Metal Nacional: Mensalão X Ascensão e Crises do Metal Brasileiro
Por Helena Novais
Fonte: Claro Escuro
Postado em 30 de novembro de 2013
Nos últimos dias ganharam relevo duas discussões: o mensalão do PT; a situação do Heavy Metal brasileiro. E é curioso observar como duas coisas, aparentemente tão distintas, em essência são iguais.
O Heavy Metal brasileiro sofreu ao menos dois golpes fatais. O primeiro aconteceu em meados dos anos 80 quando, recém instalado no Brasil por efeito da Nova Onda de Heavy Metal Britânico, foi atropelado pela maior emissora de televisão do país. Por ocasião do primeiro Rock ‘n’ Rio, a Rede Globo se deparou com um fenômeno novo e, para seus jornalistas, incompreensível. Na urgência de fazer a cobertura do festival, passaram a transmitir imagens de adolescentes em bandos, gritando loucamente, não dizendo coisa com coisa, e logo os batizou como "metaleiros". A imagem que ficou para a população foi esta mesma, de adolescentes loucos, descontrolados, cabeludos bêbados/drogados, alienados e irresponsáveis, que ouviam uma música barulhenta cujas letras não entendiam.
Ocorre que as imagens eram de momentos de uma celebração até então inédita em solo nacional, instantes de festa e de catarse, que não retratava o movimento cultural em formação. Este envolvia pessoas com nível cultural considerável, que trabalhavam seriamente para fazer arte e, por meio dela, contribuir para o aperfeiçoamento da sociedade. Aquelas imagens sedimentaram preconceitos e quebraram as pernas do Heavy Metal brasileiro.
Um segundo golpe foi interno, auto-imposto. Mesmo de pernas quebradas a criança tanto rastejou que conseguiu seguir adiante. Algumas poucas bandas reuniram as condições para alçar voo rumo ao exterior, onde conquistaram algum espaço e notoriedade. Em consequência, também conseguiram alguma exposição na mídia brasileira. Porém, esqueceram que representavam algo maior, se isolaram no seu próprio mundo formado por seus próprios interesses. A percepção de "nação", para eles, ficou reduzida ao conceito de "mercado" e a percepção de "movimento cultural" se equiparou ao de seu quintal abandonado. Em consequência, a criança metálica não cresceu, não se expandiu, permaneceu encolhida e hoje, em tempos de pulverização dos canais de comunicação e desmonte da indústria cultural, agoniza.
Mas, o que o mensalão do Partido dos Trabalhadores tem a ver com isso? Considerando que se trata de uma denúncia de corrupção política baseada em compra de votos do Congresso Nacional, denuncia um jeito de fazer as coisas, a corrupção, que é tão antiga quanto a própria política. E é aí que mora a semelhança essencial entre universo Metal e universo político. Em ambos os casos há um momentos-chave a partir do qual tudo poderia ter sido diferente, mas não foi porque as escolhas feitas não estavam de acordo com os resultados pretendidos.
Não é possível combater corrupção com mais corrupção. Da mesma forma, não é possível manter uma revolução cultural, que defende as liberdades individuais, o autoaperfeiçoamento com respeito ao próximo, sem ir além das vaidades mesquinhas.
Os ideais dos fundadores do PT foram tão ignorados pelos corruptos, quanto os ideais dos fundadores do movimento metálico brasileiro foram sucateados por aqueles que não poderiam ter deles esquecido. E tanto que as novas gerações têm até dificuldades em compreender que tais ideais um dia constituíram a própria alma deste movimento.
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