Resenha - The Pretenders (PNC Art Center, Holmdel - NJ, 26/08/2000)

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Por Mário Ribeiro
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Data do Show: 19 de Agosto de 2000.

O PNC Art Center é realmente um local muito bonito. Situado em um pequeno morro, o Telegraph Hill, localizado na cidadezinha de Holmdel, o local aproveita sua inclinação para criar um anfiteatro quase natural. Tendo sua parte central coberta, onde ficam situadas as 7.000 cadeiras, com as extremidades a céu aberto e adornado por um vistoso gramado, o local oferece uma acústica privilegiada, para uma capacidade máxima de 17.500 pessoas.

Depois de uma semana inteira de chuva e tempo feio, o sábado trouxe o sol, que saiu possivelmente pela felicidade de saber que ela estava na cidade. Chrissie Hynde é a própria personificação da "rock 'n' roll woman". Linda, com uma voz sensual, ao mesmo tempo que extremamente agressiva, ela vai direto ao ponto quando perguntada sobre a exploração excessiva dos atributos femininos por algumas de suas contemporâneas, e diz, "Menina, a mensagem do rock 'n' roll não é foda-me, é foda-se!"

A banda abre com The Loner, de Neil Young, e a galera alucina de cara. O solo de guitarra com feedback, utilizando pedais que dão um som de guitarra ao contrário, manteve a linha suave/áspera da versão original, ao mesmo tempo que ofereceu nuanças próprias da banda. Sua banda está longe de ser aquela unidade que viemos a conhecer como The Pretenders, em 1980. Uma banda que sempre teve a voz e as composições da Chrissie Hynde mas cujo som era muito calcado na musicalidade do seu genial guitarrista James Honeyman-Scott, falecido em 1982 após uma overdose de cocaína e heroína. Hoje, a banda é meramente o meio mais comercial que Chrissie tem para expor suas músicas para uma audiência maior.

É claro que a banda Pretenders, que excursiona com ela, é competente. A música e a apresentação teve seus momentos altos e excitou os espectadores em um rock 'n' roll frenesi. Da banda original, além de Chrissie resta somente o baterista Martin Chamber, nesta noite todo de branco, continuando a ser, como sempre foi, o relógio da banda - preciso e bombástico. No baixo, um loirinho chamado Eddie, eficiente e aparecendo pouco. Ao seu lado, com muito menos destaque ainda, o percussionista Smith. E finalmente o guitarrista líder, cujo nome fico lhes devendo. É sempre difícil entender os nomes falados nesses shows. Chrissie, vestida em calça jeans preta, botas de camurça preta e uma camisa preta com um colete branco sobre ela, canta com uma voz que é ora doce, ora áspera, confiante, e atingindo certas notas com tanta paixão que soam como uma carícia, simplesmente uma delícia.

A apresentação consistiu basicamente de material dos seus últimos discos. Das músicas mais antigas, que representam mais a banda original, somente "My City Was Gone" e "Back To The Chain Gang". Ao terminar uma canção, Chrissie ficou ali parada, assistindo ao público manifestar sua alegria, quando de repente ela fala "Deixa eu tirar o momento agora..." e ela se ajoelha, "...para beijar este chão..." e ela se dobra e beija o palco, "...que mais tarde Neil Young vai pisar". A galera vai à loucura, mesmo porque Chrissie não é conhecida por demonstrar este tipo de afeição, típica de fã, por qualquer pessoa que seja. A demonstração foi para muitos uma surpresa.

O show termina com Chrissie oferecendo uma versão incomparável de "The Needle And The Damage Done", que passa longe da original com só piano e voz. Podemos ouvir a banda toda entoando este hino à reflexão sobre auto-destruição, com direito a longos solos e bastante peso, para que no final o volume caia e Chrissie, sozinha com sua guitarra, cante a frase final. Chrissie, então, ergue sua guitarra como quem ergue uma taça em um brinde, oferecido a todo o público, e graciosamente com a banda se retira. Para o bis, entram em "Cuban Slide", outra das antigas, coroando a noite. Ao sair, Chrissie se despede dizendo "Stick around 'cause your going to see a truly great guitarrist." É verdade Chrissie, mas ele não tem suas curvas.


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