser para o sucesso. Para esses, a atitude e o conteúdo lírico do movimento eram algo inexistente, descritos como "niilismo de boutique". A tal geração X era simplesmente um monte de pré-adolescentes que esboçavam uma rebeldia sem causa, apenas para provarem aos adultos que não eram os jovens mimados, alienados e fúteis que pareciam ser. Mas para outros, o grunge significou muito mais do que isso: foi a retomada de valores na música que estavam esquecidos e ignorados pela mídia fazia um bom tempo. Música essa que, no início da década de 90, caracterizava pela quase completa desvencilhação entre a qualidade lírica e a qualidade musical propriamente dita. Resumindo: bandas com muita pose e poucas idéias. Na verdade, conjuntos bons e inteligentes existiam e sempre vão existir, mas estavam presos ao underground (aquele mesmo que foi o pano de fundo do início do Nirvana), e não obtinham apoio o suficiente para terem seus trabalhos bem divulgados; ou então faziam parte de uma corrente musical específica com público específico, como o bom e velho heavy metal. E o que se via e ouvia era justamente o lixo mais comercial e despretenscioso de idéias e atitude possível. E aí entra Seattle e o seu underground, que, talvez em um lance de sorte, ou talvez por competência e qualidade de seus personagens, acabou indo além e fez a mídia se arrepender rapidamente dessa incredulidade com relação a sua validade. Essa mídia, ao sentir o cheiro de dólares, corre atrás e consegue se recuperar, e aí estavam Pearl Jam, Soundgarden, Alice in Chains, Screaming Trees e o próprio Nirvana ajudando à encher os cofres de todas as partes envolvidas. Os fatos e bandas estavam aí, cabendo a cada um decidir sobre os méritos e os deméritos do grunge enquanto movimento e estilo musical. O seu fim prematuro serviu para os detratores de Seattle jogar na cara dos apreciadores o quão vazio e superficial era a idéia toda, afinal, se não o fosse, não perderia o gás tão cedo; estes, por sua vez, rebatem - não desprovidos de razão - dizendo que daqui por diante, em um mundo onde a TV e os meios de comunicação em massa são os grandes formadores de opinião, vai ser sempre assim, ídolos e estilos serão levados do anonimato ao sucesso em um dia (e vice-versa), à bem entender da vontade desses grandes tubarões, e independente da qualidade e dos méritos de seus "produtos". Bom, essa questão pode ser discutida eternamente, e não é o propósito desse texto estender isto ainda mais adiante...

A rotina alucinante do Nirvana continuava: shows lotados, entrevistas, matérias em revistas, em jornais e em programas de televisão eram o dia-a-dia do trio. A banda não tinha tempo para descansar e botar as idéias no lugar, uma vez que tudo aconteceu muito rápido. Muitas vezes faziam shows em grandes lugares (no Hollywood Rock de 1993 eles tocaram para 35.000 pessoas), mesmo insatisfeitos com isso, pois preferiam os pequenos shows e concertos que faziam em início de carreira. "Em um pequeno ginásio, nossa energia flui melhor" comentou Dave Grohl, na ocasião do Hollywood Rock. Kurt mostrava-se com medo de perder aqueles "verdadeiros" e antigos fãs do início de carreira da banda, nos tempos de shows em bares e pequenos locais. Algumas apresentações na televisão americana ficaram famosas, como a no "Saturday Night Live", onde Cobain e Novoselic se beijam após a performance da banda. Aparecem também no "Headbanger's Ball" (um programa da MTV) e também em um programa da BBC chamado "Top of the Pops", onde eles dublam "Smells Like Teen Spirit" da maneira mais desleixada (e hilária) possível. E ainda com relação aos shows, a banda insiste em não mudar sua imagem, sempre usando as roupas rasgadas e velhas além de protagonizar as já costumeiras seções de quebra-quebra de intrumentos (que também acontecem sem cerimônia nos programas de TV), herança de um passado não muito distante como banda underground. No Hollywood Rock de 1993, Kurt continua a protagonizar atitudes nada convencionais, e choca a todos ao masturbar-se diante das câmeras. Ele começa a mostrar-se cada vez mais desequilibrado, não só mentalmente como também fisicamente.

Fora da música, seu romance com a vocalista do conjunto Hole, Courtney Love, rendia fofocas e matérias para os inúmeros tablóides sensacionalistas (e mesmo para respeitadas revistas e jornais), que não cansavam de noticiar (e inventar) brigas e quaisquer outros acontecimentos relacionados à dupla. Eles se casaram em uma cerimônia realizada no Hawaii em fevereiro de 1992, e anunciaram que estavam esperando uma filha para agosto. Na imprensa, surgiram boatos de que Love e Cobain continuavam a consumir heroína e outras drogas regularmente, mesmo estando ela grávida. Eles negavam tudo veementemente, apesar dos problemas de saúde de Cobain ficarem cada vez mais claros, chegando inclusive a obrigar o Nirvana a cancelar alguns shows.

Isso fez com que algumas instituições de proteção à criança entrassem com um processo na justiça de Los Angeles, tentando tirar a futura guarda da criança do casal, mas sem obter sucesso. Frances Bean Cobain nasceu com saúde em 18 de agosto de 1992. Um pouco antes disso, em junho, Kurt confirmara que estava sofrendo de problemas crônicos no estômago (certamente, causados pelo constante uso de drogas, desde a infância), tendo sido inclusive levado à um hospital em Belfast depois de um show na Europa, pouco tempo atrás.

Com uma família para cuidar, Kurt pareceu acalmar um pouco, tentando suavizar a rotina de rock-star (ainda que contrariado). O Nirvana passou a escolher melhor os shows em que se apresentaria, e passada a euforia inicial, eles tentaram virar um grupo de rock normal. Devido a impossibilidade de lançar material inédito ainda em 1992, decidem lançar uma coletânea de antigas gravações da banda, com músicas que só saíram em singles, raridades, demos e lados B, para saciar a grande legião de fãs, ávida por novidades do grupo. "Incesticide" é um bom álbum, que mostra um Nirvana mais seco e sujo do que em "Nevermind", afinal, a maioria das faixas que lá estão foram produzidas e gravadas no período em que a banda ainda não estava em uma grande gravadora e não gozava das facilidades que esta proporciona. Várias são as faixas que se destacam, entre elas, as contagiantes "Son of a Gun", "Been a Son" e "Molly's Lips", as diferentes versões das já conhecidas "Downer", "Sliver", "Dive" e "Polly" (essa última tocada em ritmo de punk rock, bem diferente da versão que ficou conhecida no disco "Nevermind"), além da clássica "Aneurysm", que sempre foi um dos pontos altos nos shows da banda. Destaque final para a capa do disco, que é um desenho feito por Kurt quando este costumava pintar.

Em 1993, a banda volta finalmente aos estúdios para a gravação de um novo disco. O produtor escolhido foi Steve Albini e o novo trabalho foi concluído em duas semanas, durante a primavera americana. Ao mesmo tempo, ficavam fortes os rumores de que Cobain estava tendo uma nova recaída, e seus problemas pessoais voltavam a perturbar a banda. Pouco tempo depois, esses rumores, infelizmente, começaram a se mostrar verdadeiros: Kurt teve uma overdose de heroína no dia 2 de maio e só se salvou devido ao rápido atendimento médico, fato que foi escondido da imprensa durante um longo tempo; em junho, Courtney Love chamou a polícia na casa do casal, pois Kurt supostamente estaria trancado no banheiro com uma de suas armas dizendo que iria se suicidar; ainda em junho, no final do mês, ele é vítima de uma nova overdose, em um hotel de New York, antes de uma apresentação da banda no Roseland Ballroom. Depois de superar esses acontecimentos, ele aceita se internar em um centro de recuperação, para ver se consegue se livrar definitivamente das drogas. Mas Kurt não aguenta muito tempo e sai desse centro antes de terminar o programa.

A despeito de todos esses problemas, "In Utero" é lançado em 23 de setembro de 1993. É mais um excelente disco de Cobain e cia: letras interessantes e pessoais, riffs e melodias carregados de emoção, belas baladas, canções transpirando angústia e indignação, e muita inspiração e criatividade. O disco tem alguns momentos bem mais raivosos do que em "Nevermind", como nas extremas "Tourette's", "Milk It", "Scentless Apprentice" e na mais contida e inspirada "Very Ape". Possui também seus momentos acessíves e feitos sob medida para virar hit de rádio, como em "Heart Shaped Box" e "Frances Farmer Will Have Her Revenge on Seattle". "Rape Me" é endereçada à repórter Lynn Hirschberg, da revista "Vanity Fair", que foi a primeira a questionar se Kurt e Courtney seriam bons pais para a pequena Frances Bean. "Dumb" e "Radio Friendly Unit Shifter" são músicas com letras bem pessoais, com destaque para a última que explode em um segundo refrão emocionante e que poderia muito bem responder sozinho por Kurt Cobain ("Hate your enemies, save your friends, find a place, speak the truth", grita ele). "Serve the Servants" está para "In Utero" assim como "Smells Like Teen Spirit" está para "Nevermind": é a canção que fala sob a ótica da tão difamada geração X. "Pennyroal Tea" é uma das mais belas músicas compostas por Kurt (e que ficaria muito mais bonita e emocionante na versão acústica tocada pela banda meses depois). Por fim, "All Apologies" fecha de maneira enigmática esse excelente disco, onde Kurt se desculpa pelas coisas não terem acontecido de maneira diferente. Mais duas considerações sobre "In Utero": vê-se claramente que o disco está mais sujo e com produção mais displiscente em certos aspectos do que em "Nevermind". Na verdade, os instrumentos estão mais altos e evidentes, e a qualidade da gravação deles está melhor. Mas a produção como um todo, a harmonia das músicas, está mais suja e descuidada, dando a nítida impressão de que foi este mesmo o objetivo da banda e de Albini: tentar fazer o Nirvana soar como em início de carreita, talvez como uma resposta para aqueles que insistiam em dizer que o grupo tinha se vendido ao mainstream e ao mundo pop. Em várias músicas ouvimos guitarras distorcidas (isso chega ao limite em "Milk It") e até barulhos de microfonias e coisas do tipo, resultantes do fato de a banda ter tocado as canções como se fosse ao vivo, sem overdubs. Isso é, sem dúvida alguma, um dos destaques do álbum, apesar da técnica dos músicos (que nunca foi o grande mérito do grupo, até pelo contrário) ter sido assim completamente ignorada aqui: ficou mais valorizada a emoção que o Nirvana sempre passou em suas composições. Inclusive, muitos boatos surgiram na época dando conta que a DGC não tinha ficado nem um pouco satisfeita com isso tudo. Ainda sim, devido ao prestígio do grupo na gravadora, eles conseguiram manter essa idéia inicial, cedendo apenas em remasterizar o disco com o produtor Scott Lit (que já trabalhou com o REM). Ele deu uma suave limpada no disco, mas no final das contas, não mudou muita coisa. A consideração final é acerca das letras que Kurt escreveu para esse disco, que realmente estão excelentes, mais maduras e, por vezes, intimistas. Em faixas como "Serve the Servantes", "Radio Friendly Unit Shifter", "All Apologies" e "Frances Farmer Will Have Her Revenge on Seattle" fica evidente que não podemos acusar Cobain de toda aquela falta de conteúdo que assombrava o rock na época em que o grunge surgiu.

"In Utero" também foi aclamado pela crítica e pelo público. Obviamente não fez o mesmo sucesso que "Nevermind", mas de qualquer maneira o Nirvana voltara a ficar em evidência. A banda parte para mais uma exaustiva turnê em outubro, contando com a ajuda do guitarrista Pat Smear (ex-Germs). Eles ainda acham um tempo para gravar um show acústico para a MTV, em novembro. Esse show foi certamente o último grande momento da carreira do Nirvana, e, sem dúvida alguma, um dos melhores: Cobain parece estar no auge da inspiração para cantar e interpretar, e a banda toda (juntamente com todos os outros músicos de apoio) está muito bem.

Esse não foi o primeiro show acústico promovido pela MTV, mas certamente foi o que popularizou esse tipo de apresentação, além de ter sido um dos mais emocionantes. A banda não tocou seus maiores sucessos, mas soube escolher muito bem as músicas que fariam parte do repertório, e que acabaram se encaixando perfeitamente no contexto e nesse tipo de show.

No total foram 6 covers: "The Man Who Sold the World" de David Bowie, "Jesus Doesn't Want me for a Sunbeam" do Vaselines, "Where Did You Sleep Last Night" do Leadbelly e "Plateau", "Oh, Me" e "Lake of Fire" do Meat Puppets. Essa última banda, uma das que Cobain mais gostava quando jovem, subiu ao palco como convidada, para tocar suas três músicas. Todas essas seis canções ficaram excelentes, com atuações magistrais de Cobain, com destaque para "Jesus Doesn't Want me for a Sunbeam" e "Plateau", que ficarem realmente emocionantes. A banda tocou ainda algumas músicas de seu repertório, como "Come as You Are", "About a Girl", "Polly" e "Pennyroyal Tea". Essa última pode ser apontada como o destaque final do disco, uma atuação belíssima de Kurt, muito emotiva e inspirada. A música foi toda interpretada por ele, uma vez que ela precisou apenas de voz e violão. Kurt calou a boca de uma vez por todas daqueles que falavam que ele não sabia cantar . Ainda pela MTV, a banda grava um especial de final de ano. O final de ano que seria o último vivido por Kurt Cobain.

Continuando na estrada, a banda faz seu último show nos EUA no dia 8 de janeiro de 1994, no Center Arena de Seattle. Depois de um pequeno descanso, no dia 2 de fevereiro eles partem para uma turnê européia, que pretendia cobrir vários países desse continente, entre eles, França, Portugal, Iugoslávia, Alemanha e Itália. Mas depois de um show em Roma, na Itália, a banda decide dar um tempo para mais um descanso, uma vez que Kurt não estava aguentando a dura rotina de shows e apresentações. Juntamente com Courtney, ele decide tirar mais umas férias na própria Itália, para descansar um pouco.

Ele parecia estar cada vez mais fragilizado e doente, e o seu problema com as drogas o impedia definitivamente de levar uma vida normal. No dia 4 de março, Courtney Love achou Kurt Cobain inconsciente em seu quarto, no hotel Rome's Excelsior. Ele acabara de ter uma overdose de um tranquilizante chamado Rohypnol, misturado com champagne. A partir daí, a situação não teria mais volta. A banda tentou divulgar que esse acontecimento foi apenas um acidente, mas logo descobriu-se a existência de uma carta de despedida escrita por Kurt, provando assim que sua vontade era mesmo suicidar-se. Amigos, empresários, banda, parentes e fãs mobilizam-se, pois viram que a situação dessa vez era muito grave. Depois de permanecer em coma por 20 horas, Kurt acorda e é convencido à voltar para Seattle e ingressar novamente em um centro de recuperação. Era evidente que ele precisava de muito repouso e tempo para se recuperar.

Em Seattle, antes ainda de Kurt ingressar no referido centro, uma outra ocorrência deixa todo mundo ao seu redor alarmado novamente: no dia 18 de março, ele trancou-se em seu quarto em sua mansão, novamente com uma arma tirada de sua coleção e ameaçando matar-se. Mais uma vez o problema é contornado e finalmente no dia 30 do mesmo mês ele dá entrada no Exodus Recovery Center, em Los Angeles, para iniciar um tratamento intensivo visando sua recuperação. Os médicos desde cedo alertaram que não seria uma tarefa fácil, tendo em vista que sua dependência estava muito violenta e seus problemas no estômago também ajudavam a manter seu organismo muito fraco e desequilibrado. Mas a situação volta a ficar complicada mais rápido do que todos esperavam, e dessa vez, irremediavelmente: aproveitando uma falha imperdoável de segurança do Exodus Recovery Center, Kurt escapa no dia seguinte à sua entrada e a partir daí não mais foi visto. Diz-se que ele passou de 3 a 4 dias perambulando pelas ruas da cidade tentando achar drogas para consumir, como se fora um mendigo.

No dia 8 de abril de 1994, um eletricista contratado por Courtney Love foi na mansão dos Cobains para instalar um sistema de alarme. Andando pelo subsolo da casa, ele tropeça em algo, perto de uma mesa. Ao acender a luz, ele percebe que havia esbarrado em um corpo estirado ao chão, com a cabeça esfacelada devido provavelmente à um tiro disparado pela arma que estava caída ao seu lado. Em cima da mesa, uma carta. De acordo com a perícia médica que logo foi chamada ao local, Kurt Cobain se suicidara 4 dias antes, aproximadamente, no dia 4 de abril, mesmo dia em que sua mãe foi a delegacia declarar seu filho como desaparecido. Em seu organismo, havia heroína o suficiente para matá-lo sem que ele necessitasse de um tiro de uma arma de calibre 38 na cabeça: era apenas uma questão de minutos. De uma vez por todas, estavam confirmadas todos os diagnósticos que lhe taxavam como um maníaco-suicida em potencial.

Sua morte abalou o mundo do rock. Centenas de programas especiais em rádios e televisões prestavam suas homenagens ao jovem talentoso que não soube levar sua vida e controlar seus problemas pessoais, de maneira a aproveitar os lados bons da fama e do sucesso. Muitos o acusaram de egoísmo (realmente, em um mundo materialista como o nosso, é difícil entender como alguém que pode ter tudo que quer na vida seja tão depressivo como Kurt o fora), mas poucos perceberam que a droga era em seu caso, antes de tudo, uma doença e uma fraqueza. Isso, misturado à notoriedade e ao dinheiro (de alguém que nunca quis tê-los), escreveu o atestado de óbito de Cobain. Muitas pessoas ficam iradas quando lêem esse tipo de defesa à Kurt Cobain e a frase que mais usam é algo do tipo: "Ninguém é obrigado a ficar famoso e aparecer na televisão". Será? O que matou Kurt foi justamente isso, sua incapacidade de controlar sua ambição e seu objetivo, não só causada pelo fato de ele ser dependente químico e sofrer de depressões mortais e outros desequilíbrios expostos freqüentemente ao longo desse texto. Também ajudaram a terminar de maneira trágica a carreira do Nirvana o fato de tudo ter acontecido muito rápido na trajetória da banda, e o fato de terem sido escolhidos pela mídia para serem os porta-vozes de uma geração. Dificilmente alguém doente e sensível como Kurt Cobain poderia ter aguentado tal fardo e evitado se tornar o que ele acabou se tornando, por mais que não quisesse. Cobain até que tentou negar seguir os caminhos que o levassem a vender sua rebeldia e estética para uma multidão de pré-adolescentes que não entendia nada que ele queria dizer, mas necessitavam de diferentes ídolos de plástico a cada ano. Mas mesmo lutando contra tudo isso, a mídia encarregou-se de colocar sua atitude e imagem em uma embalagem bem agradável e atraente para a comercialização sem limites.

Kurt Cobain foi alçado a posições ainda mais altas das que ele já gozava entre seus fãs e seguidores. Para esses, hoje ele repousa ao lado de Jimi Hendrix, Jim Morrison e Janis Joplin. Sua morte foi o primeiro passo para o fim da chamada era grunge. Surgiram teoria absurdas como as que garantiam que a morte de Cobain fora arquitetada e executada por Courtney Love, e até pelo FBI. Os detratores de Seattle riam à toa, dizendo estarem certos desde o início. A aura mágica de Seattle aos poucos foi se desfazendo até sumir quase que completamente.

Dave Grohl passou um tempo em silêncio, e hoje em dia é o guitarrista e vocalista de uma banda de bastante sucesso, o Foo Fighters, que conta também com o guitarrista Pat Smear, e já tem três discos lançados: "Foo Fighters" (lançado em 1995), "The Colour and the Shape" (que possui uma canção em homenagem à Kurt, chamada "My Hero") e "Theres Nothing Left To Loose". O som da banda é parecido com o do Nirvana, com mais pitadas de punk rock e energia, deixando as melodias tristes e raivosas para trás. Já Krist Novoseliv ficou mais tempo longe da música (tempo que aproveitou para participar de várias causas de cunho social), e apenas em 1997 ele resolveu levar adiante um outro projeto, bem menos convencional. É a banda Sweet 75, que conta com uma vocalista venezuelana que canta algumas músicas em espanhol e músicas bem mais ecléticas e variadas do que na época de Nirvana. Dave e Krist lançaram no final de 1994 o disco "Unplugged in New York", que contém a histórica apresentação do Nirvana em formato acústico para a MTV. E em 1996, lançaram um registro ao vivo do grupo, chamado "The Muddy Banks of the Wishkah", que possui os maiores sucessos do conjunto tocados em vários shows em lugares diferentes.

Por muito tempo foi especulado o lançamento de material inédito do Nirvana, que ainda possui muitas músicas que não foram lançadas em disco. A maioria delas circula em mp3 pela internet, mas os fãs ainda aguardam um lançamento oficial. A idéia inicial de Dave e Krist era de lançar uma box set, caixa contendo vários cd's de material inédito. O lançamento esteve nos planos, Dave e Krist inclusive trabalharam na seleção de material para que a caixa fosse lançada para coincidir com os 10 anos de Nevermind, mas uma briga judicial impediu o projeto fosse adiante. De um lado, Courtney Love, detentora da maior parte dos direitos sobre as músicas em nome da família Cobain e de outro Dave e Krist, os remanescentes da banda discutiram na justiça o futuro da obra do Nirvana. Courtney não queria a caixa, era favorável num primeiro momento a uma coletânea contendo os maiores sucessos da banda e uma única faixa inédita. Através de um acordo judicial em 2002, ficou decidido que a coletânea seria lançada primeiro, ainda no final daquele ano. A box set seria lançada em 2003. Assim surgiu em novembro de 2002 a coletânea "Nirvana" contendo os maiores sucessos da banda e a inédita "You Know You're Right", gravada poucos meses antes da morte de Kurt Cobain em 1994. Na mesma época é lançado o livro "Journals" baseado nos diários de Kurt, que vem a somar as biografias "Heavier Than Heaven" e "Come As You Are" na já fasta bibliografia sobre a banda.

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