Legion Of Nexus Festival: mantendo viva a chama do Doom Metal
Resenha - Legion Of Nexus Festival (Blackmore Rock Bar, SP, 29/11/2014)
Por Ellen Maris
Postado em 04 de dezembro de 2014
Quando o festival "Legion Of Nexus" fora anunciado pela primeira vez, eu, que resido no estado de Goiás, já me impus o compromisso de ir à São Paulo para mais uma experiência como a da primeira edição do Doomsday festival, que aconteceu em 2013 e reuniu cerca de 400 pessoas numa casa no centro da capital.
A ideia da comparação eu explico agora: a mesma equipe organizadora e duas das principais bandas paulistas de Doom Metal que se apresentaram em ambos os eventos.
Desembarquei no aeroporto de Guarulhos na já na Sexta-Feira e ansiei, contando as horas pelo evento que iniciou no Sábado, 29, às 23 horas, quando eu cheguei ao Blackmore. Na porta, já havia uma fila relativamente extensa e o som do Crimson Dawn já ecoava sua primeira música. De cara, foi o que mais impressionou, já que eu conhecia apenas pela gravação de estúdio que a banda disponibilizou e posso garantir que ao vivo, o som dos caras é de prender a atenção de qualquer público que goste do "Metal" num todo, independente do gênero. Essa versatilidade é um dos principais pontos positivos da Crimson Dawn. Outro ponto foi que o som, para quem estava na plateia era bem regulado e límpido. Os vocais de Edson Herrera, afinadíssimos, me fez lembrar do mestre Messiah Marcolin (ex-Candlemass).
Terminada a apresentação da Crimson Dawn é a vez da Ravenland subir ao palco. Confesso que a primeira vez que anunciaram as bandas do festival, ver a Ravenland entre as bandas do cast me abriu alguns questionamentos. Parecia destoar um tanto da pegada mais arrastada e underground das outras bandas de Doom que se apresentariam. Um pré-conceito tolo de alguém que não se envergonha de mudar de opinião quando necessário. No palco, o frontman, Dewindson Wolfheart é profissional quando se trata de postura e impostação vocal. A banda manda muito desde o instrumental à interação com o público. Demonstraram uma sincronia exemplar, o tempo rigorosamente marcado (isso sempre me chama a atenção). Os belos vocais femininos também atraíam olhares e atenção de quem realmente gosta do estilo. No entanto, houve excessos por conta da altura do som. Hora ou outra ficara estridente e por serem muitos no palco, na hora da participação da percussão da carismática Bety Vinil, que eu tanto quis ver, precisei me esforçar pra conseguir ouvir a banda num todo. Ainda sim, consegui. Não que seja um problema da banda em si, mas poderia ser perfeito caso o som não "embolasse" um pouco. Mas nada que tenha tirado o brilho da apresentação.
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Finalizado o show dos Ravenland, é a vez da velha conhecida Mythological Cold Towers. Procurei conversar com alguns amigos durante as apresentações buscando opiniões sobre o evento e não deu outra: Foi o momento ápice! Perfeitamente em sintonia, nitidamente bem ensaiados e prontos pra tocar pra qualquer quantidade de público, a apresentação da Mythological Cold Towers me emocionou.
É sabido que quando uma banda se propõe a apresentar uma música inédita num show, normalmente o público apenas observa e avalia. Não foi o caso. A plateia demonstrava a mesma empolgação que tivera com os clássicos já conhecidos e decorados, como se já tivessem total intimidade com o novo som. O momento de maior intensidade se deu com "The Lost Path To Ma-Noa" assim como as músicas do Immemorial, lançado em 2011. Realmente, os caras têm um público cativo e fizeram por merecer. Há quem disse que tenha saído de outra cidade especialmente para assistir ao show da banda, o que é motivo de orgulho para a cena Doom Metal brasileira, uma vez que, o gênero ainda é pouco aceito e normalmente presenciamos esse tipo de atitude quando se trata de grandes bandas gringas ou, quando nacionais, geralmente em gêneros mais conhecidos do Metal. Posso dizer com todas as letras que valeu cada minuto de espera e cada quilômetro rodado para assistir a essa incrível apresentação. Fiquei ainda mais fã, admiro ainda mais.
Não menos importante, chega, finalmente, a vez da magnífica Hell Light; Sou um tanto suspeita pra falar da banda que mistura elementos de uma atmosfera progressiva (que eu particularmente adoro) ao gênero funeral doom, no qual se encaixam em questão. O frontman e anfitrião do evento, Fábio Hell Light, por si só prende a atenção do público como um verdadeiro showman entre guitarras e vocais. A atmosfera do som dos caras é única. Costumo dizer que é uma banda que causa sensações que você só consegue sentir com eles. E foi o que aconteceu durante o show que segurou o público até meados de 3 horas da madrugada no Blackmore. Instrumentalmente impecável, fechando uma noite de belas apresentações da melhor forma possível, como haveria de ser. Eu gostaria de ter ouvido mais os teclados, que pessoalmente acho belíssimos e já havia presenciado ao vivo no ano passado. Desta vez estavam baixos, embora ainda audíveis. A banda se confirma como um dos principais nomes do Doom Metal atual, não apenas no Brasil, mas de uma forma geral, principalmente por se tratar de um gênero ainda mais obscuro dentro da própria vertente do Doom Metal, que tem um público seleto.
Encerradas as apresentações da noite, retornei, exausta e satisfeita à capital goiana, onde eu não creio que haja esperanças de algum dia acontecer um festival assim, de uma qualidade tão sublime. Não tão cedo! Não pela incapacidade do público local, não pela pela incapacidade dos produtores, mas pelo gênero em si, que somente agora tem ganhado forma e vem se fortalecendo em nosso país. E como tudo o que chega no Brasil, chega primeiramente em São Paulo, isso não foge às regras.
A organização, a casa, as bandas e o próprio público são merecedores de todo mérito e admiração por manter viva a chama do Doom Metal nesse país, por conta de noites memoráveis como esta.
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