A Revolução do Doom Metal no Brasil

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Por Ellen Maris e Sandro Pessoa, Fonte: Blog Preto e Metallico
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Já não se pode dizer nos dias de hoje o mesmo que se dizia a cerca de dois ou três anos atrás, a respeito do Doom Metal no Brasil. Numa cena que reunia pouco mais de uma centena de adeptos em grupos de redes sociais como as (quase mortas) comunidades do Orkut, por exemplo, onde quase todo o foco de atenção era voltado para tratar das principais bandas estrangeiras do gênero, boatos sobre possíveis apresentações em nossas terras ou discussão de lançamentos da velha tríade do Doom e mudanças drásticas que estas sofreram ao longo dos anos, fosse na formação ou mesmo no próprio estilo.

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Pouco se falava de uma banda nacional, até por que, a atenção que o assunto sobre uma banda mainstream do Doom Metal exercia numa discussão dentro daqueles fóruns ofuscava de vez qualquer novidade ou tentativa de se fazer presente por ali. Não somente nos grupos. Nas rodinhas, nos bares, nas portas dos shows onde os poucos "Doomsters" se encontravam e iniciavam suas discussões.

As informações sobre as bandas nacionais eram mínimas, até mesmo por conta da própria descrença das mesmas sobre a situação do Doom no Brasil e as migalhas que lhes sobravam para se apresentarem num evento ou outro, em meio ao turbilhão de festivais nacionais voltados ao Death, Thrash daqueles tempos. Tempos estes, que parecem distantes dos de hoje, mas para quem lembra e vivenciou a situação, sabe que a mudança aconteceu há pouco e o efeito causado realmente modificou a realidade do Doom no Brasil.

Num dia qualquer, nesses chats de discussão do Facebook, alguém começa a reclamar daquela mesma situação que todas as bandas e o público do gênero no país reclamava: Brasil fora da rota de shows dos grandes nomes do Doom mundial, enquanto vizinhos como Chile e Uruguai deitam e rolam com as apresentações de bandas que para nós parecia impossível esperar por aqui.

Das poucas que se fizeram presentes até aquele momento, o público ainda era pequeno, as organizações precárias, enfim: o interesse dos produtores em relação ao estilo era pouco significativo. Menor ainda era a coragem de uma banda de Doom nacional arriscar carreira por aqui. Era muito mais fácil conseguir qualquer reconhecimento fora do país. Daí, muito material do “Doom Tupiniquim” se quer era lançado no Brasil.

A descrença absoluta ainda assim gerava tais discussões. E foi a partir destas que integrantes e apreciadores do estilo se uniram e surge então a ideia de formar a União Doom Metal Brasil.

A ideia inicial era atrair para o país grandes nomes do Doom mundial e entrar para a rota de shows destas. Para isso, precisariam fortalecer a cena local, aumentando a quantidade de público e de eventos do tipo. E foi a partir daí que bandas de todos os cantos do Brasil se juntaram, por um mesmo propósito. Desde então, fomos surpreendidos com trabalhos nacionais que não fazíamos ideia que existia ou que mal se ouvia falar noutros tempos. Álbuns de qualidade incontestável; e de uma vez por todas provou que o Brasil possuía um nicho de bandas de Doom com características próprias, musicalmente falando.

O resultado dessa União surgiu em forma de coletânea: Lançada no ano passado, a "Doomed Serenades" reuniu 10 nomes da cena nacional e surpreendeu os selos patrocinadores com o sucesso das vendas. A distribuição foi feita também fora do Brasil, o que provocou o reconhecimento tanto do público quanto de bandas estrangeiras, que até então pouco sabiam de como o nosso cenário era rico.

Deu-se desta maneira o que podemos chamar de a primeira ascensão do Doom Metal brasileiro, o que dividiu os meios de comunicação igualmente com os demais estilos. Pessoas que não se identificavam com o gênero pelo simples fato de não conhecerem passaram a admitir a qualidade do mesmo após a audição da coletânea. Levando-se em conta de que o Doom Metal é extremamente amplo, indo do Heavy tradicional ao Death e Black Metal, foi fácil atingir uma parcela enorme de fãs do metal em geral: Era o que faltava: divulgação e desmitificação do estilo.

Passado quase um ano após a iniciativa da União Doom Metal Brasil, já é possível citar grandes diferenças (grande em relação ao que o público seguidor do estilo era acostumado) como o aumento de eventos voltados exclusivamente ao gênero e maior inclusão de bandas em diversos eventos no país. Hoje, tanto os antigos como os mais novos fãs estão mais presentes e interessados em trabalhos nacionais, assim como rádios e sites específicos já terem espaços reservados à notícias das mesmas, como também o surgimento de novas bandas no cenário Doom nacional. E por maior lucro que possamos ter tido com toda essa ampla divulgação a grande surpresa foi de fato a inesperada identidade do Doom Metal nacional.

É certo que de um modo geral a raiz do estilo sempre será as terras frias da Europa e todas as atuais e futuras bandas carregarão traços que marcam o estilo. Porém, com a alta repercussão de nossas bandas podemos encontrar um novo formato de música executadas com maestria por algumas destas, onde somente uma pequena parcela do público vinha a desfrutar de tais criações. Bandas como Mythological Cold Towers, HellLight e Imago Mortis são claros exemplos onde a sonoridade de suas ótimas canções são extremamente características, bem diferentes daquilo que fomos acostumados durante anos e anos por bandas estrangeiras.

Conclui-se o que muitos sequer imaginavam: o Brasil também é um forte produtor de bandas de Doom Metal com suas respectivas identidades, claramente distintas das bandas do restante do planeta. Algo tão difícil na atualidade onde quase tudo na música já foi experimentado.

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Sobre Ellen Maris

Jornalista, assessora de imprensa, manager, produtora, letrista e cantora. Colaboradora ativa da cena underground no Brasil desde 2001. Fundadora e idealizadora da União Doom Metal Brasil. Apaixonada por música, praia e leitura.

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Sobre Sandro Pessoa

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