Renaissance: Noite de encanto e rock progressivo em São Paulo
Resenha - Renaissance (Espaço das Américas, São Paulo, 25/05/2017)
Por Fernando Yokota
Postado em 26 de maio de 2017
Em um dos cantos da Odisseia, Homero conta que Ulisses queria ouvir o canto das sereias, ainda que tivesse plena consciência de que morreria naufragado caso cedesse à tentação. A solução foi a de ser amarrado ao mastro do navio enquanto o resto da tripulação tinha seus ouvidos cobertos por cera estando portanto, imunes ao encanto.
Depois de quase cinco décadas de espera, enfim a cidade de São Paulo pode finalmente se entregar à voz de Annie Haslam num show do RENAISSANCE, nome lendário entre as fileiras do rock progressivo, com toda a pompa e circunstância que a ocasião pede. Diferente do que pode ser chamado de um "show de rock normal", o grupo passou ao largo de se esconder atrás de uma indiscernível parede sonora, trazendo uma experiência que era quase a de estar ouvindo um CD numa grande sala.
Única peça original do conjunto, Haslam é apoiada por uma competentíssima banda e dá o tom da apresentação com seus característicos timbre e tessitura vocais. O som da casa, configurado para não soar absurdamente alto, tornou ainda mais fácil a apreciação da bela voz da inglesa, que soava de forma natural e clara sobre a cama instrumental.
Ao falar sobre o primeiro movimento de Symphony of Light, Haslam explica que a composição é inspirada num velho Leonardo da Vinci que, ao acordar, abre a janela de seu aposento pra se encontrar com a luz do dia e se conectar ao mundo. Enquanto a maioria dos artistas investe -- não sem razão -- em elementos visuais para potencializar o aspecto imersivo de suas apresentações, o RENAISSANCE abraça musicalmente o espectador com temas como a clássica Carpet of the Sun, a dramática Mother Russia ou na cinemática Sounds of the Sea, esta última com direito ao som de gaivotas e de harmonias vocais em três vozes perfeitas.
O show, no entanto, passa longe de ser uma fria reprodução das composições e há espaço para o lado humano do espetáculo quando, por exemplo, a cantora esquece alguns versos de Let It Grow ou no momento em que o baixista Leo Traversa afina seu instrumento no meio de seu solo. A banda ainda trouxe uma surpresa para o público, ao executar uma versão quase "piano bar" de Quiet Nights of Quiet Stars de Tom Jobim, no único momento da noite em que Haslam parecia transparecer alguma insegurança entre uma nota e outra. Uma extensa sucessão de solos em Ashes Are Burning honrou a tradição do rock progressivo e trouxe a apresentação ao fim, para um público a essa altura de joelhos ao talento da banda.
Demorou, foi sem Michael Dunford (a alma musical do grupo, falecido em 2012 e lembrado antes de Grandine Il Vento), mas foi um bela ocasião com várias taças de vinho, muitos olhos lacrimejantes na noite em que São Paulo se rendeu ao canto da sereia do "prog raiz" de Annie Haslam.
RENAISSANCE é:
Annie Haslam: voz
Rave Tesar: teclados
Mark Lambert: violão, guitarra e voz
Tom Brislin: teclados
Leo Traversa: baixo e voz
Charles Descarfino: bateria
Prologue
Carpet of the Sun
Ocean Gypsy
Grandine Il Vento
Symphony of Light
Let it Grow
Mother Russia
The Mystic and the Muse
Sounds of the Sea
A Song For All Seasons
Quiet Nights of Quiet Stars
Ashes Are Burning
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Como uma canção "profética", impossível de cantar e evitada no rádio, passou de 1 bilhão
O disco nacional dos anos 70 elogiado por Regis Tadeu; "hard rock pesado"
A banda que é "obrigatória para quem ama o metal brasileiro", segundo Regis Tadeu
Cinco álbuns que foram achincalhados quando saíram, e que se tornaram clássicos do rock
O hit de Cazuza que traz homenagem ao lendário Pepeu Gomes e que poucos perceberam
Por que Angra não convidou Fabio Laguna para show no Bangers, segundo Rafael Bittencourt
As duas músicas do Metallica que Hetfield admite agora em 2026 que dão trabalho ao vivo
A música de Raul Seixas que faria ele ser "cancelado" nos dias de hoje
O riff definitivo do hard rock, na opinião de Lars Ulrich, baterista do Metallica
O riff escrito nos anos 2000 que causou inveja em Jimmy Page
O melhor álbum de 11 bandas lendárias que surgiram nos anos 2000, segundo a Loudwire
A banda Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs que André Barcisnski incluiu no melhores do ano
Por que Ricardo Confessori e Aquiles ainda não foram ao Amplifica, segundo Bittencourt
O álbum "exagerado" do Dream Theater que John Petrucci não se arrepende de ter feito
Max Cavalera só curtia futebol até ver essa banda: "Virei roqueiro na hora"
A alfinetada de John Lennon em George Harrison por um erro que lhe custou uma fortuna
A diferença entre discurso do rock e sertanejos como Gusttavo Lima, segundo Samuel Rosa
"Um monte de notas que não vai a lugar nenhum", disse Gary Moore sobre Yngwie Malmsteen


Morre Terry Sullivan, baterista da formação clássica do Renaissance
Em 16/01/1993: o Nirvana fazia um show catastrófico no Brasil
Metallica: Quem viu pela TV viu um show completamente diferente



