Kataklysm: Espetáculo de uma esplendorosa banda em SP

Resenha - Kataklysm e In Torment (Hangar 110, São Paulo, 25/04/2014)

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Por Durr Campos
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Quem diria que levaria tanto tempo assim para o KATAKLYSM aportar em nossas terra? Tá certo que boa parte dos fãs que possuem hoje, incluindo este que vos escreve, não dava muita atenção aos seus dois primeiros discos, mas após o outrora baixista Maurizio Iacono trocar seu instrumento pelos vocais e pegar a responsa para si, tudo mudou! A partir de ¨Victims of this Fallen World¨ (1998) a carreira dos franco-canadenses de Montreal, Quebèc observeu constante ascensão a qual atingiu um ápice no festejado álbum ¨In the Arms of Devastation¨ (2006) e só manteve-se com os subsequentes: ¨Prevail¨ (2008), ¨Heaven´s Venom¨ (2010) e o festival de porradaria ¨Waiting For The End To Come¨ (2013), motivo pelo qual caíram na estrada ano passado e agora nos deram a chance de perceber a magnitude de estar diante de tamanha selvageria musical.

O In Torment não é somente um dos nomes mais fortes do death metal sulista, mas de toda a América Latina em se tratando de técnica, agressividade e força nos palcos.

Inacreditável que mesmo conhecendo o grupo desde sua demo-tape “Hypnotized By The Profane Flames” (1998) eu nunca o tinha visto ao vivo até então. Logicamente seu repertório foi baseado no EP de 2013, “The Flesh Gateway”, bem como nos álbuns “Diabolical Mutilation of Tormented Souls” (2006) e “Paradoxical Visions of Emptiness” (2011), este sendo o meu favorito. Sua concepção lírica é intrigante e nos transporta ao surgimento de uma nova dimensão de consciência, onde controlar a carne e o espírito da humanidade é o intuito. O trabalho impecável de guitarras de Alexandre Graessler e Rafael Giovanoli recebe brilho extra pela cozinha insana de Bruno Fogaça (baixo) e Dio, o dono das baquetas. Tudo isso aliado ao poderio das pregas vocais de Alex Zuchi, um tremendo urrador! Destaco a ferocidade de “Grotesque Defacement”, a pegada de “Labyrinth of Depravity” e a sensacional “The Flesh and The Spirit”. Que nos encontremos em breve novamente!

Set-list In Torment
Intro
The Flesh and the Spirit
Into Abyssal Landscapes
Divine Universal Awareness
The Unnatural Conception
Paradoxical Visions of Emptiness
Labyrinth of Depravity
Grotesque Defacement
Far Beyond Mortality

Desde quando Maurizio Iacono ainda tocava baixo (e usava aquele gorro) no Kataklysm, isto é, de sua formação até 1998, já percebia que ele era um destaque. Infelizmente naqueles dias em que Sylvain Houde era o cantor eu não apreciava sua música tanto assim, mesmo havendo muita coisa interessante em "The Mystical Gate of Reincarnation" (1993), "Sorcery" (1995) e "Temple of Knowledge" (1996), em especial no que diz respeito às guitarras. Neste quesito, aliás, Jean-Francois Dagenais pode ser considerado um dos mais inventidos de seu tempo. Ali, durante toda a apresentação, pensei estar diante de dois instrumentistas tamanha pujança de seus acordes, riffs e soluções harmônicas.

Outro destaque é o baixista Stephane Barbe, que é guitarrista, ao lado do próprio Jean, no Ex Deo, banda que traz ainda Iacono nos microfone e o ex-baterista Max Duhamel. Ou seja, tudo em casa. Mesmo se não soubesse disso eu apostaria com qualquer um que estávamos diante de um músico nato das seis cordas pela forma como toca. Se já não bastasse seu talento, a simpatia com que porta-se em cena é notável e só agrega em sua performance. O baterista Oli Beaudoin (Neuraxis, ex-Keep Of Kalessin) era o único que já nos visitara. Lembram do Festival Setembro Negro de 2011? Era ele ali no Belphegor ao lado de Helmuth e Serpenth, à época careca e com a cara repleta de pancake. Relembrem aquele memorável 11 de setembro (não o outro...) no link a seguir.
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"Prevail", do homônimo lançado há seis anos, iniciou a rebordosa em um Hangar 110 sem sua lotação máxima, para o azar dos que perderam o estupendo concerto dos canadenses de Montreal, Québec. Do ótimo "Heaven's Venom" (2010) veio na sequência a igualmente rica “Push the Venom”, a qual sempre esteve em meu top 10 de suas composições, assim como a estupenda “At the Edge of the World”, do mesmo registro, tocada um pouco mais a frente. A gélida “Like Angels Weeping (The Dark)”, que abre “In The Arms of Devastation” (2006) garantiu a malevolência de um set-list escolhido pelas profundezas. A prova disto foi termo logo assim de cara algo como “Like Animals”, daquelas de entortar ainda mais a torre de Pisa. É dela aquele trecho “We live to dominate, we need the urge to kill, we are the victims, we are the prey…”, lembra? Nem preciso dizer que fora cantada unissonantemente.

“20 anos e finalmente estamos aqui com vocês!”, disse Maurizio, agradecendo pela presença e mostrando-se bastante compreensivo pela quantidade de fãs, até comentando: “Sei que há inúmeras turnês vindo pra cá, mas aos que vieram de casa para fazer esta festa conosco, vocês tem meu coração!” O cavalheirismo continuou ao anunciar “As I Slither”, que integrou a trilha sonora do fraco filme “Alone in the Dark”, porém item (falo da música) obrigatório aos que dizem-se fãs do metal da morte. A participação massiva continuou na supracitada preciosidade “At the Edge of the World” e só melhorou com “Taking the World by Storm”, outra que faz parte de minha seleção pessoal de favoritas. A “escola” sueca estilo Amon Amarth e At The Gates mostra-se plena e novamente ele, Jean-François, nos presenteou com um espetáculo de guitarra! Cantamos todos juntos “Cry, cry for me with no sympathy/ The sky will fall from reality, bury me whole/ Burn the sphere of desires your stole/ I will break these chains that suffocate… Blood for blood... I climb the mountain of deliverance!”

O hit “Fire” devolveu o coro e arrancou-lhes sorrisos de ponta a ponta. Ela é um dos pontos altos no mais recente “Waiting For The End To Come” (2013). Você sabe disso, mas preciso mencionar que a banda ganhou bastante em mixar este álbum com Zeuss (aka. Chris Harris). Sua veia é aquela de bandas como Suicide Silence, Soulfly, Hatebreed, Shadows Fall, Whitechapel, Chimaira, etc., mas no currículo do rapaz há também Agnostic Front, Arsis, Crowbar, God Forbid, Impending Doom, Madball, Municipal Waste, 3 Inches of Blood, Six Feet Under e até o Suffocation. Quer dizer, imaginem a percepção deste produtor estadunidense ao ter em mãos um material como o do Kataklysm? Felizmente os rapazes souberam levar aquele poderio à estrada. “Blood on the Swans” e sua linha absurda de bateria nos transportou de volta ao “Serenity in Fire” (2004), o qual traz em outra canção, no caso “The Ambassador of Pain”, não tocada, trecho falando pelo ator Paul Newman no filme “Estrada para Perdição” (2002). Adaptado da história em quadrinhos homônima escrita por Max Allan Collins e ilustrada por Richard Piers Rayner, ainda é estrelado por Tom Hanks, Jude Law, Daniel Craig e mostra uma trama ambientada no ano de 1931, durante a Grande Depressão, tendo um mafioso e seu filho em busca de vingança pela morte do resto de sua família. Em tempo, a mesma bolachinha ainda conta com a participação de Peter Tägtgren (Hypocrisy, Pain, The Abyss) nos vocais de apoio.

A NWOBHM deles, “Kill The Elite” possui um show nas quatro cordas do ‘guitaxista’ Stephane Barbe. O timbre da ESP de Dagenais também mostrou-se perfeito ao ritmo da obra, mas ficou ainda melhor em “Let Them Burn” e na a la Samael, “Blood in Heaven”, com um primor de cozinha. “Esta eu dou a vocês. Nunca desistam de seus sonhos”, bradou Maurizio para então anunciar “Iron Will”, do merecidamente aclamado “Iron Will: 20 Years Determined”, um pacotão quebra-pescoço contendo 2 DVDs e 2 CDs vendido no Brasil a um preço bastante justo (cerca de R$ 25,00 na Galeria do Rock, em São Paulo). Iacono: “Dormimos apenas três horas desde que chegamos ao páis, por isso nos perdoe pelo aspecto cansado. Mesmo assim estamos dando o melhor que podemos. Tá bacana para vocês?” Um fã ao meu lado respondeu: “Como assim? Melhor show do ano!” De presente recebemos “Elevate” pela calorosa recepção após o humilde questionamento do vocalista.

O frontman afirmou que tinha certeza de que todos ali conheciam a próxima. Claro que sim, Maurizio, ou é possível alguém que os acompanha há algum tempo nunca ter pirado ao som de “In Shadows And Dust”, do sexto álbum “Shadows & Dust” (2002). A parte que traz os samples do filme vencedor do Oscar “Gladiador” (2000) fez uma grande amiga ao meu lado dizer: “Durr, isto é o mais próximo de deus que conseguiremos chegar hoje!” A Bela Neve sabe das coisas. E roda finalmente abriu no Hangar com “Crippled & Broken” invadindo a casa como um convulsão hipersônica! Os riffs dela são qualquer coisa de perfeitos e não há como ficar indiferente a algo assim. Por conta disso lá foi ela para aquele top 10 meu já mencionado acima. “Esperamos voltar ano que vem com outras canções. Nada de mais 20 anos sem nos encontrarmos. Tivemos alguns problemas aqui no palco, mas esperamos que tenham apreciado”, finalizou Maurizio antes de nos oferecer a derradeira refeição da naquela noite: “Road to Devastation”, uma ufana canção responsável por fechar as cortinas em um espetáculo irretocável de uma esplendorosa banda sem precedentes. O único cataclisma benéfico causado pela humanidade do qual tenho notícia.

Line-up
Maurizio Iacono (vocais)
Jean-Francois Dagenais (guitarras)
Stephane Barbe (baixo)
Oli Beaudoin (bateria)

Set-list
Prevail
Push the Venom
Like Angels Weeping (The Dark)
Like Animals
As I Slither
At the Edge of the World
Taking the World by Storm
Fire
Blood on the Swans
Kill The Elite
Blood in Heaven
Iron Will
Elevate
In Shadows And Dust
Crippled & Broken
The Road to Devastation

Fotos: Fernando Yokota - set completo em
https://www.flickr.com/photos/fernandoyokota/sets/7215764432...

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Sobre Durr Campos

Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Europa, onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar Napalm Death, seguido de algo do New Order ou Depeche Mode, daí viajar com Deep Purple, bailar com Journey, dar um tapa na Bay Area e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo.

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