Resenha - Deep Purple (Via Funchal, São Paulo, 07/03/2009)

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Por Doctor Robert
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São Paulo, sábado, 07 de março de 2009. Aquele calor inacreditável que nos infernizou durante uns quinze dias sem trégua enfim deu um tempo. Que bom! Afinal aguardar na fila do Via Funchal com uma temperatura de 35 graus não ia ser nada agradável.

Embora o clima estivesse excelente, a espera parecia interminável, dada a ansiedade e a extensa coleção de abobrinhas ouvidas até o início do show. Coisas do tipo: “o Jon Lord saiu?”, ou “vocês vão me perdoar, mas eu não suporto ‘Smoke On The Water’”, ou ainda que o baixista se chamava “Roger Gloover” (?)... será que essas pessoas estavam no show certo?

A pontualidade britânica que sempre marcou as passagens do Deep Purple pelo Brasil mais uma vez se fez presente. A casa abriu os portões exatamente às 8 da noite e, após ouvirmos alguns clássicos do rock de Rush, Aerosmith e até Meat Loaf, às 10 em ponto as luzes se apagam e a banda entra botando o teto abaixo com “Highway Star”. Desnecessário dizer como foi a reação da galera... assim como falar sobre o carisma, a simpatia e a excelência dos músicos chega a ser redundância.

Segue o show e vem “Things I Never Said”, uma das melhores composições do Purple na sua fase “Morse/Airey”, do último álbum “Rapture Of The Deep”. E em seguida, para arrebentar de vez, direto do seminal “In Rock” vem “Into The Fire”. A cada momento fica claro como a banda curte cada segundo em cima do palco, a interação com o público, e o porquê de ainda não terem se aposentado. E fica mais claro ainda que o grande responsável por toda essa renovação é Steve Morse.

Morse que, aliás, com a cumplicidade dos demais membros, rouba o show para si. A cada solo perfeito, a cada acorde, a cada sorriso (e como o cara sorri...), ele se torna o dono do palco. E essa alegria, empolgação transborda e contagia os demais músicos e a platéia. Tudo bem, vá lá que Ian Gillan já anda sem voz faz um bom tempo, mas o simples fato de ele estar ali no palco, descalço, com apenas uma camiseta velha, um jeans surrado e todo seu carisma já arrepia qualquer fã. Roger Glover e Ian Paice são uma das cozinhas mais consistentes do rock and roll. E Don Airey cada vez mais prova ser o melhor para preencher o posto do insubstituível Jon Lord.

Voltando ao show, após a clássica “Strange Kind Of Woman”, Gillan brinca dizendo que a próxima música é sobre um conhecido deles que não é mais um mecânico, e vem “Ted The Mechanic”, para delírio dos fãs da fase mais recente, que emenda com a excelente “Rapture Of The Deep”. E vem então a seção instrumental, com a singela “Contact Lost” (que se enquadraria bem em qualquer álbum solo de Morse) seguida por “Well Dressed Guitar” e, com Gillan de volta, “Sometimes I Feel Like Screaming”. Os tocadores de “air guitar” ali de plantão fizeram a festa, principalmente com o início da grande “Lazy”.

Vem então “The Battle Rages On” e um bom solo de teclado de Don Airey em seguida, como sempre citando “Mr. Crowley” e outros clássicos do rock. Pretexto perfeito para encaixar a introdução de “Perfect Strangers”, que veio seguida da contagiante “Space Truckin’” e, claro, “Smoke On The Water”.

Pequeno intervalo e temos a dobradinha “Hush” e “Black Night” para encerrar uma noite perfeita. Na primeira, um rápido solo de bateria de Paice e seu tradicional rufar na caixa com apenas uma das mãos. Na segunda, Morse entretém a galera que repete tudo o que ele faz na guitarra...

Mais um show perfeito de uma banda perfeita, que parece espantar a cada momento de seu vocabulário a palavra “aposentadoria”. Pra quem ainda duvidava de alguma coisa, a apresentação deixou tudo bem claro...

Set List:
Highway Star
Things I Never Said
Into The Fire
Strange Kind Of Woman
Ted The Mechanic
Rapture Of The Deep
Contact Lost
Well Dressed Guitar
Sometimes I Feel Like Screaming
Lazy
The Battle Rages On
Solo de teclado
Perfect Strangers
Space Truckin’
Smoke On The Water
Hush
Black Night

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Sobre Doctor Robert

Conheceu o rock and roll ao ouvir pela primeira vez Bohemian Rhapsody, lá pelos idos de 1981/82, quando ainda pegava os discos de suas irmãs para ouvir escondido em uma vitrolinha monofônica azul. Quando o Kiss veio ao Brasil em 1983, queria ser Gene Simmons e, algum depois, ao ver o clipe de Jump na TV, queria ser Eddie Van Halen. Hoje é apenas um bom fã de rock, que ouve qualquer coisa que se encaixe entre Beatles e Sepultura, ama sua esposa e juntos têm um cãozinho chamado Bono.

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