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Claro Q É Rock: 25 mil pessoas compareceram à Chácara do Jockey

Resenha - Claro Q É Rock (Chácara do Jockey, São Paulo, 26/11/2005)

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Por Eduardo S. Contro
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No último sábado, aproximadamente 25 mil pessoas compareceram à Chácara do Jockey, em São Paulo, para conferir 16 bandas em praticamente 12 horas ininterruptas de rock’n roll, em suas mais variadas vertentes.

Fotos: Marcos Hermes

Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta, Volpina, Cartolas, Star 61, Cachorro Grande, Spiegel, 10Zer04, Os Imperdíveis, Moptop,Good Charlotte, Nação Zumbi, Fantômas, The Flaming Lips, Iggy Pop e os Stooges, Sonic Youth e Nine Inch Nails foram as bandas da vez.

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Nem a má localização e a tempestade do dia anterior conseguiram afastar o público do festival. Vários pontos negativos em relação a organização também poderiam ter deixado as coisas mais complicadas, como uma única bilheteria bem distante do local, estacionamento lotado, trânsito, banheiros e bares com filas enormes, telões pequenos e poças d’agua por todos os lados. Mas, no final nada disso estragou a festa.

Começando pela ordem das grandes apresentações da noite, quem entrou primeiro foi Mike Patton, com sua banda Fantômas formada logo após o fim do Faith No More, em 1998. Ali, Mike mostrou o melhor de seu repertório repleto de sons que misturam o hardcore com orquestra e sintetizadores que deixam suas músicas cheias de efeitos. Performático, mandou seus berros alucinados que se misturavam com barulhos de relógios antigos e microfonias propositais. Para tristeza dos fãs, Dave Lombardo, famoso baterista do Slayer, não compareceu à apresentação no Brasil. Apesar disso, foi bem substituído.

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Naquela altura, onde muitos fãs teens esperavam pelo show, no mínimo patético, dos posers do Good Charlotte, o que se viu foi uma debandada geral das pessoas para os bares, o que deixou a apresentação meio apática.

Apesar disso, o Fantômas fez uma ótima apresentação e Patton ainda mandou hits como Easy, Evidence e Ashes to Ashes.

Logo na seqüência, veio o show do Flaming Lips, que já começa nos bastidores. A entrada do vocalista Wayne Coyne, apesar de nem tão original, foi no mínimo interessante. Dentro de uma bolha, se jogou sobre a multidão e sai rolando, literalmente.
Com muitos detalhes como fitinhas coloridas, bichos de pelúcia e confete, o show contou com dois covers, um do Queen, "Bohemian Rhapsody" e outro do Black Sabbath ("War Pigs"), e mais alguns hits da banda ("Yoshimi Battles the Pink Robots" e "She don’t use Jelly"). Foi um bom show, melhor pela performance artística do que pela sonoridade, mas tudo certo.

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Após o Flaming Lips veio o grande destaque da noite, aquele que pegou muitos de surpresa, sim, a apresentação do Iggy Pop. O veterano rockeiro deixou fascinadas a maioria das pessoas que foram ao festival. Com frases de "efeito" anti-mtv, mosh como cartão de visitas e invasão de palco, Iggy e suas cicatrizes e sua calça praticamente caindo provocou a histeria nos adolescentes rockeiros.

Pulando e dançando do jeito que só ele sabe fazer, o rockstar de 58 anos provou que não se vendeu e que ainda tem muito que mostrar. Junto com o The Stooges, a apresentação teve um pouco de toda a trajetória da carreira do grupo. O ponto alto veio com "No Fun". Iggy incitou o público a invadir o palco, e fez a alegria geral da galera. Os seguranças não eram suficientes para conter a invasão que ocorreu e a loucura generalizada. Com certeza, muitos dos que conseguiram subir lá e abraçar Iggy nunca vão esquecer essa noite.

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Bom para o Iggy, ruim para o Sonic Youth que teve que entrar no palco logo após esse furacão sonoro e visual. O show da banda norte-americana em resumo foi muito bom, mas por se tratar de um estilo muito distinto, cheio de "jam sessions" regadas a muita droga, e melancólico, a apresentação do grupo grunge foi praticamente apagada e até sonolenta para quem à pouco havia se acabado de pular e gritar, isso já lá pelas 0h30 de domingo. Pra piorar um pouco mais, o som estava ruim e o grupo deixou de fora a maioria dos seus hits. Uma de suas mais conhecidas, mas que mal pode ser considerada um hit, "Teenage Riot", foi a que fechou a apresentação.

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Para encerrar a maratona, veio ao palco a tão esperada banda que mistura o rock ao eletrônico, Nine Inch Nails. Quinze anos foi o tempo que os fãs tiverem que esperar pela apresentação do grupo de Industrial mais famoso da história. Apesar de todos já estarem muito cansados lá pelas 2h da manhã, Trent Reznor fez uma apresentação brilhante. Trazendo músicas de todo o repertório da banda, como um perfeito "best of", o multiinstrumentista não podia ter feito melhor para agradar. Iniciando sua apresentação com a música "Wish", uma das mais pesadas de sua história, o NIN acordou a todos e mostrou que o que viria a seguir seria um massacre. O som estava perfeito. Com 25 toneladas de equipamento e uma cenografia que se misturava com os jogos de luzes, foi criada uma verdadeira atmosfera sombria e perfeita para sua performance. Destaque para "Closer", maior hit da banda, para a formação que contou também com o ex-baixista do Marilyn Manson, Twiggy Ramirez, e para "Hurt", que fez o público todo cantar junto com a banda.

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Alguns pontos ruins, porém, podem ser destacados nessa apresentação: sua curta duração, pouco mais de uma hora, e a frieza de Trent, que mal conversou com o público. Entrou, fez seu trabalho e saiu, quebrando tudo que viu pela frente, mas calado.

Logo após o último show, foi anunciado o vencedor das bandas seletivas que a Claro promoveu durante a turnê do Placebo, em abril: Cartolas, banda de porto Alegre. O grupo faturou uma van para excursionar pelo País, um disco gravado no estúdio Toca do Bandido e dois videoclipes.

Pra finalizar esse review, vou fazer uma coisa que não é prática aqui no Whiplash!, mas que não posso deixar passar. Vou mandar um recado para alguns "fotógrafos" que estavam lá no Claro q é Rock, se é que posso chamá-los assim. Deixem os profissionais fazerem o seu trabalho, parem de usufruir o "status" de imprensa para benefício próprio. Foi vergonhoso ver os seguranças barrarem profissionais sérios que precisavam subir no palco por excesso de pessoas e ver alguns cidadãos tirando fotos com o celular, ocupando o espaço de quem precisa realmente trabalhar. Óleo de peroba às vezes vai bem. Que vergonha!

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Sobre Eduardo S. Contro

Assessor de imprensa, nascido em 1982. Músico nas horas vagas, sua história com o rock começou aos 7 anos de idade. Na época, fazia reuniões com os amigos para ouvir Guns, Rolling Stones, Beatles e afins. Aos 12 se tornou fã do estilo Grunge e, como muitos jovens rockeiros, logo passou a ouvir metal, graças ao Iron Maiden. Hoje é bastante eclético. Escuta de tudo um pouco, de rock progressivo setentão a Black Metal. Desde 1996 (ano da criação do Whiplash!) acompanhou o crescimento e desenvolvimento do site e hoje se sente feliz por fazer parte dessa família. Sempre disposto a conhecer bandas novas e discutir sobre os rumos da música, vive em busca de contribuir para a evolução do rock brasileiro.

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