Sepultura e Angra: pelo heavy metal nacional
Resenha - Sepultura e Angra (Via Funchal, São Paulo, 09/05/2009)
Por Pedro Zambarda de Araújo
Fonte: Bola da Foca
Postado em 19 de maio de 2009
Embora muito diferentes entre si, as bandas Sepultura e Angra fizeram uma apresentação histórica no último dia 9, reunindo repertório musical variado, fãs fiéis e muito peso. Death/Thrash Metal e o chamado Metal Melódico não são tão diferentes assim, no final das contas.
Apresentar-se na Via Funchal tem vantagens e desvantagens: a pista é em níveis, o que não prejudicou o público e nem o fez "levantar o pescoço" pra ver o show, especialmente a galera dos fundos. No entanto, o som da banda Angra enfrentou oscilações, que ora comprometiam a voz do vocalista Edu Falaschi, ora prejudicavam algum dos instrumentos. Já a grande dificuldade do Sepultura era o quanto o som embolava em determinados momentos, apesar de ter uma qualidade boa, o peso característico e um volume constante.
Mas foi muito bom rever os rapazes do Angra reunidos após 2 anos com problemas empresariais e brigas internas – que infelizmente acabaram com a saída de Aquiles Priester. E, além dessa boa sensação, a banda mostrou realmente uma mudança nítida nos integrantes. Não poderia haver uma surpresa melhor do que esta.
Rafael Bittecourt estava solando de forma limpa, improvisada e inspirada (e absurdamente rápida em determinados momentos), dando um acabamento diferente para músicas como "Nothing To Say", "Heroes of Sand", "Angels Cry" e "Carolina IV". Felipe Andreoli manteve o capricho em suas execuções de baixo, se destacando em "The Course Of Nature" e "Nothing To Say". Kiko Loureiro manteve sua pegada marcante, mas cometeu alguns tropeços de velocidade em "Spread Your Fire", apesar do capricho mantido em "Carry On/Nova Era" (fusão de duas músicas sensacionais da banda). Já Edu Falaschi não forçou sua voz para parece André Matos, dando sua interpretação para as músicas de épocas antigas, e acertando nas novas. Daniel dos Santos, da banda Dream Theater Cover e músico da turnê, criou arranjos diferentes para o teclado, com o auxílio de um Macbook. Por fim, a última surpresa não poderia ter sido melhor: Ricardo Confessori conseguiu tocar na velocidade de Aquiles e executou as músicas novas com maestria, dando, em determinados momentos, seu toque característico na bateria.
Apesar de entrarem atrasados, cerca de 30 minutos, a apresentação do Angra concentrou boa parte dos presentes em relação a seguinte. Infelizmente, por serem de estilos muito diferentes, muitas dessas pessoas foram embora antes da entrada do Sepultura, às 23h30. Perderam uma performance de arrepiar, mesmo para quem não curte vocais guturais e um peso praticamente dobrado.
A trupe do gigante Derrick Green entrou com as duas músicas que abrem A-Lex, seu último álbum: Moloko Mesto e Filthy Rot. A bateria do novato Jean Dolabella não pecou em nada em relação ao seu antecessor, Igor Cavalera, com toda a sua força e presença. Andreas Kisser se mostrou inspirado e até mesmo aberto ao público. A banda tocou "Inner Self" quando o povo pediu e mandou até "Roots Bloody Roots", dos primórdios da história deles. O show estava feito.
Após brincadeiras com "Back in Black" (AC/DC), "Breaking the Law" (Judas Priest) e "Seek and Destroy" (Metallica), o Angra retornou ao palco e, com o Sepultura, executaram "Imigrant Song", cover do Led Zeppelin. Derrick e Falaschi dividiam os vocais, enquanto as guitarras literalmente brincavam entre si, em um Jam descompromissado. Juntou-se a eles Marcelo Pompeu, da banda também brasileira Korzus, e "Guerreiros do Metal" entoou por toda a platéia, fazendo uma verdadeira homenagem a música que fazemos neste país.
Por fim, "Paranoid" do Black Sabbath fechou de forma excelente a festa dos metaleiros. Para muitos, talvez outros shows do Angra ou do Sepultura tenham sido mais memoráveis. Para outros, aquelas apresentações são uma prévia do que pode vir nos próximos anos. E, embora a Via Funchal não estivesse lotada (talvez pelo fato do show do Oasis ter sido no mesmo dia e horário), quem esteve lá, gostando ou não, presenciou uma apresentação dedicada aos verdadeiros fãs. Angra e Sepultura foi uma grande reunião de amigos, mesmo que sejam tão diferentes entre si.
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