Paul McCartney: uma experiência surreal, mágica, uma dádiva
Resenha - Paul Mccartney (Morumbi, São Paulo, 21/11/2010)
Por Ana Clara Salles Xavier
Postado em 22 de novembro de 2010
Os ingressos para o primeiro show do Sir PAUL MCCARTNEY em São Paulo no dia 21/11/2010 deveria vir com um aviso mais ou menos assim: Atenção: se você é cardíaco, consulte seu médico antes de assistir à essa apresentação. Se você estava lá, possivelmente concorda comigo. Caso contrário, continue lendo essa resenha para entender o que eu quis dizer.
A ansiedade em relação à esse show já começou cedo, logo quando foi confirmada a apresentação do ex-BEATLE por aqui. A confusão em conseguir comprar ingressos, àqueles que foram na porta do estádio do Morumbi tentar entrar de última hora... só isso já era o suficiente para deixar qualquer um com os nervos à flor da pele. Mas algo muito maior estava reservado para nós, os expectadores.
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Com o Morumbi lotado, pontualmente às 21:30 – e devemos agradecer aos britânicos por essa maravilhosa cultura de não atrasar os shows, especialmente quando esse cai em pleno Domingo – entra no palco a (super competente) banda que acompanha o astro principal da noite. E eis que surge ele, diante de aproximadamente 65 mil privilegiados, PAUL MCCARTNEY, com um sorriso no rosto que foi capaz de arrancar gritos e choro... muito choro! A introdução não poderia ser melhor, com "Venus and Mars / Rock Show", seguida de Jet. Pensar que o Paul tem quase 70 anos nas costas e mesmo assim canta todas as músicas no seu tom original, nos faz pensar que das duas uma: ou o cara se cuida pra caramba, ou ele fez pacto com alguma entidade do além. A energia que ele transmite, a animação, a presença de palco é algo fora de série.
A primeira música dos BEATLES foi "All my loving", logo a terceira do set, que foi para deixar todo mundo sem palavras, e aqueles com problemas cardíacos começarem a ficar sem ar. Mas foi quando PAUL sentou ao piano pela primeira vez na noite para tocar "The long and widing road" que o estádio entrou numa espécie de coma. Todo mundo abobalhado, desacreditando no que estava acontecendo.
PAUL se comunicou o tempo todo com o público entre uma música e outra e mandou muito bem no português, dizendo claramente e inúmeras vezes o quanto estava feliz em estar tocando para nós mais uma vez. A versatilidade musical que ele tem é algo impressionante. Tocar piano, guitarra, baixo, ukelelê como se fosse a coisa mais fácil do mundo, decididamente é para poucos.
Homenageando Linda, sua esposa falecida, MCCARTNEY cantou "My Love", uma linda balada de sua carreira solo que foi dedicada também a todos os casais de namorados que lá estavam. Um momento para os cardíacos começarem a sentir o braço esquerdo formigando de tanta emoção. Mas não parou por aí: "I’ve Just seen a Face", "And I Love her", "Blackbird" e "Here today" (música escrita para homenagear JOHN LENNON) exatamente nessa seqüência. É ou não para ter no mínimo uma arritmia cardíaca?
E não foi só PAUL que deu um show. Seu baterista também mostrou muita presença de palco em "Dance Tonight". Durante toda a música as câmeras estavam voltadas para ele, que fez dancinhas engraçadas e arrancou gargalhadas de todo mundo.
A terceira homenagem da noite foi em "Something". Nesse momento, o telão de fundo do palco mostrou várias imagens de GEORGE HARRISON, fazendo com que mais lágrimas brotassem dos olhos do público. Aliás, público esse no mínimo variado. Desde (pré) adolescentes com seus pais, até os tiozões que devem ter crescido ouvindo os discos de vinil do FAB four. E as promessas de chuva durante o show não se cumpriram. Ainda bem, porquê a noite estava linda, a lua estava cheia... enfim, o cenário ideal para um espetáculo dessa magnitude.
Até mesmo uma música meio mala como "Ob-la-di, Ob-la-da" ficou divertida. Antes de executá-la, PAUL MCCARTNEY disse: nós íamos pedir para que cantassem essa música comigo, mas mesmo sem pedir vocês vão cantá-la do mesmo jeito. E foi assim mesmo que aconteceu. E daí pra frente, foi só BEATLES, o que tornou o show ainda mais emocionante (se é que isso ainda era capaz). Foi catártico ouvi-lo cantar "A Day in The life" e emendando com "Give Peace a chance". Nessa hora, os fãs ergueram balões brancos, o que deve ter deixado LENNON muito feliz ao ver essa cena, de onde quer que ele esteja.
Quando todo mundo achava que não podia ficar mais extasiado, MCCARTNEY sentou ao piano e emendou "Let it Be", "Live and let die" (com direitos a fogos de artifício e labaredas de fogo saindo do chão do palco) e "Hey Jude". Os cardíacos provavelmente já estavam à beira de um ataque ao ver e ouvir todos esses clássicos ao vivo, com o público cantando em uníssono e PAUL esbanjando simpatia e notas agudas, como se ele ainda tivesse vinte e poucos anos.
Todos saíram do palco, aumentando a ansiedade e deixando todos com aquela sensação de "essa noite não pode acabar". Depois de um breve intervalo, ele voltou segurando uma imensa bandeira do Brasil e tocou "Day Tripper", "Lady Madonna" e "Get Back". Deixaram o palco mais uma vez e quando voltaram, podia ver estampado no rosto do público uma expressão que misturava muita alegria, êxtase e um pouco de melancolia, pois a noite inesquecível estava mesmo acabando.
Quem estava lá e ouviu "Yesterday" pode-se considerar uma pessoa abençoada pelo deus da música, do rock n’ roll ou qualquer coisa que o valha. Foi um verdadeiro presente; mas PAUL ainda tinha fôlego para cantar "Helter Skelter", no tom original, sem desafinar uma só nota! Os acordes de "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" deram a tona do encerramento do show. A banda ainda citou "The End", para que aqueles que ainda não tinham tido um enfarte, pudessem fazê-lo.
Com muitos agradecimentos, palhetas jogadas para quem estava no gargalo da pista Premium, papel verde picado e até um tombo de PAUL... assim encerrou-se uma experiência surreal, mágica, uma dádiva. E como diz uma faixa que alguém levou para o show: the dream is over. Now is real. Thank you Paul!
SET LIST:
Venus and Mars / Rock Show
Jet
All My Loving
Letting Go
Drive My Car
Highway
Let Me Roll It / Foxy Lady (Jimi Hendrix cover)
The Long and Winding Road
Nineteen Hundred and Eighty-Five
Let 'Em In
My Love
I've Just Seen A Face
And I Love Her
Blackbird
Here Today
Dance Tonight
Mrs Vandebilt
Eleanor Rigby
Something
Sing the Changes
Band on the Run
Ob-La-Di, Ob-La-Da
Back in the U.S.S.R
I've Got a Feeling
Paperback Writer
A Day in the Life/Give Peace a Chance
Let It Be
Live and Let Die
Hey Jude
Primeiro bis
Day Tripper
Lady Madonna
Get Back
Segundo bis
Yesterday
Helter Skelter
Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band
The End
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