Rock In Rio: Uma celebração à música pesada

Resenha - Rock In Rio (Cidade do Rock, Rio de Janeiro, 19/09/2013)

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Por João Paulo Linhares Gonçalves
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Ontem foi o primeiro dos dias dedicados ao heavy metal no festival Rock In Rio. E estes são os dias preferidos por nós, claro. E começou muito bem, com shows grandiosos e empolgantes, uma celebração à música pesada (e sem dançarinos e efeitos especiais em excesso)!

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Vou começar falando sobre a chegada à Cidade do Rock. Para quem optou (e teve condições) pelos ônibus de primeira classe, eles param bem pertinho da entrada, são confortáveis e vão direto para lá; continuam a melhor opção para lá chegar. Há também os ônibus comuns que saem do Terminal Alvorada e não chegam a ser uma opção ruim. Uma vez na Cidade do Rock, você pode curtir a tal Rock Street, as atrações de parque, como Roda Gigante, Montanha Russa, pode curtir um showzinho num pequeno palco que rola por lá, ou pode se encaminhar para o Palco Sunset, onde tocam as primeiras atrações. Minha opção não foi nenhuma dessas: com a cerveja a R$ 9, ficamos eu e dois amigos do lado de fora, tomando ampolas de Heineken que custavam entre R$ 4 e 5 - o mal foi a dor de cabeça mais para o final da noite...

Enfim lá dentro, uma rápida passada pela tal Rock Street e nos dirigimos ao Palco Sunset: o primeiro show que vi lá foi o de Sebastian Bach. O som não estava bom, a voz baixa, porém o público se aglomerou e prestigiou. Claro que as meninas eram as que mais curtiam, mas tinha muito marmanjo adorando... Os melhores momentos foram as canções do Skid Row, em especial "Piece Of Me" e "Monkey Business".

Bem perto do final do show do Tião, os fogos de artifício começaram a explodir, o indicativo de que começariam as apresentações no Palco Mundo, e a debandada foi geral - todos migraram para o outro palco, para curtir o show do Sepultura com o Tambours du Bronx. Foi um show muito bom, os percussionistas franceses casam bem e as músicas se encaixam. Entretanto, achei que faltaram clássicos nesse show: foram apenas três, "Refuse/Resist", "Territory" e "Roots Bloody Roots", além da cover do Prodigy e umas canções mais recentes que não empolgaram o público. Na edição anterior, o frescor e a novidade trouxeram um valor maior para esta apresentação; desta vez, ficou previsível e talvez o impacto tenha sido menor. Belo show, no entanto.

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Mais uma migração se fazia necessária: no Palco Sunset, Rob Zombie iniciava seu show. Com um palco mais elaborado, com dois pequenos telões passando imagens de filmes thrash, Ultraman e mulheres nuas, no palco sua banda agitava pra valer, subindo e descendo em umas estruturas colocadas no palco e que deixavam os músicos em uma altura maior. John 5, guitarrista da banda, estava com o rosto pintado, e deu um show à parte. Os destaques foram, claro, os sucessos do White Zombie, muito bem interpretados: "Super Charger Heaven", "More Human Than Human" e "Thunder Kiss '65", além de "Dragula", primeiro sucesso da carreira solo do cantor, que fechou o show.

Minha decisão, após o final do show do Rob Zombie, foi sentar e descansar. Festival muito longo se torna cansativo e não sou mais moleque com toda a disposição do mundo. De longe, observava que o show do Ghost estava sendo meio que ignorado pela maioria do público, que não curtiu toda a teatralidade e temática satanista da banda, sem uma música forte por trás. O desconhecimento das músicas também contribuiu para tal.

A próxima banda a entrar no Palco Mundo era a que eu mais esperava: o Alice In Chains. Lançaram disco novo esse ano, estão com esta formação com William DuVall mais que consolidada e rodada por diversos anos de turnê, e o grupo estava 20 anos sem dar as caras no Rio de Janeiro (tocaram em São Paulo no festival SWU, em 2011). De cara, abriram com "Them Bones" e os gritos de DuVall estourando nos nossos ouvidos, emendada com "Dam That River" e a nova "Hollow". "Check My Brain" e "Again" são canções excelentes, mas passaram meio batidas do grande público, que parecia só conhecer os maiores sucessos. Então, tome o maior deles, "Man In The Box", todo mundo gritando, pulando e agitando pra valer. Jerry Cantrell, perfeito em seu instrumento, anuncia a próxima canção, "Nutshell", como uma homenagem aos falecidos Mike Starr e Layne Staley. "Rain When I Die", "We Die Young" e "Stone" formam um trio arrasador, mas a execução de "Down In A Hole" foi o grande destaque do show pra mim, uma das melhores canções da Alice. Hora de mais um sucesso para agitar o público, e "Would?" cumpriu muito bem o seu papel. Pra finalizar, outra grande canção do álbum "Dirt" (o mais privilegiado no set list, com seis canções), a depressiva "Rooster". Me agradou em cheio, muito peso e precisão da guitarra de Cantrell, a cozinha muito bem azeitada com Mike Inez e Sean Kinney, e o vocalista William DuVall me surpreendeu positivamente, cantando muito bem as canções de Staley. Melhor show da noite, para mim.

Claro que, para a imensa maioria da plateia, o melhor show estava por acontecer. Apesar de estar tocando pela terceira vez no Brasil com o álbum "Death Magnetic" como último lançamento, o Metallica ainda era muito aguardado. Pra todos que viam a banda pela primeira ou segunda vez, este seria o melhor show não só do dia como do festival. O atraso de quase meia hora não agradou muito o público, que chegou a ensaiar algumas vaias, mas foi acalmado com a execução, nos alto-falantes, do clássico do AC/DC "It's A Long Way To The Top If You Wanna Rock And Roll". E, finalmente, as luzes se apagam e "Ecstasy Of Gold" é executada - a tradicional canção de abertura da banda, tema do filme de faroeste que muito poucos conhecem. A banda trouxe um set list diferente, claro, iniciando com "Hit The Lights" e emendando direto no clássico supremo "Master Of Puppets". Seria o bastante para ganhar totalmente a plateia, porém a banda continuou percorrendo seus 30 anos de história e grande canções. Me chama a atenção a vibração da galera com o show, agitando e pulando bastante. Os destaques foram a lentinha "The Day That Never Comes", que acaba cuspindo fogo no final; "Wherever I May Roam" e seu riff fantástico; o peso apocalíptico de "Sad But True"; a pirotecnia explosiva de "One" e "Blackened" (adoro esta última, não consigo enjoar de vê-los cantando esta); os acordes incendiários de "Enter Sandman". Um desfile de grandes momentos do rock. O bis só vem jogar uma pá de cal em todos os presentes, extenuados pelo longo dia do festival, e a banda ainda reserva três grandes clássicos: "Creeping Death", "Battery" e "Seek And Destroy". Por mais que você veja o Metallica, eles ainda te empolgam com um show profissional extremamente bem executado e azeitado. Como atração principal, praticamente não há banda que consiga superar o impacto de um show do Metallica. Esta vai ser a grande disputa - o melhor show do festival vai ficar entre os gigantes do heavy metal Iron Maiden e Metallica, e o show lendário que Bruce Springsteen deve fazer. Quem sai ganhando somos nós cariocas, com três dias de grandes apresentações de rock and roll!!

Set list do Alice In Chains:
"Them Bones"
"Dam That River"
"Hollow"
"Check My Brain"
"Again"
"Man In The Box"
"Nutshell"
"Rain When I Die"
"We Die Young"
"Stone"
"Down In A Hole"
"Would?"
"Rooster"

Set list do Metallica:
"Hit The Lights"
"Master Of Puppets"
"Holier Than Thou"
"Harvester Of Sorrow"
"The Day That Never Comes"
"The Memory Remains"
"Wherever I May Roam"
"Welcome Home (Sanitarium)"
"Sad But True"
"...And Justice For All"
"One"
"For Whom The Bell Tolls"
"Blackened"
"Nothing Else Matters"
"Enter Sandman"
Bis:
"Creeping Death"
"Battery"
"Seek & Destroy"

Alguns vídeos:

Rob Zombie tocando "Thunder Kiss '65":

Show completo do Alice In Chains:

Metallica tocando "Wherever I May Roam":

Domingo estarei de volta à Cidade do Rock. Te vejo lá, em alguma rodinha nos shows do Destruction e Slayer ou vibrando com os clássicos do Iron Maiden. Até lá!!




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Sobre João Paulo Linhares Gonçalves

Roqueiro convicto, de carteirinha, desde os treze anos de idade. Já tive diversas bandas preferidas: de Iron Maiden, Metallica e Black Sabbath a The Who, Pink Floyd e Rolling Stones. O heavy metal sempre me atraiu muito, mas o rock praticado nos anos 60 e 70 é fascinante e estou sempre escutando. De vez em quando, dou chance ao punk, rock alternativo, blues, até ao jazz e MPB, pra variar.

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