Claro Q É Rock: O quase sexagenário Iggy Pop espanta qualquer depressã
Resenha - Claro Q É Rock (Chácara do Jockey, São Paulo, 26/11/2005)
Por Bento Araújo (www.poeirazine.com)
Postado em 09 de dezembro de 2005
Fabricantes de remédios, farmácias de manipulação, ou até mesmo pesquisadores de drogas em geral. Vocês estão perdendo tempo! Criem uma pílula com o nome de Iggy Pop que essa idéia vai pegar! Se essa pílula causar no paciente o mesmo impacto que pouco mais de uma hora assistindo Iggy Pop no palco, todos vocês estarão ricos em poucas horas.
O quase sexagenário Iggy espanta qualquer depressão e apatia. Exemplo de ‘Lust for Life’, o cara já entra no palco pulando alucinadamente, sobe no amplificador do baixista e simula um ato sexual com a caixa. Para na frente do amplificador do guitarrista para captar na íntegra toda distorção imunda. Dá um stage-dive animalesco no meio da galera logo na terceira música, canta o tempo inteiro sem camisa em um frio de arrepiar, joga água gelada na cabeça e dança tanto que fica com as calças no meio da bunda, com o famoso "cofrinho" aparecendo.
O Stooges é básico ao extremo, visceral, primata e básico como o bom rock. No fundo do palco, apenas um pano estilizado com a inscrição ROCK. Precisa de mais alguma coisa? Definitivamente não. Ao lado dos irmãos Ron e Scott Ashton e o baixista Mike Watt (ex-Minuteman e Firehose), Iggy Stooge mostrou ser um ícone da música alternativa. Xingamentos ao governo, MTV e ao babaca da iluminação que apagava as luzes quando Iggy pedia exatamente o contrário, querendo olhar para a multidão que o reverenciava como uma espécie de santo decadente.
No repertório, somente material dos dois primeiros álbuns do Stooges, tocados quase na íntegra. Nada de Raw Power (e olha que a banda está se apresentando como Iggy and the Stooges) e dois temas de Skull Ring, ainda o seu álbum mais recente.
Em "No Fun", Iggy chamou a galera para o palco, impediu os seguranças de fazerem qualquer coisa e a invasão começou. Imaginem a cena: o Stooges mandando ver com cerca de 50 moleques malucos pirando, abraçando, beijando e até "encochando" Iggy Pop, que se deleitava com a zona e parecia um moleque de 16 anos! Os seguranças não entenderam nada e o show quase foi interrompido com tanta bagunça. Nunca vi isso em show de bandas profissionais! Um arraso!
A galera respondia com violência, cantando junto todos os clássicos da banda. Foi legal ver "Funhouse" e "1970" com a participação de Steve MacKay no saxofone, assim como no disco Funhouse de 1970. Legal também citar as duas versões do hino "I Wanna Be Your Dog", uma apoteótica, logo no começo do show e a outra imunda e pesadíssima, com o Sax de MacKay.
O Claro que é Rock também trouxe bandas interessantes como o Fantomas de Mike Patton. Som bem ensurdecedor e experimental, contando com a presença inesperada de Terry Bozzio (ex-Zappa, UK, Missing Persons e muitos outros) na batera! O homem é um monstro de vários tentáculos e desde de o show do Rush em 2002 que eu não via uma batera tão gigante.
O Flaming Lips foi interessante, com vários figurinos e os próprios músicos fantasiados. O vocalista andando pelas mãos da galera dentro de uma bolha (o Volpone do Rock?) e a banda executando versões de "Bohemian Rhapsody" do Queen e "War Pigs" do Sabbath. A presença de palco, e as fantasias da rapaziada, me lembrou os velhos shows anárquicos do The Tubes, bem legal! Já o Sonic Youth foi um saco, microfonias apáticas e um lance mais estético do que sonoro, somente "Teenage Riot" no final causou alguma reação mais positiva. O Nine Inch Nails detonou mas não chegou nem perto da performance do Stooges. Com um belo cenário de palco e um som poderoso, a banda de Trent Reznor fez um show empolgante, intenso e barulhento.
A Claro está de parabéns pelo mega-evento, com dois palcos e uma iluminação e som de primeira. Só pecaram na velha mania do credenciamento. Cobrimos mais esse show por nossa conta. Quem sabe um dia o Brasil ainda irá apoiar as mídias independentes...
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