Deathstars: banda técnica e cenicamente irrepreensível
Resenha - Deathstars (Carioca Club, São Paulo, 30/05/2010)
Por Ana Clara Salles Xavier
Postado em 10 de junho de 2010
Maio foi um mês agitado em termos de shows. Tivemos ZZ Top, UFO, Eric Martin & Jeff Scott Soto e pra fechar com chave de ouro, Aerosmith e Deathstars. Domingo (30/05/2010) foi dia de todos os góticos tirarem do armário seu melhor visual e irem em direção ao Carioca Club curtir a primeira apresentação dos suecos em terras brasileiras.
Fotos: Alexandre Cardoso
O show estava previsto para começar às 20h. Antes disso, o local se transformou numa verdadeira pista de dança para o público que já estava lá dentro. Com músicas que iam de Guns n’ Roses a Rammstein, passando por 69 Eyes, a trilha sonora só serviu prá aumentar a ansiedade dos fãs. Os camarotes estavam lotados e as pessoas já se amontoavam na frente do palco. Até que às 20h15, o telão levantou e ouve-se uma introdução. Até que a cortina se abre e pouco a pouco os integrantes da banda vão entrando no palco. O último a fazer sua aparição é o vocalista Whiplasher, com seu visual a La Marilyn Manson, cap e muito gliter nos cabelos.
A primeira música a ser executada foi "Night Electric Night", do álbum homônimo, lançado ano passado. Incrível ver como a banda tem presença de palco e como os fãs são... fãs! Cantando todas as letras, gritando, dançando. O som da casa, mais uma vez estava poderoso e continuou assim até o fim da apresentação. A segunda música, "Motherzone" (do álbum "Termination Bliss") exaltou mais ainda os ânimos dos presentes. O baixista Skinny Disco parece um louco rodando seus dreads sem parar e cantando com seus vocais gritados e agudos. Completando a cozinha, o baterista Bone W. Machine também mandou muito bem. Aliás, a banda mostra um entrosamento de dar inveja à alguns veteranos.
Com um set voltado mais para as músicas do seu último álbum, o público não desanimou um minuto sequer, cantando em uníssono todas as letras. Mas claro que um dos pontos altos da noite foram as mais antigas, como "New Dead Nation", anunciada por Whiplasher como a hora de voltar às raízes. Todo mundo foi ao delírio. A banda continuou incansável, o baixista teve que tirar a camisa (sim, fez calor dentro do Carioca Club a esse ponto). Aliás, importante ressaltar a versatilidade vocal que tem Whiplasher. Cantando desde o menor sussurro, até a voz mais grave, o cara mostrou que tem talento de sobra além de muito carisma, fazendo todas as meninas ali presentes suspirarem por seu visual andrógino.
Outras músicas das antigas que fizeram o Carioca ferver ainda mais foram "Tongues", "Blitzkrieg", "Cynade" e "The Revolution Exodus", essa última do primeiro trabalho da banda lançado em 2002. Mesmo nas músicas do "Night Eletric Night" a galera não parou de cantar. Isso foi uma das coisas que mais me impressionou, a receptividade brasileira com uma banda que não faz parte do mainstream. O quinteto sueco foi ovacionado durante toda sua apresentação.
Depois de "The Revolution Exodus", a banda sai do palco e dá uma pausa. O público todo gritava o nome da banda, esperando que eles voltassem. O tradicional bis estava a caminho e com ele, aquela sensação de: "ahn não, o show tá acabando". Com uma bandeira brasileira cobrindo o bumbo da bateria, o bis começou com "The Last Ammunition". Mas o gran finale ficou mesmo por conta de "Play God". Naquele momento, tive a sensação exata de estar em um verdadeiro exército. Um exército de fãs, com punhos cerrados para cima gritando "hey, hey, hey!", onde o general supremo era Whiplasher. E ele soube comandar muito bem esse exército, com um encerramento memorável de mais um show prá ninguém botar defeito.
Quem esperava que eles tirassem a roupa no palco, decepcionou-se. Quem esperava o cover de "White Weding" (Billy Idol), também. Mas o show foi perfeito, de uma banda poderosa em cima do palco, tecnica e cenicamente irrepreensível. Agora é torcer para que eles não demorem a voltar pras nossas terrinhas brasileiras.
Set list:
Night Electric Night
Motherzone
Semi-Automatic
Mark of the Gun
Arclight
New Dead Nation
Babylon
Tongues
The Fuel Ignites
Damn Me
Chertograd
Blitzkrieg!
Blood Stains Blondes
Cyanide
Trinity Fields
Death Dies Hard
The Revolution Exodus
The Last Ammunition
Play God














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