Omen e Manilla Road: Noite com precursores do metal americano

Resenha - Omen e Manilla Road (Hangar110, São Paulo, 04/07/2014)

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Por Diego Camara
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Muita gente ainda olha com certo ar de desconfiança para o heavy metal oitentista dos Estados Unidos. Em um país onde o thrash metal na década de 80 tomou forma e figura como em nenhum outro local do mundo, bandas como o OMEN e o MANILLA ROAD viveram no underground e acabaram por sofrer com as dificuldades de reconhecimento e disputa por espaço, que levaram a ambas terem longos hiatos. Depois de uma longa e tortuosa estrada, ambas deram o ar da graça no Brasil para uma turnê conjunta. Confiram abaixo os principais destaques desta noite memorável.

MANILLA ROAD

Este ano faz exatos 37 anos que Mark Shelton se uniu com alguns colegas do colegial para formar o Manilla Road. E nestes 37 anos a banda nunca teve a oportunidade de pisar em terras brasileiras. Demorou muito tempo, mas o público presente ao Hangar110 – vale notar que um ótimo público dada a época de Copa do Mundo e do mês de julho que marca as férias escolares, já reconhecido por não receber muitos shows internacionais – realmente estava ansioso para estar de frente pela primeira vez com os caras.

Depois de um dia de jogo da seleção brasileira, o público foi chegando devagar, mas as 20h20m, quando a banda subiu ao palco para a sua apresentação, estavam já todos ali presentes para a estreia da banda em São Paulo. Foi inclusive com grande espanto que vi que o Manilla Road entraria primeiro no palco, já que muito se falou na divulgação acerca da estreia da banda, e o público falava muito deles.

A banda entrou no palco cheia de vontade, demonstrando bastante alegria em tocar pela primeira vez no país. Desde o início do público viu bem qual era a do espetáculo: o ótimo som do palco do Hangar110, realmente acima da média, a bateria extremamente rápida de Neuderth e os solos mais que inesquecíveis de Mark Shelton puxaram desde a primeira música a qualidade do show.

Apesar de terem lançado recentemente o álbum “Mysterium” em 2013, a banda preparou um set perfeito para quem curte os discos mais clássicos da banda, baseado quase que totalmente nos álbuns “Open the Gates”, “Crystal Logic”, “The Deluge” e “Mystification”. O público não perdeu um minuto sequer a animação, e se manteve firme na cantoria durante os 50 minutos de apresentação. Um show bastante curto, que sem dúvidas não preencheu a demanda por Manilla Road, mas que francamente serviu como uma bela estreia da banda em solo brasileiro.

OMEN

Não demorou muito para o OMEN subir ao palco do Hangar110 para a sua apresentação. Na verdade, a equipe técnica levou em torno de 20 minutos para preparar o palco para a banda. Já na abertura com “Death Rider”, o show se mostrou bastante animado para as lendas cult do heavy metal americano. Aos gritos e enchendo de palmas, a banda mostrou que, se o Manilla Road era a novidade que todos esperavam, os queridinhos do público eram aqueles quatro caras que estavam no palco.

E como o Manilla Road, também deram uma verdadeira aula de clássicos do heavy metal. O setlist foi praticamente formado pelo clássico álbum “Battle Cry”, um disco ícone do underground que mostra que não perdeu sua ótima qualidade com o tempo. Não levaram assim muito tempo para agradar aos fãs, que não poderiam ter pensado em um setlist melhor. A banda encantou com os solos do guitarrista Kenny Powell, que encheu os ouvidos da plateia, contrastado pela imagem insana e o vocal rasgado de Kevin Goocher, que sem dúvidas estava em um dos seus melhores dias.

Goocher, inclusive, não perdeu a chance de rasgar seda ao público brasileiro, que fez a banda “se sentir em casa”. Reclamou do calor – acostumado sem dúvidas a temperaturas mais congelantes no inverno de seu país – e também não guardou elogios aos seus irmãos do Manilla Road e também dos colegas de banda Kenny Powell e Steve Wittig, ressaltando para o público a oportunidade única que eles estavam tendo de ter dois membros fundadores do OMEN no palco por estas bandas, além de homenagear o vocalista J.D. Kimball, que perdeu em 2003 sua luta contra o câncer.

E eternizada em sua voz, foi com “Battle Cry” que o público mais se animou. Goocher estava certo, todos ali a conheciam e cantaram a plenos pulmões, mostrando uma sintonia que é difícil de ver hoje em dia. Ovacionados por todos os presentes, a banda ainda tocou “Teeth of the Hydra” do álbum “The Curse” antes de deixarem o palco. Nem sequer esperaram ou fizeram o público pedir pelo retorno, o prêmio já havia sido garantido pelo amor dos fãs: tocaram então “Die by the Blade”, que fechou muito bem a apresentação.

O público foi incrível, o bastante para ainda ser presenteado com o stagedive de Kenny Powell, que não pensou duas vezes e se jogou nos fãs, que o carregaram até o fundo da pista. Um fim perfeito para uma apresentação minuciosa dos americanos, que fizeram mais uma vez valer os ingressos dos fãs brasileiros.

Fotos: Diego Camara. Galeria completa neste link.

Manilla Road é:
Mark Shelton – Vocal e Guitarra
Bryan Patrick – Vocal
Josh Castillo – Baixo
Andreas Neuderth – Bateria

Setlist Manilla Road (possivelmente não está correta):
1. Masque of the Red Death
2. Death by the Hammer
3. Hammer of the Witches
4. Witches Brew
5. Mystification
6. Divine Victim
7. Open the Gates
8. Only the Brave
9. Road of Kings
10. The Ninth Wave
11. Crystal Logic
12. The Ram
13. Necropolis
14. Heavy Metal to the World

Omen é:
Kevin Goocher – Vocal
Kenny Powell – Guitarra
Andy Haas – Baixo
Steve Wittig – Bateria

Setlist Omen:
1. Death Rider
2. Dragon's Breath
3. Ruby Eyes (of the Serpent)
4. The Axeman
5. 1000 Years Reign
6. Last Rites
7. Warning of Danger
8. Be My Wench
9. Don't Fear the Night
10. In the Arena
11. Termination
12. Battle Cry
13. Teeth of the Hydra
Bis:
14. Die by the Blade

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Sobre Diego Camara

Nascido em São Paulo em 1987, Diego Camara é jornalista, radialista e blogueiro. Seu amor pelo metal e rock começou há 6 anos. Um amante da nova geração, é um grande fã de Arjen Lucassen, Andre Matos e bandas como Nightwish, Hammerfall, Sonata Arctica, Edguy e Kamelot. Também não deixa de ter amor pelos clássicos, como Helloween, Gamma Ray e Iron Maiden e do Rock de bandas como Oasis, Queen e Kings of Leon. Atualmente seus textos podem ser lidos no blog OCrepusculo.com sobre assuntos diversos, além de planos para criação de um projeto totalmente voltado aos blogs de Rock e Metal.

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