ArtRock Festival: Em São Paulo, Tarkus, Violeta de Outono e Apocalypse

Resenha - ArtRock Festival 2007 (Blackmore, São Paulo, 10/11/2007)

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Por Rodrigo Werneck
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Seguindo os passos do já longevo Rio ArtRock Festival, foi realizado recentemente em São Paulo o quase homônimo São Paulo ArtRock Festival, que em sua primeira edição apresentou as bandas Tarkus (SP), Apocalypse (RS) e Violeta de Outono (SP). Todos os grupos estão no momento divulgando seus novos trabalhos, pois o Violeta lançou há pouco seu disco "Volume 7", e tanto o Apocalypse quanto o Tarkus estão preparando novos CDs, a serem denominados respectivamente "The Bridge of Light" e "A Chave".

Fotos: Ricardo Zupa

Apesar de, hoje em dia, o rock progressivo apresentar um público um tanto quanto reduzido, comparando-se ao seu auge nos anos 70, mesmo assim cerca de 150 fiéis seguidores estiveram presentes ao evento, que incluiu cobertura da TV Rock, responsável por entrevistas nos bastidores com os integrantes das bandas participantes, além de ter feito registros das performances.

A abertura do festival ficou por conta do Tarkus, que entrou no palco por volta das 23h30. Na formação renovada, estão Cesar Achon (guitarra, vocal), Mickey Nicolas (teclados), Fernando Faustino (bateria) e Luizão Teixeira (baixo). Em relação ao sexteto que recentemente lançou o DVD "Ao Vivo em Niterói", ocorreram algumas defecções: o guitarrista Aru Jr., o tecladista Allex Bessa e a vocalista Maristella Bessa. O novo membro, Cesar Achon, já fez parte do Made In Brazil e do Karisma, entre outros.

Num show de cerca de 1 hora de duração, o grupo deu o seu recado com eficiência, incluindo temas que fazem parte do DVD e novas composições que integrarão o CD "A Chave". Das antigas, fizeram parte "O Portal", "O Retorno da Lenda", "Dumont" (todas constantes do DVD), assim como "Exit From Calcutta" (do ótimo disco de estréia "A Gaze Between The Past And The Future"). Do disco a ser lançado, estiveram presentes a faixa-título ("A Chave"), mais "Alguns Anos", "Relógio", "Mágoa" e "Na TV". No YouTube podem ser conferidos alguns momentos do show (1, 2).:
("Mágoa", "Exit From Calcutta", "Alguns Anos" e "A Chave").

A segunda banda a se apresentar foi o Violeta de Outono, que por sinal esse ano também tocou no festival carioca acima mencionado. Trazendo apenas composições do último CD, o Violeta também se apresentou de formação renovada. Além dos membros originais Fabio Golfetti (guitarra, vocal) e Claudio Souza (bateria), fazem parte do grupo agora o baixista Gabriel Costa e o tecladista Fernando Cardoso. As influências psicodélicas mais antigas (Pink Floyd e afins), somam-se hoje as do progressivo de Canterbury, como Camel e Caravan.

Num set enxuto, o grupo executou todas as faixas de "Volume 7" na mesma ordem do disco: "Além do Sol", "Caravana", "Broken Legs", "Eyes Like Butterflies", "Em Cada Instante", "Pequenos Seres Errantes", "Ponto de Transição" e "Fronteira". Com uma maior riqueza nos arranjos proporcionada pelos teclados de Fernando, essa formação atual do Violeta tem causado uma ótima impressão aos fãs de rock progressivo tradicional.

O evento já caminhava madrugada adentro quando a terceira atração subiu ao palco: os gaúchos do Apocalypse, pela primeira vez tocando em São Paulo. Passando por diversos percalços para cumprir com o assumido, entre vôos cancelados com o encerramento das operações da BRA, novas passagens compradas pela Varig, tendo que bancar com todos os custos de deslocamento, hospedagem e alimentação, a dedicação em mostrar pela primeira vez o seu material ao público paulista foi tão tocante quanto inquestionável. Na formação estabilizada em quinteto, estão Gustavo Demarchi (vocal, violão, flauta), Eloy Fritsch (teclados), Ruy Fritsch (guitarra), Chico Fasoli (bateria) e Magoo Wise (baixo).

O setlist incluiu as antigas "Carmina Burana", "Magic", "Refuge" e "Cut", assim como composições que estarão no CD ora sendo produzido, como "Next Revelation", "To Madeleine", "Escape", "Ocean Soul", a balada "Not Like You", "Last Paradise" e "Follow at the Bridge", ficando o bis por conta da já clássica e infalível "Blue Earth", um libelo ambientalista. Acabaram sendo responsáveis pelo show mais longo da noite, até pelo fato de serem a única banda de fora da cidade e por terem investido bastante tempo e dinheiro para se fazer presentes. Quem persistiu não se arrependeu, tendo presenciado mais uma apresentação irretocável do grupo.

O evento foi produzido pela Musical Business, de São Paulo, e demonstrou que é possível a realização de bons eventos quando grupos se unem com um objetivo comum. O Apocalypse ainda seguiria para Votorantim (SP), para se apresentar no dia seguinte no festival II Cultura Rock junto aos grupos Banda do Sol, Lumina, Alpha III & Veronika, organizado pela revista RockHard-Valhalla e pela prefeitura local.

Ao que tudo indica, existe um renovado e saudável mercado para o rock progressivo no Brasil, já que novos talentos e eventos têm aparecido em diversas regiões. Que assim seja...

Links:
São Paulo ArtRock Festival: http://www.saopauloartrock.com.br
Apocalypse: http://www.apocalypseband.com
Tarkus: http://www.tarkus.mus.br
Violeta de Outono: http://www.violetadeoutono.com.br



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Sobre Rodrigo Werneck

Carioca nascido em 1969, engenheiro por formação e empresário do ramo musical por opção, sendo sócio da D'Alegria Custom Made (www.dalegria.com). Foi co-editor da extinta revista Musical Box e atualmente é co-editor do site Just About Music (JAM), além de colaborar eventualmente com as revistas Rock Brigade e Poeira Zine (Brasil), Times! (Alemanha) e InRock (Rússia), além dos sites Whiplash! e Rock Progressivo Brasil (RPB). Webmaster dos sites oficiais do Uriah Heep e Ken Hensley, o que lhe garante um bocado de trabalho sem remuneração, mais a possibilidade de receber alguns CDs por mês e a certeza de receber toneladas de e-mails por dia.

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