Música: seis desafios para bandas autorais independentes
Por Fernando Moraes
Postado em 15 de dezembro de 2016
Compor música em banda não é fácil, pois envolve muito talento e habilidade dos músicos, bem como inspiração para escrever letras que traduzam a voz de um público. Mas isso está longe de ser o principal desafio de um artista ou de uma banda autoral independente. Com a experiência de quase 5 anos com a Rota Ventura, depois de um EP gravado e caminhando para um novo single, podemos listar alguns deles.
Produção
Uma coisa é compor uma música, outra é gravá-la e produzi-la. Os instrumentos principais e adicionais que são escolhidos, os timbres cuidadosamente testados, os backing vocais ou até corais e como mixar tudo isso dá um trabalho danado. Já percebi que não existe uma só maneira de desenvolver o processo. Assim, a dica é: a melhor forma de produzir o som é aquele que dá certo na sua banda.
Partindo para o autoral
É normal que, no início, até por questões de influências às vezes óbvias, o público comece a associá-lo a determinados artistas do mainstream e pedir covers deles. Mas, a partir do momento em que você lança uma proposta autoral, talvez o interesse não seja o mesmo. E aí está um dos grandes desafios: como prender a atenção deste público. Não dá pra concorrer com a mídia de massa, que sempre vai tocar o que é ou o que já foi "sucesso". Então, o jeito é, na oportunidade que conseguir, tocar o seu som, bem como divulgá-lo nos posts que faz nas redes sociais.
Fidelizar o público
O primeiro passo para fidelizar um público é saber o que ele quer ouvir, onde ele costuma ouvir e que eventos ele é capaz de ir para ver uma música como a sua. Se o caminho dos shows é restrito, apostar nas redes sociais ou canais virtuais pode ser uma estratégia muito válida. Em outras palavras, se não te dão espaço, crie o seu.
Shows e circuitos
A vida é boa para bandas que tocam em bailes, formaturas, aniversários, bares de classic rock, etc. Mas para quem faz autoral, é sempre um trabalho a mais, já que as oportunidades para shows são reduzidas. Para conseguir shows com a pegada autoral, o jeito é se juntar com outras bandas que compartilham as mesmas cenas e, na maioria das vezes, se envolver na organização dos eventos.
Distribuição da música
Há diversas plataformas para você disponibilizar online, isso é fácil. O difícil é fazer com que as músicas sejam compradas ou baixadas. É nesta hora que vai precisar do público que fidelizou para distribuir sua música. É muito legal quando alguém faz uma viagem e te diz, depois, que foi curtindo seu som. Seja qual for o canal escolhido para distribuir seu som, o que conta muito é a criatividade. Por exemplo, para lançarmos o single "Não existem mais heróis", criamos uma edição limitada de uma cerveja artesanal da banda, que vendemos no dia do lançamento desse som, no show em uma festa de aniversário de um motoclube.
Manter o foco
Discussões, divergências, birras, brigas. Tudo isso faz parte de qualquer relacionamento, inclusive em bandas, em que a criatividade de cada um acaba por vezes se chocando com o da proposta da banda. O segredo aí é levar de boa – não que eu seja o melhor exemplo para isso rs, mas sempre tem a galera paz e amor da banda que é quem é responsável por manter a união do grupo. E se o foco é fazer um bom trabalho, o bom ambiente é fundamental. Na Rota Ventura brigamos, mas um membro sabe o quanto o outro é importante não apenas para a banda, mas para a vida de cada um, pois a amizade fala mais alto.
Como disse, estamos fazendo cinco anos de Rota Ventura, passamos por altos e baixos, mas sempre há novidades que a banda está disposta a explorar. E é isso que faz a vida em uma banda autoral independente valer a pena, sempre ter algo significativo para criar.
Até a próxima!
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