Setembro Negro: Morbid Angel, Belphegor e Ragnarok em SP

Resenha - Setembro Negro (Carioca Clube, São Paulo, 11/09/2011)

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Por Durr Campos
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Em suas dez edições, o festival SETEMBRO NEGRO promoveu alguns dos encontros mais interessantes do metal extremo mundial. Desta vez não foi diferente e a reunião entre a lenda norte-americana MORBID ANGEL, os austríacos do BELPHEGOR e a horda norueguesa do RAGNAROK manteve a qualidade com a qual já estamos acostumados quando a produtora Tumba está envolvida.

Texto: Durr Campos / Fotos: Pierre Cortes

Se o dia 11 de setembro é lembrado como um dos maiores acontecimentos da história, no último domingo a data tomou proporções ainda mais obscuras ao ser escolhida para a versão 2011 de um dos eventos mais maléficos do país. O Sol ainda insistia em brilhar quando o RAGNAROK entrou em cena no Carioca Clube. Esta era sua segunda turnê por aqui e pelo visto não demorarão a retornar. Os dias anteriores percorrendo o Norte e Nordeste do Brasil junto ao BELPHEGOR agregaram bastante intimidade entre o quarteto e o público nacional. Com algumas cartas na manga, tocaram velhos clássicos dos temos de Nattferd (1995) e Arising Realm (1997), mesclados a blasfêmias recentes do novo Collectors of the King, lançado em 2010. Destaco as atuações do vocalista HansFyrste e do guitarrista Bolverk. Este último, inclusive, costuma receber o sintomático apelido de Kerry King do black metal. Brincadeiras a parte, uma ótima abertura às duas atrações seguintes.


Com um intervalo de apenas 15 minutos, o BELPHEGOR iniciou sua apresentação em meio a muitos aplausos. Atacaram com "In Blood - Devour This Sanctity", faixa que abre seu nono e mais recente álbum, Blood Magick Necromance (2011). A sequência não poderia ser melhor, com as fenomenais "Belphegor - Hell's Ambassador", "Veneratio Diaboli - I Am Sin" e "Impaled Upon the Tongue of Sathan" dos álbuns Pestapokalypse VI (2006), Walpurgis Rites – Hexenwahn (2009) e o já citado novo disco, respectivamente. A postura de palco do líder inquestionável Helmuth (vocalista/guitarrista) impressiona. Ele nem precisa erguer o punho para que seus seguidores o façam; basta sinalizar. O baterista Tiger parece ter oito braços tamanhas desenvoltura e velocidade, já o baixista Serpenth adquiriu um jeitão meio Cronos (Venom) em cena com direito a posição de microfone a la Lemmy Kilmister. O encerramento em grande estilo com “Black Goat Zombie”, do autointitulado álbum, provocou os pedidos por mais sons, o que não foi possível devido ao horário apertado com que o Carioca rege os concertos abrigados na casa (nota do redator: O local costuma receber espetáculos de todos os gêneros, muitos deles logo após os de heavy metal, daí a correria).



Pontualmente às 20h o protagonista da noite surge por entre as cortinas. Falar dos predicados do MORBID ANGEL seria redundante, mas este show vinha carregado de expectativas por conta do recém-lançado disco Illud Divinum Insanus (2011), primeiro a contar com David Vincent – vocalista/baixista – após mais de 15 anos! Como já é sabido dos leitores que acompanham o WHIPLASH!, fui totalmente favorável às mudanças adotadas neste novo registro.
4975 acessosMorbid Angel: o novo álbum deles é tão ruim assim?

Pois bem, com ou sem cara feia, o fato é que o quarteto possui uma série de clássicos que parece não ter fim. Veja, por exemplo, as cinco primeiras do set: “Immortal Rites”, que abre magnificamente o primeiro Altars of Madness (1989); “Fall From Grace”, outra faixa de abertura, mas do segundo – e também essencial – Blessed Are The Sick (1991); “Rapture”, canção que principia (pasmem!) o terceiro e fabuloso Covenant (1993); “Pain Divine” e o hino “Maze of Torment”. Eles fizeram de propósito, dá para perceber, no intuito de ganhar, a partir dali, o público em definitivo. Conseguiram, já adianto.

“Sworn to the Black” encerrou a sequência inicial de clássicos. Como já era de se esperar, do mais recente escolheram as mais próximas do material antigo, a saber, “Existo Vulgore” – uma paulada!, “Nevermore”, velha conhecida muito antes da gravação de Illud Divinum Insanus, e “I Am Morbid”, bastante cantada pelos fãs a pedido de Vincent. Sobre o frontman é obrigatório ressaltar seu talento com a plateia. Suas expressões e emoções às músicas por si sós já imprimiam um caráter notável, sem falar que o cara está debulhando as quatro cordas. Outro destaque vai para o novo baterista Tim Yeung (All That Remains, Hate Eternal, Vital Remains, Divine Heresy, World Under Blood, dentre outros). Pete Sandoval, afastado por motivo de saúde, faz falta, lógico, mas seu substituto temporário(?) segura tranquilamente tanto suas criações em estúdio quanto as batidas perpetuadas – e copiadas mundialmente – por Sandoval. Por último, sem ordem de importância, o norueguês Destructhor (aka. Thor Anders Myhren) comandando as seis cordas ao lado do chefão Trey Azagthoth desde 2008.

De volta a Covenant, “Angel of Desease” causou um mosh-pit de respeito em meio ao salão, mas não mais do que “Lord of All Fevers and Plagues” e seu refrão contagiante: “Ia iak sakkakh/ Ia sakkakth/ Ia shaxul/ Ia kingu ia cthulu ia azbul/ Ia azabua”, cantado em uníssono. “Chapel of Ghouls”, intercalada pelo solo de Trey, mais uma do debut, antecedeu o duo “Dawn of the Angry” e “Where the Slime Live”, ambas do quarto álbum Domination (1995). Continuaram com “Blood on My Hands”, passearam pelo Formulas Fatal to the Flesh (1998) com “Bil Ur-Sag”, única da fase sem David Vincent tocada, e encerraram com a obrigatória “God of Emptiness” e o poder de “World of Shit (The Promised Land)”, totalizando mais de 90 minutos de show. A devastação continua em 2012, quando serão anunciados os novos responsáveis pelos futuros “pescoços quebrados” característicos do SETEMBRO NEGRO.

Set-list Morbid Angel

1. Immortal Rites
2. Fall From Grace
3. Rapture
4. Pain Divine
5. Maze of Torment
6. Sworn to the Black
7. Existo Vulgore
8. Nevermore
9. I Am Morbid
10. Angel of Disease
11. Lord of All Fevers and Plague
12. Chapel of Ghouls / Trey Azagthoth Solo / Chapel of Ghouls
13. Dawn of the Angry
14. Where the Slime Live
15. Blood on My Hands
16. Bil Ur-Sag
17. God of Emptiness
18. World of Shit (The Promised Land)

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Sobre Durr Campos

Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Europa, onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar Napalm Death, seguido de algo do New Order ou Depeche Mode, daí viajar com Deep Purple, bailar com Journey, dar um tapa na Bay Area e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo.

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